Soltou o verbo! Ex-âncora da Globo, Jéssica Senra defende Érika Hilton em polêmica com Ratinho

A jornalista saiu em defesa da deputada após um comentário ofensivo do apresentador dizendo que ela "não é mulher"

Matheus Nunes
Matheus Nunes
Jornalista formado pela UNISUAM (Centro Universitário Augusto Motta) desde 2020. Apaixonado pelo mundo televisivo e tecnológico, atuo na área de entretenimento há dois anos cobrindo reality shows, famosos, televisão e novelas, com passagem por outros portais. No Área VIP, trago as notícias mais quentes da TV e das celebridades.
Jéssica Senra, Érika Hilton e Ratinho (Reprodução: TV Globo/Instagram/SBT)

Nesta quinta-feira, 12 de março, Jéssica Senra, ex-âncora do ‘Bahia Meio Dia’ (Rede Bahia) e que apresentou uma edição do Jornal Nacional no especial de 50 anos do telejornal, saiu em defesa da deputada Erika Hilton (PSOL), que foi alvo de ataques por parte do apresentador Ratinho, ao vivo no SBT, após ser indicada à presidência da Comissão da Mulher na Câmara de Deputados.

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“Se  deputada Érika Hilton não sabe o que é ter útero, nunca sofreu com cólicas menstruais, ela sabe exatamente, como as mulheres cis, o que é ser vista como uma pessoa de segunda categoria. Ela e outras mulheres trans sabem, como sabem as mulheres cis, o que é ser objetificada sexualmente. Ela e outras mulheres trans conhecem, como nós mulheres cis, os impedimentos são colocados para que a gente acesso certos espaços de poder. Ela e outras mulheres trans também sofrem violências apenas por serem mulheres. Sua experiência humana e social. Sua experiência humana e social também se assemelha a minha. Érica Hilton sabe, muito mais do que qualquer homem, o que é ser uma mulher. Ela sabe, como qualquer outra mulher, o que é receber olhares de lascívia, de censura, comentários pejorativos, piadas sexistas. E o que ela eventualmente não sabe, se nota que ela estuda, que ela conversa com outras. É muito claro o preparo que essa mulher tem para debater temas, questões sociais relevantes. Ser mulher não é categoria biológica, é categoria social, política”, iniciou Jéssica, em um vídeo no Instagram.

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“E, se a Comissão dos Direitos da Mulher está ali para discutir questões sociais e políticas da mulher, como os nossos direitos, nossas necessidades, eu penso que a deputada Érika Hilton é plenamente capaz de presidi-la porque entende, porque vivência experiências de ser mulher. Não falo por todas as mulheres, mas digo que Érika Hilton me representa sim, tenho certeza de que vai defender meus direitos e de todas as mulheres, com muita garra, com muito mais competência do que mulheres cis, de correntes conservadores, que defendem papeis sociais tradicionais e retrógados”, completou Jéssica.

Leia a declaração de Jéssica Senra na integra:

“Em primeiro lugar, preciso dizer que a minha opinião é só minha, eu não falo por todas as mulheres. É legítimo que mulheres se sintam ou que não se sintam representadas pela deputada. O que significa representar? Sentir que alguém nos representa significa que essa pessoa, de alguma maneira, nos simboliza, nos defende. Age como agiremos ou agiríamos ou que a age a favor de nós. Eu já ouvi de muitas mulheres essa expressão”, iniciou Jéssica Senra.

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“Isso quer dizer que elas se identificam comigo, que pensam parecido a mim ou que, de alguma maneira, se sentem defendidas quando falo. Tem muito mais a ver com compatibilidade intelectual, de opinião ou de comportamento, do que simplesmente relação com meu corpo físico, com minha sexualidade. Mulheres pretas, gordas, lésbicas, deficientes, já me disseram: “Você me representa’”, disse a jornalista.

“Elas não estavam dizendo que se identificam com meu corpo, mas com minhas ideias, com meus comportamentos. Da mesma maneira, eu não me sinto representada por qualquer mulher. Tem mulheres brancas, cis – que quer dizer que elas se identificam com o sexo de nascimento,  e que não me representam em absoluto, especialmente aquelas que não o mínimo de consciência de sua condição de mulher e que atuam, inclusive, contra nós mesmas. Mesmo tendo nascido com vagina, útero, mesmo tendo a minha cor, mesmo biologicamente semelhantes não me representam”, afirmou a comunicadora.

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Em seguida, Jéssica fez menção ao vídeo de Ratinho: “Eu quero falar mesmo é do conceito de mulher, que tem sido questionado, se Érika Hilton é uma mulher, já que como ouvi em um vídeo bem estúpido, ela não nasceu com um cromossomos XX, que biologicamente ela não é do sexo feminino, óbvio, mas ela é uma mulher trans”, expressou.

“Mas o que isso significa é que dentro do próprio feminismo, há discussões sobre o conceito de gênero e esse conceito tem evoluído. No passado, para algumas correntes feministas, como o feminismo radical, se entende que mulheres e fêmeas são a mesma coisa, pois não são.  Porque o sexo é uma categoria biológica, mas gênero, ou seja, ser mulher, é uma construção social”, declarou Jéssica.

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Senra prosseguiu: “Como assim? Lá atrás, uma socióloga disse: “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Porque ser mulher tem a ver com uma construção social. O patriarcado dividiu as pessoas em dois grupos: homens e mulheres. A partir de um dado biológico, macho ou fêmea, foram atribuídas características atribuídas para cada grupo, tornando-os homens e mulheres. Homens teriam certas características, certos comportamentos, certos papéis sociais e mulheres teriam outros”.

