Família de Eliza Samúdio faz pedido após goleiro Bruno ficar foragido: “pedimos, ainda…”

O ex goleiro foi condenado por um homicídio

Flavia Manta
Flavia Manta
Estudante de Rádio e TV pela Universidade Anhembi Morumbi, desde 2025. Apaixonada pelo mundo das notícias e fofocas, trazendo a comunicação como forma de redação.
Sônia Fátima Moura/Goleiro Bruno (Fonte: Redes Sociais)
Sônia Fátima Moura/Goleiro Bruno (Fonte: Redes Sociais)

Nesta terça-feira, 17, foi divulgado um contundente pedido de Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, e de Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, envolvendo o ex-goleiro Bruno.

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Condenado pelo homicídio de Eliza, Bruno é atualmente considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro. O mandado de prisão foi expedido após o ex-atleta descumprir as condições da liberdade condicional e não se apresentar para o retorno ao regime semiaberto, após a revogação do seu benefício. Diante do sumiço, o Disque Denúncia divulgou um comunicado oficial solicitando informações sobre o seu paradeiro.

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Em resposta à impunidade, Sônia e Maria do Carmo enviaram uma Carta Aberta ao G1 e às autoridades brasileiras, clamando por justiça e denunciando as falhas do sistema penal. No documento, elas destacam que Bruno viajou para diversos estados como Acre, Espírito Santo e Minas Gerais sem autorização judicial, chegando a participar de partidas de futebol e eventos públicos enquanto deveria estar sob monitoramento.

CONFIRA:

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CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES
Excelentíssimas Autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,

À sociedade brasileira,
À imprensa
Nós, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de seu filho Bruninho, dirigimos -nos a Vossas Excelências e ao povo brasileiro com o coração pesaroso, mas ainda firme na luta por justiça.
Escrevemos esta carta em um momento em que a dor, a angústia e a indignação parecem ter se naturalizado em nossas vidas.
Escrevemos porque o silêncio não é uma opção. Escrevemos porque o sistema judiciário, que deveria proteger e garantir o cumprimento das leis, tem falhado reiteradamente conosco — e, por extensão, com toda a sociedade.
O CASO
Bruno Fernandes, condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver contra Eliza Samudio, encontra-se foragido. Apesar de decisão judicial que determinou sua prisão, ele segue em liberdade — uma liberdade que, como provam os fatos, nunca lhe foi totalmente cerceada.
Desde 2023, Bruno não era localizado para assinar o Termo de Compromisso do Livramento Condicional. A Vara de Execução Penal levou três anos para tomar qualquer providência.
Enquanto isso, além de ir assistir ao jogo no Maracanã a noite como se livre fosse, ele viajava livremente: para o Espírito Santo (01), para Minas Gerais (08) e para o Acre (01) — sempre com a complacência de um sistema que parece incapaz de monitorar quem deveria estar sob regime semiaberto.

O DEBOCHE À JUSTIÇA
No dia 15 de fevereiro de 2026, apenas cinco dias após oficializar sua progressão de regime, Bruno viajou sem autorização judicial para o estado do Acre, onde participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC, no  Campeonato Brasileiro. Acompanhada e divulgada nas redes sociais não apenas pela indignação da contratação do Goleiro Bruno, mas também pela afronta de uma homenagem a jogadores presos sob suspeita de estupro coletivo.
A cena é estarrecedora: enquanto um feminicida condenado desfila impune, a mãe de sua vítima nunca pôde enterrar a filha, e o filho órfão nunca teve acesso aos restos mortais da própria mãe.
A AFRONTA ÀS VÍTIMAS
Enquanto Bruno desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição de apenado, nós, familiares de Eliza, somos sistematicamente atacados. Somos cobrados, silenciados, invisibilizados. Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo, à dor sem reparação, à ausência sem justiça.
Bruno recusou-se por duas vezes a realizar exame de DNA, negando a paternidade por anos. Pagou pensão apenas uma vez, – 2 anos acumulados — o suficiente para evitar a prisão. Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho. E, ainda assim, o Estado não o notificou? Não o localizou? Não agiu? Como um apenado não é encontrado pela justiça se é obrigado ter seu endereço atualizado?

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A PERGUNTA QUE NÃO SE CALA
Quantas mulheres precisarão morrer ou serem espancadas, mutiladas para que o sistema judiciário leve a sério o cumprimento das penas de criminosos e feminicidas?
Quantas famílias precisarão clamar por justiça para que a Vara de Execução Penal cumpra seu papel com eficiência, eficácia e efetividade?
Quantos Brunos Fernandes precisarão rir da lei, em praça pública, para que o Judiciário reaja com a devida gravidade?
NOSSO PEDIDO
Não pedimos vingança. Pedimos justiça. Pedimos o cumprimento integral da lei. Pedimos que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas realizadas por Bruno Fernandes nos últimos anos. Pedimos que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal. Pedimos que o Poder Judiciário e a Vara de Execução Penal garanta que a pena imposta seja, de fato, cumprida.
Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada.
NOSSO COMPROMISSO
Seguiremos firmes. Seguiremos denunciando. Seguiremos ocupando o lugar que nos foi negado: o de vítimas que exigem respeito, que exigem justiça, que exigem memória.

Não nos calaremos. Não desistiremos. E enquanto houver fôlego, lutaremos para que o nome de Eliza Samudio não seja apenas lembrado como mais uma vítima, mas como símbolo da luta por um país onde feminicidas não sejam tratados como celebridades.
Atenciosamente,
Sônia Fátima Moura
Mãe de Eliza Samudio, Ativista de Direitos Humanos
Maria do Carmo dos Santos
Madrinha de Bruninho, Ativista de Direitos Humanos e Presidente do Vítimas Unidas
Brasil, 16 de março de 2026″.

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Flavia Manta
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