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Análise: A eliminação do Matheus do BBB26 e o que o Brasil não aceita mais

Quando o público decide parar de "passar pano"

Joaquim Mamede
Joaquim Mamede
Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.
Matheus, do BBB26 - Foto: Globo/ Manoella Mello
Matheus, do BBB26 – Foto: Globo/ Manoella Mello

A eliminação de Matheus no BBB não pode ser lida apenas como mais um resultado de paredão. Ela ajuda a entender como o público tem reagido, nos últimos anos, a certos comportamentos dentro da casa — especialmente quando falas e atitudes ultrapassam o limite do que se aceita como “brincadeira”.

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Desde o início do jogo, Matheus foi acumulando situações que geraram incômodo fora da casa. Comentários considerados homofóbicos, falas atravessadas por estereótipos raciais e um tipo de humor baseado no constrangimento do outro começaram a circular nas redes sociais. O desgaste não aconteceu de uma vez, mas em camadas. E, no BBB, esse acúmulo costuma ser decisivo.

O reality sempre funcionou como um jogo de convivência, mas também como um teste de imagem. Não basta ganhar prova ou montar estratégia: o público observa gestos, escuta falas e interpreta posturas. Quando a narrativa que se constrói fora da casa passa a ser negativa, o paredão vira consequência, não surpresa.

O que chama atenção nesse caso é que o público não comprou a defesa clássica do “foi brincadeira” ou do “ele não quis ofender”. Durante muito tempo, esse tipo de argumento bastava para aliviar a barra de participantes. Hoje, parece haver menos paciência para esse tipo de relativização. Não porque o Brasil tenha resolvido seus preconceitos, mas porque há um cansaço visível em normalizar discursos que machucam grupos historicamente atingidos por esse tipo de fala.

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As redes sociais têm papel central nisso. Trechos circulam, falas são recortadas, e o que antes se perdia no fluxo do programa agora ganha destaque e debate. O público chega ao paredão já com uma leitura formada — e vota a partir dela. Nesse cenário, insistir em comportamentos problemáticos se torna um risco alto de jogo.

Vale lembrar que o BBB não é um espaço de militância nem um tribunal moral. É entretenimento. Mas entretenimento também reflete o seu tempo. O público muda, e o programa muda junto, mesmo que de forma lenta e contraditória. O que antes era visto como “personalidade forte” hoje pode ser lido como falta de limite. O que antes rendia VT, hoje rende rejeição.

A saída de Matheus não transforma o BBB em um programa exemplar, nem elimina contradições. Outros participantes com discursos semelhantes já passaram ilesos em edições anteriores. A diferença é que o contexto mudou. Certas falas hoje têm peso maior, porque o público passou a reagir de forma mais direta.

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No fim, Matheus não saiu apenas por estratégia de jogo ou falta de aliados. Saiu porque o incômodo falou mais alto do que qualquer torcida. E, no BBB, quando o público decide não passar pano, dificilmente há prova bate-volta que resolva.

**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores

Joaquim Mamede
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Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.

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