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Análise: O PSG possível e a oportunidade que o Flamengo não aproveitou

Derrota que pesa menos pelo adversário e mais pelo contexto

Joaquim Mamede
Joaquim Mamede
Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.
Foto: Reprodução
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Não foi o Paris Saint-Germain dos pôsteres, das noites históricas da Champions ou da coleção de estrelas em plena forma — e é justamente por isso que a derrota do Flamengo pesa mais do que deveria. O adversário era grande no nome, mas circunstancialmente acessível no jogo. E quando a oportunidade aparece nesse nível, desperdiçá-la diz tanto quanto ser atropelado.

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O PSG entrou em campo desfalcado, com rotações evidentes e longe da intensidade que costuma transformar partidas em exercícios de sobrevivência para rivais sul-americanos. Ainda assim, o Flamengo oscilou entre bons momentos de controle e erros primários de leitura defensiva. Houve organização em certos trechos, mas também houve concessões que um jogo desse tamanho não permite — especialmente quando o contexto oferece margem para ousar mais.

A brecha apareceu cedo. O gol francês nasce de uma transição relativamente simples, facilitada por um erro de abordagem defensiva e por uma intervenção insegura de Rossi. Não foi um lance genial do PSG; foi um lance permitido. Esse detalhe muda tudo na análise: o Flamengo não foi vencido por superioridade técnica absoluta, mas por falhas próprias em momentos decisivos.

Ofensivamente, o time até encontrou caminhos. Chegou ao empate em pênalti, insistiu em algumas recuperações altas e levou o jogo para um território competitivo. Mas competitividade, em finais, não basta. Faltou agressividade real no último terço, faltou transformar volume em desconforto contínuo para um adversário que claramente não estava em seu auge físico nem emocional.

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E então veio o capítulo mais cruel — e mais simbólico: os pênaltis. Ali, a derrota deixou de ser circunstancial e passou a ser escolha. Cobranças mal executadas, decisões apressadas e nenhuma sensação de controle. Quando o jogo chega nesse ponto, não se fala mais de merecimento, mas de preparo. E o Flamengo falhou.

A comparação com o Botafogo escancara o contraste. Meses atrás, o time alvinegro enfrentou um PSG mais inteiro, mais intenso e mais próximo de sua força máxima — e venceu. Não porque tinha mais elenco ou talentos individuais, mas porque foi cirúrgico, disciplinado e emocionalmente estável. Enquanto um enxergou a ocasião histórica, o outro pareceu respeitar demais o crachá do adversário.

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No fim, fica a sensação de que o Flamengo não perdeu para o PSG em si, mas para a própria incapacidade de entender o tamanho da chance que tinha nas mãos. O PSG era possível. O jogo era possível. O título, também. E perder quando tudo conspira para o “quase” costuma doer mais do que perder quando não havia escolha.

**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores

 

Joaquim Mamede
Joaquim Mamede
Professor, pesquisador e redator. Formado em Letras pela UFRJ, Mestre e, atualmente, doutorando em Literatura Portuguesa, uno a paixão pela escrita ao prazer da redação aqui no Área Vip. Gosto de escrever sobre Música, Artes e Cultura Pop.
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