Análise: A Internet e o território fértil para a naturalização da violência

Vídeos virais reforçam estatísticas de violência contra as mulheres

Lívia Cout
Lívia Cout
Lívia Coutinho é formada em Psicologia, mas começou sua trajetória como redatora em Maricá/RJ há mais de seis anos. Ela produz conteúdos para os nichos de política, entretenimento e celebridades. Além do Área Vip, ela também já trabalhou no Portal R7, Jetss e Paipee Brasil.
Trend treinando caso ela diga não
Trend treinando caso ela diga não. (Fotos: Reprodução/TikTok/Montagem Área VIP)

No contexto de feminicídios e agressões diárias, uma nova “trend” viralizou nas redes sociais: homens encenando agressividade caso suas parceiras negassem um pedido de casamento. A mensagem transmitida é clara e cruel: ou a mulher aceita, ou ela apanha e morre.

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Ou seja, por trás dessa “brincadeira”, há a reafirmação de que o corpo e a vontade das mulheres não têm valor. Em pleno 2026, no mês dedicado às mulheres, é alarmante perceber que a violência se transforma em entretenimento.

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Vídeos virais incentivam comportamentos agressivos contra mulheres

A “trend” conhecida como “treinando caso ela diga não” não é apenas uma piada de mau gosto; ela expõe, de forma explícita, fantasias de agressão presentes dentro de muitos homens. Além disso, esses vídeos revelam o quanto a sociedade ainda compra a ideia de que o “não” de uma mulher seja provocação ou desafio.

Portanto, não é exagero dizer que esse tipo de publicação é um conteúdo que ensina, normaliza e estimula a violência de gênero e o feminicídio.

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Autoridades ainda não agem contra a banalização de agressões online, mas precisam

Inclusive, o problema ultrapassa o âmbito individual. Grupos formados, majoritariamente, por homens reproduzem crenças e ideologias que sustentam a narrativa de que eles devem controlar os relacionamentos.

Essa lógica transforma rapazes em agressores e mulheres em vítimas. É fato que esse episódio exige ação imediata de plataformas digitais e das autoridades. Afinal, a banalização da violência online atua como preparação social para agressões no mundo real.

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Feminicídio no Brasil: uma mulher é assassinada a cada 6 horas

Dados recentes mostram que homens assassinam, em média, uma mulher a cada seis horas no Brasil por razões relacionadas ao gênero. Isso se traduz em, aproximadamente, quatro mulheres mortas por dia apenas no país.

Pesquisas anteriores também apontam estimativas semelhantes, reforçando a gravidade do problema e a necessidade de políticas contínuas de prevenção e proteção. Por isso, cada meme, cada vídeo e “brincadeira” reforça essa estatística.

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Lei e fiscalização são essenciais para conter o ódio online

Transformar agressão em entretenimento é um incentivo à repetição e à impunidade. A normalização de ataques contra mulheres nas redes cria um ecossistema permissivo, que se manifesta em violência física e psicológica fora das telas.

É urgente responsabilizar quem cria, compartilha e consome esse tipo de conteúdo. Denunciar e aplicar penalizações não pode ser opcional. Leis e fiscalização precisam garantir que a internet não continue sendo um terreno fértil para o ódio e a agressão.

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**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores

Lívia Cout
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Lívia Coutinho é formada em Psicologia, mas começou sua trajetória como redatora em Maricá/RJ há mais de seis anos. Ela produz conteúdos para os nichos de política, entretenimento e celebridades. Além do Área Vip, ela também já trabalhou no Portal R7, Jetss e Paipee Brasil.
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