
Nesta segunda-feira (12) uma análise técnica elaborada pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou a veiculação de notícias falsas específicas no canal de WhastApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
O pedido da análise foi feito pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. No período examinado, entre os dias 2 e 11 de outubro, a equipe técnica do TSE analisou as mensagens públicas do canal e não encontrou reproduções das afirmações investigadas nos autos, as quais envolviam supostos cortes de benefícios sociais, alteração de aposentadorias ou temas religiosos.
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Porém, a assessoria técnica do TSE vê riscos no canal e aponta “evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais”.
A investigação ressaltou uma escalada na audiência do canal no WhatsApp. A base de seguidores saltou de aproximadamente 55 mil, em 5 de outubro, para 3,3 milhões de inscritos no dia 11 de outubro, uma expansão de cerca de 60 vezes em apenas seis dias. Segundo os registros do relatório, mensagens contendo textos de convocação chegaram a alcançar 344 mil encaminhamentos na plataforma.
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De acordo com o parecer, a comunidade operava sob comando centralizado e sincronizado, emitindo orientações diárias em tom de “missão” para os participantes. Entre as práticas documentadas pela assessoria técnica estão: Engajamento prévio sem visualização: orientação expressa para que os seguidores curtissem, comentassem e compartilhassem vídeos no Instagram “antes mesmo de assistir”, com o objetivo declarado de “sinalizar pro algoritmo que o conteúdo é relevante”; Ações coordenadas de hashtags: convocação com horário marcado para alavancar termos no X (antigo Twitter), a exemplo da hashtag #LULANAPAULISTA, que atingiu o topo das tendências exibidas no canal logo após o disparo da orientação; Linguagem militarizada: Emprego frequente de caixa-alta, pontos de exclamação e vocabulário bélico (“soldados”, “missões”, “exército”, “sangue nos olhos”), construindo uma narrativa de oposição direta (“nós” contra “eles”) no contexto eleitoral.
Pedido de Nunes Marques
A análise ocorreu após determinação do ministro Kassio Nunes Marques para pede que a assessoria informasse “se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”.
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