Quando se veem à noite, em casa, depois da coincidência do almoço, Marcos não espera nem ao menos que Helena se vista. Ele a encontra de toalha e é assim mesmo que diz o que não disse no almoço por motivos óbvios. Pra ele, o que Helena fez é indesculpável: falar diante de estranhos que vai voltar a trabalhar como modelo, constrangê-lo, deixá-lo sem argumentos.

Mas Helena não está disposta a pedir ou dar desculpas – não por falar o que pensa. Marcos reage, diz que ela leva uma vida paralela que ele desconhece. Sugere até que ela faça outras coisas mais, numa clara alusão a uma possível traição. A relação de fato está por um fio. O clima esquenta, as vozes se alçam ganhando os outros cômodos da casa.

Mesmo jurando fazer tudo para salvar seu casamento, Helena se diz disposta a resolver tudo o mais rapidamente possível. Não quer, nem nunca quis depender de ninguém e pensava que ele até admirasse essa qualidade nela. Mas não. Marcos insiste que não tolera vê-la exposta numa passarela e diz que, desde o início, quis que ela fosse exclusividade sua. Por fim diz que desiste dela. Helena faz uma ressalva: “Desistimos de nós, e não tenho nada a dizer”.

Mas a discussão continua, agora escada abaixo. Marcos grita: “Tenho direito de querer uma esposa só pra mim”. Helena diz que ele não a divide como esposa, mas quer dividi-la como pessoa: “Você quer exclusividade não apenas do meu corpo, mas do meu espírito, da minha alma”. E isso, ela diz, não dá a ninguém. É sua última palavra.

Discreta num canto, sem ser vista, Luciana ouve tudo, chocada.



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