Para falar da nova trama das 18h da Globo, Paraíso, com a palavra o próprio Benedito, que assinou a produção exibida em 1982: "O texto traz enfoques políticos, aborda a questão agrária, alerta sobre o desmatamento e mostra a chegada do progresso à pequena cidade de Paraíso". Todas essas histórias serão entremeadas por romances, quermesses, fofocas, e muitos, muitos "causos’ contados ao pé da fogueira.

‘Paraíso’ vem contando a história de um amor impossível: da santinha pelo filho do diabo.

O filho do diabo e a santa

Numa feira do sertão baiano, Eleutério (quando jovem vivido pelo ator Marcelo Faria) cismou em comprar uma estranha relíquia: um diabinho postado dentro de uma garrafa, que manteve escondido, não obstante os protestos – das empregadas, dos colonos e de Nena, sua mulher.

Quando, porém, sua esposa faleceu depois do parto do primeiro filho do casal, não demorou para o povo culpar o tal diabinho pelo ocorrido. E, pior que isso, atribuir a ele a paternidade do recém-nascido.

O tempo passou, o menino cresceu, e a história se perpetuou. O belo e inquieto José Eleutério (Eriberto Leão), conhecido como Zeca, ganhou e fez jus à fama que trazia desde o berço. Onde quer que chegasse, era tido como o filho do diabo. Corajoso, criado solto por essas estradas, Zeca foi colecionando histórias ao longo de suas caminhadas, alimentando a crendice do povo e fazendo a história do diabo virar lenda.

Com espírito aventureiro, enquanto seguia com sua comitiva pelas estradas pantaneiras, desafiava a morte montando touros bravos, domando burros chucros. Por onde quer que passasse, deixava marcada sua história e os corações das mocinhas a suspirar.

Zeca (Eriberto Leão) foi para o Rio de Janeiro e lá ficou, por oito anos, estudando. Voltou à fazenda do pai, nas cercanias da cidade de Paraíso, formado em Direito e em Agronomia. E ganhou o codinome de "peão dotô". Pouco interessado nos títulos, o que ele queria mesmo era seguir pelas estradas montado em seu cavalo. Com os diplomas pendurados na parede, partiu em comitiva, sem imaginar a surpresa que o aguardava, arrebatando seu coração pra sempre.

Na volta para casa, Zeca (Eriberto Leão) e o amigo Terêncio (Alexandre Nero) corriam em suas montarias pela estrada de chão que levava à fazenda de Eleutério (Reginaldo Faria). Na direção contrária, a charrete da santinha. E o encontro. O cavalo do peão doutor empinando. O cavalo da charrete também. Os olhares cruzando. O seu, com o olhar da doce Maria Rita (Nathalia Dill). Bastou isso pra que nascesse ali uma linda e conturbada história de amor.

Ao contrário de Zeca (Eriberto Leão), criado solto no mundo, Maria Rita (Nathalia Dill) passou parte de sua vida num colégio de freiras. Por isso, nunca teve muitas histórias para contar, exceto a que lhe acompanha desde menina, a de que é santa. A mãe beata a criou na igreja assistindo a missas e ouvindo rezas. Não bastasse isso, prometeu que a filha viraria freira e passou a vida alimentando versões sobre sua santidade. O pai, o fazendeiro Antero (Mauro Mendonça), nunca teve forças para lutar contra as histórias inventadas pela mulher. No dia da ordenação da filha, comemorou quando a madre superiora confirmou o que ele já sabia: Maria Rita  não tinha vocação para o celibato. Mariana (Cassia Kiss) se desesperou, chorou copiosamente e se revoltou com a escolha da jovem, que finalmente voltou para casa. Na verdade, isso era coisa do destino. Maria Rita só entendeu isso quando seus olhos se cruzaram com os do filho do diabo.

Eleutério Ferrabraz

O pecuarista Eleutério (Reginaldo Faria) é um homem bem sucedido e um grande contador de histórias. Por causa do amuleto que cisma em manter em casa, marcou o destino de seu filho Zeca (Eriberto Leão), que recebeu ao nascer a alcunha de "filho do diabo".