“Então, os homens seriam todos corajosos, assertivos, objetivos, independentes, racionais, lógicos. Enquanto as mulheres seriam frágeis, sensíveis, emocionais, dependentes, intuitivas. Homens deveriam manifestar sua masculinidade, através de mecanismos como violência, virilidade, poder, controle. Já as mulheres exerceriam a feminilidade através de doçura, carinho e empatia, sorrisos,  e superveniência. No que diz respeito aos papéis sociais, homens teriam os papéis públicos, que seriam os que governam o mundo, as empresas, aqueles que realizam, que em casa são provedores. As mulheres seriam aquelas que se restringem ao âmbito doméstico, que reproduzem, amamentam, que cuidam do marido, dos filhos, da casa e que obedecem ao marido”, comentou ela.

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“Socialmente, homens seriam sujeitos, mulheres seriam pessoas de segunda categoria. Por muito tempo, não podiam votar e nem ser votadas, não podiam ter conta em banco, gerir seus próprios bens, assinar documentos… Enfim. Ser mulher e ser homem, não são definidos pela natureza de cada um, pela biologia de cada um. Não é porque eu nasci com vagina que eu não tenho força, coragem, que eu não posso liderar, que eu não posso ocupar espaços de poder. O patriarcado é que disse isso. A gente está aí há muitos anos lutando contra esses papeis definidos que nos aprisionam”, frisou.

“Algumas coisas já mudaram outras não, mas o ponto aqui é uma definição social: de característica, comportamento, de papéis sociais, também de características físicas: cabelo comprido para mulheres, cabelo curto para homens. Mulheres usam maquiagem, mulheres fazem unha, homens não. Mulheres usam saia e homens usam cueca. Mulheres usam rosa e homens usam azul. Ela deixou um questionamento ao público: “Percebem que ser homem e ser mulher que, inclusive, muda de sociedade para sociedade tem com construção social e não necessariamente com a biologia?”, indagou a jornalista.

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“Então, sigamos porque ainda tem o ponto crucial, que eu acredito, que realmente nos une como mulheres, que são as nossas vivências. Por que? Essas definições de papel provocam muitas consequências como: impedimento de acesso de mulheres a certo espaços públicos, como os espaços de poder, de liderança, por causa dessas definições mulheres são subestimadas, objetificadas, violentadas por sua condição de gênero, simplesmente porque são mulheres, porque querem nos aprisionar em lugares que não queremos ou porque nos obrigam a obedecer quando nós queremos e merecemos autonomia. Então, é mais do que a biologia, para mim o que nos conecta como mulheres são as experiências sociais comuns que nós enfrentamos”, frisou Jéssica.

“Então, se a deputada Érika Hilton não sabe o que é ter útero, nunca sofreu com cólicas menstruais, el sabe exatamente, como as mulheres cis, o que é ser vista como uma pessoa de segunda categoria. Ela e outras mulheres trans sabem, como sabem as mulheres cis, o que é ser objetificada sexualmente. Ela e outras mulheres trans conhecem, como nós mulheres cis, os impedimentos são colocados para que a gente acesso certos espaços de poder. Ela e outras mulheres trans também sofrem violências apenas por serem mulheres. Sua experiência humana e social. Sua experiência humana e social também se assemelha a minha. Érika Hilton sabe, muito mais do que qualquer homem, o que é ser uma mulher. Ela sabe, como qualquer outra mulher, o que é receber olhares de lascívia, de censura, comentários pejorativos, piadas sexistas. E o que ela eventualmente não sabe, se nota que ela estuda, que ela conversa com outras. É muito claro o preparo que essa mulher tem para debater temas, questões sociais relevantes. Ser mulher não é categoria biológica, é categoria social, política”.

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“E, se a Comissão dos Direitos da Mulher está ali para discutir questões sociais e políticas da mulher, como os nossos direitos, nossas necessidades, eu penso que a deputada Érika Hilton é plenamente capaz de presidi-la porque entende, porque vivência experiências de ser mulher. Não falo por todas as mulheres, mas digo que Érika Hilton me representa sim, tenho certeza de que vai defender meus direitos e de todas as mulheres, com muita garra, com muito mais competência do que mulheres cis, de correntes conservadores, que defendem papeis sociais tradicionais e retrógados”, finalizou Jéssica Senra.

Confira o vídeo na íntegra:

SINCERA! CHRIS FLORES DÁ ULTIMATO SOBRE CÉSAR TRALLI APÓS TICIANE PINHEIRO FAZER O ‘QUADRADINHO DE 8’ NO DOMINGÃO

A jornalista Chris Flores deu seu ultimato [palavra final] sobre o César Tralli, âncora do maior telejornal do país (Jornal Nacional), sobre o fato da apresentadora Ticiane Pinheiro ter dançado o ‘Quadradinho de Oito’, funk hit do Bonde das Maravilhas, no ‘Domingão Com Huck’ (TV Globo). Em seu discurso, a contratada da Band fez uma reflexão sobre o trabalho dele, casamento, citou a personalidade da estrela brasileira (LEIA MAIS E ENTENDA!).

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Jornalista formado pela UNISUAM (Centro Universitário Augusto Motta) desde 2020. Apaixonado pelo mundo televisivo e tecnológico, atuo na área de entretenimento há dois anos cobrindo reality shows, famosos, televisão e novelas, com passagem por outros portais. No Área VIP, trago as notícias mais quentes da TV e das celebridades.
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