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Análise: A nova onda brasileira no cinema internacional

Globo de Ouro, temporada de prêmios e o Brasil na corrida pelo Oscar

Joaquim Mamede
Joaquim Mamede
Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.
Wagner Moura
Wagner Moura (Reprodução: TV Globo)

Os Globos de Ouro deste ano não devem ser lidos apenas como a consagração pontual de ‘O Agente Secreto’ e de Wagner Moura, mas como mais um sintoma de um movimento mais amplo: o cinema brasileiro voltou a circular com força no circuito internacional. Não se trata de um acaso, tampouco de um prêmio isolado arrancado à margem do sistema. O que se desenha é uma onda — ainda frágil —, mas claramente reconhecível.

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A vitória de ‘O Agente Secreto’ como melhor filme internacional aponta para algo que o cinema brasileiro vem refinando nos últimos anos: a capacidade de articular narrativas locais com gramáticas universais, sem diluir conflitos nem suavizar tensões históricas. O filme dialoga com gêneros consagrados, mas não abdica de um olhar político e de uma elaboração formal que o afastam do exotismo fácil.

Já o prêmio de melhor ator de drama para Wagner Moura funciona quase como um selo de continuidade, vindo desde o ano passado com a vitória de Fernanda Torres como melhor atriz de drama em ‘Ainda Estou Aqui’. Não é apenas o reconhecimento de uma performance específica, mas de uma trajetória que atravessa cinema autoral, indústria internacional e produção brasileira, ajudando a reposicionar o ator — e, por extensão, o próprio cinema nacional — no imaginário global.

Temporada de prêmios e mudança de patamar

Esse reconhecimento não surge no vazio. Ele se insere numa temporada de prêmios em que o Brasil reaparece como interlocutor relevante, depois de anos marcados por isolamento cultural, desmonte institucional e hostilidade aberta às artes. Festivais, premiações e distribuidoras voltam a olhar para o país não por benevolência, mas porque há filmes circulando, esteticamente consistentes, politicamente instigantes e capazes de dialogar com debates contemporâneos sobre memória, autoritarismo, violência e subjetividade.

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É nesse contexto que a palavra “Oscar” passa a circular com menos cautela e mais realismo. A corrida pela estatueta não se define apenas pela qualidade dos filmes, mas por estratégias de circulação, campanhas, alianças institucionais e timing político. Ainda assim, o fato de o Brasil entrar nesse debate já indica uma mudança de patamar. Não se trata mais de torcer por uma exceção heroica, mas de reconhecer que há uma cena em funcionamento, ainda que desigual e permanentemente ameaçada.

Convém, no entanto, resistir à tentação do triunfo fácil. Essa nova onda não apaga a precariedade estrutural do setor, nem resolve o abismo entre produção e acesso dentro do próprio país. Tampouco garante continuidade automática. O cinema brasileiro já viveu outros momentos de visibilidade internacional que não se sustentaram no médio prazo. A diferença, agora, parece estar menos na promessa de um “renascimento” e mais na construção paciente de redes, linguagens e políticas de circulação.

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Se os prêmios recebidos sinalizam algo, é que o Brasil voltou a ser interessante no mapa do cinema mundial. Resta saber se o país saberá transformar esse momento em projeto — e, principalmente, essa onda em permanência.

**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores

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Joaquim Mamede
Joaquim Mamede
Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.
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