Nascido no sertão da Bahia, Eleutério (Reginaldo Faria) teve que amadurecer rápido, pois perdeu o pai aos oito anos e assumiu o sustento da família. Quando a mãe morreu, se viu sem rumo e acabou se estabelecendo em Santo Antônio das Almas, onde plantou alguns pés de cacau. Enquanto a primeira colheita não vinha, investiu em um bar na beira da estrada, que vendia de tudo um pouco. Era atrás do balcão que encantava os clientes com suas incríveis fábulas. No bar, colocou a imagem de Santo Antônio, de quem sempre foi devoto. A partir daí, o comércio prosperou e a história de que tudo se devia ao santo também. E foi um tal de entra e sai para levar flores, acender velas, fazer pedidos e, claro, muitas preces para arrumar marido.

Quando Nena (Luli Muller) apareceu para pedir ajuda ao santo casamenteiro, encontrou seu amor logo atrás do balcão. O pai da bela era uma fera e Eleutério precisou de muita lábia para amansá-lo e se casar com a jovem. Santo danado de bom! Tanto que um coronel da região decidiu levá-lo para sua fazenda a todo custo. Conseguiu, mas toda noite a imagem dava um jeito de voltar para o bar. Até o mistério ser desvendado, as histórias de Eleutério (quando jovem vivido por Marcelo Faria) só fizeram aumentar. Como se não bastasse, ele ainda foi arrumar o tal do diabinho na garrafa.

Quando chegou com o novo amuleto em casa, Nena (Luli Muller) não gostou nada do objeto. Mas, por essas coincidências da vida, foi só depois da chegada do diabinho na garrafa que ela conseguiu engravidar. Assim o "coisa ruim" acabou levando a fama de pai da criança. Zefa (Soraya Ravenle), empregada da família, foi incumbida do parto e viu chegar ao mundo um lindo menino com olhos claros e partir sua jovem patroa que não sobreviveu a uma forte hemorragia.

O viúvo perdeu o gosto pela vida e Zefa (Soraya Ravenle) teve que assumir a criação do menino com seu marido Mané Corrupio (Duda Ribeiro), um fiel empregado do fazendeiro. Quando Mané morreu atingido por um tiro que deveria acertá-lo, Eleutério se desfez de tudo, arrumou a mudança e partiu para a cidade de Paraíso com o filho, com Zefa (Soraya Ravenle) e com a filha dela, Rosinha (Vanessa Giácomo). Levou com ele também o diabinho engarrafado.

José Eleutério (Eriberto Leão) e Rosinha (Vanessa Giácomo) foram criados como irmãos. Mas ela não gosta nada dessa história, pois morre de amores e sonha em se casar com ele. Na fazenda onde moram, trabalham Antônia (Aisha Jambo), que é confidente de Rosinha (Vanessa Giácomo), e Tobi (Alexandre Rodrigues), um empregado intrometido que deseja ser peão e que traz sempre notícias quentes da cidade. É ele também quem leva o que se passa na fazenda para o bar de Bertoni (Kadu Moliterno). Nessas andanças, aproveita para ver Das Dores (Lidi Lisboa), cozinheira da única pensão de Paraíso, por quem suspira de paixão.

A comitiva do peão doutor

As andanças do filho do diabo e a história de Terêncio (Alexandre Nero), que ama Rosinha (Vanessa Giácomo), que ama Zeca(Eriberto Leão), que ama Maria Rita (Nathalia Dill). Uma grande confusão. Melhor Zé Camilo (Daniel) embalar esse "causo" com uma modinha de viola.

Enquanto atravessam as trilhas pantaneiras tocando o gado, nada melhor do que uma boa prosa para passar o tempo. Quando a noite cai, o falatório dá lugar à música. Na estrada, Zeca (Eriberto Leão) tem a companhia de Zé Camilo (Daniel), que se encarrega da viola e da cantoria ao lado de Tiago (Rodrigo Sater) e Juvenal (Yassir Chediak). Com eles está também Terêncio (Alexandre Nero), o melhor amigo do peão doutor.

Zeca (Eriberto Leão) e Terêncio (Alexandre Nero) se conheceram num rodeio e planejaram montar uma comitiva assim que Zeca terminasse a faculdade. Dito e feito. Mas para Terêncio (Alexandre Nero), que nunca teve moleza da vida, o grande desafio é conquistar o amor de Rosinha (Vanessa Giácomo). O problema é que a moça é apaixonada pelo irmão de criação e a aproximação do peão enamorado a deixa mais irritada do que encantada.

