Camila Pitanga/Instagram
Camila Pitanga/Instagram

Camila Pitanga está de volta ao trabalho após um ano “sabático”, no qual se dedicou a uma “rotina restauradora”. A atriz voltará com uma peça no Rio de janeiro, na tv com a série ‘Arunas‘, no Globoplay, e ainda como apresentadora do ‘Super Bonita’, no GNT

Em entrevista a Revista Marie Claire, a atriz falou sobre um momento importante em sua vida, a morte do amigo Domingos Montagner, em 2016, que se afogou enquanto os dois nadavam num trecho do rio São Francisco.

Lido com essa dor até hoje, mas o tempo é guardião, no sentido de você amadurecer e respeitar essa dimensão do mistério que é a vida”, filosofa. “O que aconteceu não obedece a uma lógica. Me dei esse ano para colocar em prática algumas reflexões que eram até anteriores, de como lidar com o tempo, o trabalho, a vida familiar. Para uma pessoa workaholic, foi interessante ver que, no simples, a gente pode se fortalecer”.

Camila relembrou como foi o dia trágico.  “Domingos [Montagner], o Gabriel [Leone] e eu tínhamos combinado de irmos, juntos, tomar um banho no rio. Domingos e eu gravamos de manhã e ficamos no set, esperando o Gabriel, que ia gravar um pouco mais. Estava muito quente e, como ele estava demorando, a gente decidiu se adiantar: fomos pegar as roupas de banho, e ficamos em contato por telefone”, contou.

No caminho, vimos em frente ao hotel, que ficava meio no alto de uma montanha, uma enseada. Fiquei até na dúvida se era um lugar particular, porque estava tudo novo, tinha barraca. As pessoas podiam estar ali, mas, como era dia de semana, estava vazio. A praia era muito tranquila. Não tinha marola ou nada que ensejasse ter algum perigo. Tanto que a gente mergulhou e estava tudo bem. Quando nadamos em direção ao grande leito do rio, percebi, numas pedras, uma marolinha. Mas minha preocupação era com as pedras e falei:
‘Domingos, acho melhor voltar’, porque fiquei com medo de a gente se machucar. No que a gente tentou voltar, a gente nadava, mas não conseguia sair do lugar”.

“Tive um momento de medo, mas disse: ‘Calma, Camila’, porque eu tinha uma noção de que tinha uma lateral toda de pedra. Ao invés de tentar lutar contra a correnteza, nadei para o lado, em direção às pedras, e falei: ‘Vem pra cá, é tranquilo’. Mas o Domingos me olhava e não falava nada. Fui até ele, o puxei, porque eu estava despreocupada, e disse: ‘Tô te falando. É só vir pra cá’, e voltei à pedra. Duas vezes tentei buscá-lo, mostrando que não tinha perigo, mas ele dizia que não conseguia. Na verdade, ele falou muito pouco. Na última vez que eu voltei à pedra, Domingos olhou muito grave, com um misto de… E ali eu entendi o perigo. Ele submergiu uma vez. Voltou. Não foi uma coisa desesperada. Ele fez um gesto assim de como quem diz: ‘não vai dar’, e não falou mais. Submergiu… E eu não o vi mais.” disse a atriz.

Momentos de pânico

Camila contou como ficou desesperada ao dar conta ao que estava acontecendo. Ela também disse que chegou a pedir ajuda para quem estava próximo.

“Quando o Domingos submergiu, entrei em total desespero. Alguma coisa me dizia que eu não podia mais ir ali. Tudo isso parece uma eternidade, mas foram segundos. Lembro de me bater, querendo me acordar. Comecei a chamar as pessoas no meu campo de visão. Tinha dois jovens, para quem eu gritei, que vieram num barquinho, e começamos a busca. Quando eu subi na embarcação, estava muito nervosa. Daí, entramos no leito do rio e foi um novo momento de entendimento, de compreensão do que estava acontecendo, porque, de cima, você via no grande leito, bolsões… Intimamente eu entendia que talvez a gente não o encontrasse. Depois passei o dia inteiro no meu quarto, de onde dava para ver o rio. Foi uma agonia”.

Cura

Após o trágico acidente, Camila Pitanga contou que decidiu se recolher e ficar próxima da sua família.

“Após o acidente, fiquei dois dias em casa, com a minha família, meus amigos todos me cuidando, com muita solidariedade. Recebi muitas manifestações de carinho do Brasil inteiro. Andava na rua e tinha gente que caminhava na minha direção e me dava um abraço. Entendi que terminar as gravações da novela era uma forma de fortalecimento. Faço terapia desde os 19 anos, e mantive num processo continuado. São etapas em que você revive a situação. Contar é reviver.

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