
Esta é uma história comovente e representativa de uma realidade que atinge milhares de famílias no Brasil: o crescimento explosivo das apostas esportivas online e seus efeitos devastadores na saúde mental e na vida financeira de pessoas jovens. Rafael Borges Amaral foi uma das vítimas das bets aos 26 anos.
O filho alegre, sociável e cheio de planos que Vânia de Souza Borges conhecia foi mudando aos poucos. Primeiro vieram as apostas online. Depois, o isolamento, as dificuldades financeiras e comportamento depressivo. As informações são do portal g1.
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Dois anos após perder o filho, a professora de Uberlândia transformou o luto em uma batalha pessoal contra as empresas de apostas e os influenciadores que promovem esse tipo de conteúdo. Para ela, a publicidade massiva das plataformas ajudou a alimentar a dependência que mudou a vida do filho.
Para a professora aquelas propagandas deixaram de ser simples anúncios e passaram a representar um retrato da dependência que consumiu o filho. “Depois que o Rafael morreu, todos os dias chegavam dezenas de propagandas de apostas no celular e no e-mail dele. Foi muito triste perceber que ele era bombardeado o tempo todo por esse tipo de conteúdo”, disse.
A morte do jovem voltou a ganhar repercussão após uma reportagem da Agência Pública revelar uma carta de Vânia encontrada em meio aos milhares de documentos da CPI das Bets. O relato em que a mãe denunciava que o vício em apostas levou à morte do filho foi arquivado pelo Senado junto ao relatório final da comissão. O parecer da senadora Soraya Thronicke, que sugeria o indiciamento de influenciadores e empresários ligados a bets, foi rejeitado por 4 votos a 3.
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O g1 teve acesso ao documento apresentado pela família, conversou com Vânia e apurou os desdobramentos do caso, que agora motivou um novo pedido de investigação sobre possíveis abusos praticados pelo mercado de apostas. A deputada federal Dandara (PT-MG) protocolou representação no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No pedido, a parlamentar solicita que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor investiguem possíveis práticas de publicidade enganosa, estratégias digitais predatórias e falhas na proteção ao consumidor envolvendo plataformas de apostas.
Vânia conta que o filho dizia estar guardando dinheiro para abrir um lava a jato, mas acredita que o valor também foi perdido para as apostas. Pouco antes de morrer, Rafael havia enviado um áudio a um amigo dizendo que já não conseguia controlar o vício em apostas online, além de relatar as recorrentes perdas financeiras. “Depois descobri que, naquela madrugada, ele fez transferências para plataformas de apostas. Foi quando concluí que provavelmente perdeu tudo o que tinha conseguido economizar”, contou.
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