Antero Godói, o pai da santa

Antero Godói (Mauro Mendonça) é um homem honesto, que casou jovem, por uma união arranjada entre as famílias, conforme o costume da época. A noiva, Mariana (Cassia Kiss), era doce e também uma beata de carteirinha. Devota de Santa Rita, queria uma vida religiosa e, se pudesse escolher, nunca teria se casado. Foi para a cerimônia como se estivesse indo para o inferno. O pobre noivo só descobriu isso na lua-de-mel e é difícil explicar como nasceu a filha única do casal, Maria Rita (quando menina interpretada por Mariana Mamoré), uma das poucas alegrias de Antero.

Mariana (Cassia Kiss) reservou para a filha o destino que gostaria de ter tido e se empenhou em transformar Maria Rita em freira. Para assegurar o destino que traçou para a menina, desde cedo a fez passar grande parte do tempo na igreja, a ponto de a pequena aprender algumas palavras em latim. Daí nasceu a primeira das muitas histórias que a beata divulgou como milagrosas, atribuindo à criança fluência no idioma oficial da religião. Tudo para conferir uma suposta santidade à filha.

O povo não demorou muito para acreditar no que ouvia repetidamente de Mariana (Cassia Kiss) e começou a procurar pela santinha em busca de salvação e de milagres. Antero (Mauro Mendonça), contrário a tudo aquilo, cansou de avisar que um dia uma desgraça aconteceria. E, como havia previsto, um dia uma mãe desesperada invadiu a fazenda com o filho doente e Maria Rita nada pôde fazer. Para seu desespero, o menino morreu em seus braços. O patriarca resolveu então se desfazer de suas posses e partir com a família rumo a Paraíso.

Quando a filha desistiu do convento, a mãe beata passava dia e noite tentando convencê-la a voltar para a vida religiosa. A matriarca passou tanto tempo cuidando da filha que mal lembrava que tinha marido. Quem também percebeu isso foi a empregada Candinha (Cris Vianna), que nutre uma paixão secreta pelo patrão. Mariana(Cassia Kiss) ainda dedicava seu tempo a repetir em casa com repulsa a história do filho do diabo. Tanto falou que a filha começou a fantasiar com o jovem destemido. Até o dia em que se encontraram na estrada e, sem querer, se olharam.

Os caprichos do destino

Assim foi com Zeca (Eriberto Leão) e Maria Rita (Nathalia Dill), que se apaixonaram contrariando as crendices do povo e para desespero de Mariana (Cassia Kiss). Antero (Mauro Mendonça) não se opôs ao romance e tratou de apoiar a filha. Sua ideia era chamar Eleutério (Reginaldo Faria) e o filho para uma conversa. Ah, se Mariana imaginasse!

Antes da tal prosa, Zé Eleutério (Eriberto Leão) foi participar de um rodeio e resolveu desafiar um touro maldito. E foi aí que o destino entrou em ação mudando o rumo dessa história. Pensando só em Maria Rita (Nathalia Dill), o filho do diabo caiu da montaria e, num descuido, acabou pisoteado pelo animal. Um acidente grave, que deixou a plateia incrédula com o tombo de um peão que coleciona vitórias. Terêncio (Alexandre Nero) e Zé Camilo (Daniel) o levaram às pressas ao hospital e lá descobriram os danos sofridos pelo amigo: Zeca sofreu uma fratura na cervical, irreversível, e foi condenado a viver entrevado para sempre em uma cama.

Maria Rita (Nathalia Dill) pôs-se a rezar com toda sua fé aos pés do peão. E prometeu a Santa Rita que entregaria sua vida para servir a Deus, trancada em um convento, se seu grande amor voltasse a andar. Assim Santinha realizou seu primeiro milagre. Zeca se recuperou e ela assinou sua própria condenação: o amor, antes difícil, agora tornara-se impossível.

Nesta segunda-feira, dia 16 estreia na TV Globo a nova novela das 18h, ‘Paraíso’, de Benedito Ruy Barbosa, com adaptação de Edmara Barbosa e colaboração de Edilene Barbosa.



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