
O Palácio do Planalto vive dias de tensão. Pesquisas internas e os números da mais recente pesquisa Genial/Quaest acenderam um sinal de alarme no primeiro escalão do governo Lula.
O levantamento mostra um fenômeno considerado improvável até pouco tempo: a ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como uma ameaça real à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Governo Lula admite perda dos pobres e aposta em programas sociais para reverter cenário
O que mais preocupa a cúpula petista é o mapa eleitoral que está se desenhando. Quase unanimidade entre os mais pobres e no Nordeste, Lula agora vê esse eleitorado tradicional demonstrar insatisfação.
A distância para o adversário, que era confortável, encolheu de forma abrupta. Em agosto do ano passado, a diferença entre os dois era de 16 pontos percentuais. Em dezembro, caiu para 10 pontos e, na pesquisa mais recente, a vantagem do atual presidente diminuiu para apenas 5 pontos.
Nos corredores do poder, o diagnóstico é de que o governo perdeu a conexão com a base que o elegeu. Diante desse cenário de erosão da popularidade, a estratégia de sobrevivência política passa a ser a injeção de ânimo na economia via medidas populares. O governo aposta em medidas como o fim da escala 6×1 e a ampliação da isenção do IR (imposto de renda) para reverter essa tendência.
A avaliação é que o trabalhador precisa sentir a diferença no bolso e na rotina antes de ir às urnas. O fim da escala 6×1 beneficiaria diretamente os trabalhadores, enquanto a ampliação da isenção do IR permitiria que mais brasileiros guardassem esse dinheiro para atividades de lazer ou necessidades domésticas.
Apesar do discurso de que a segurança pública tem apresentado melhora nos índices de percepção, os dados mostram que a rejeição ao atual mandatário só faz crescer.
Enquanto isso, do outro lado da disputa, o fenômeno da transferência de votos se consolida: Jair Bolsonaro (PL) tem conseguido transferir seus votos para seu filho Flávio, possivelmente pelo sobrenome compartilhado. O “herdeiro político” se beneficia diretamente da memória do pai, consolidando uma vantagem que parecia improvável no início do governo Lula.
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