Saiba mais sobre a nova novela da seis da Globo, ‘A Nobreza do Amor’

Confira a sinopse da trama das 18h da TV Globo

Wandreza Fernandes
Wandreza Fernandes
Editora chefe do Portal Área VIP e redatora há mais de 20 anos. Especialista em Famosos, TV, Reality shows e fã de Novelas.
A Nobreza do Amor
A Nobreza do Amor (Globo/ Estevam Avellar)

Uma superprodução que conecta um reino africano a uma pacata cidade do interior do Nordeste do Brasil e propõe uma união intercontinental através do amor, do desejo de justiça e do encontro com a ancestralidade. Em ‘A Nobreza do Amor, uma fábula afro-brasileira dos anos de 1920 que chega ao horário das seis da TV Globo no dia 16 de março, a distância de um oceano não é empecilho para um encontro de almas: Alika (Duda Santos) e Tonho (Ronald Sotto), uma princesa da África e um trabalhador do Brasil, protagonistas dessa história que reúne aventura, romance, humor e grandes emoções.

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Criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr., com direção artística de Gustavo Fernández e produção de Andrea Kelly, a novela se passa em dois universos fictícios, distantes geograficamente, mas com fortes entrelaçamentos que ajudam a revelar a face de um país que tem na África a fonte de uma das suas mais nobres raízes ancestrais. De um lado do oceano, Batanga, ex-colônia portuguesa, reino da costa ocidental da África, marcada por uma disputa de poder central na trama. Do outro, Barro Preto, interior do Rio Grande do Norte, cidade onde litoral e sertão se cruzam, produzindo paisagens singulares de um microcosmo de Brasil, em seus conflitos e diversidade.

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Um golpe de estado em Batanga dá início a essa trama envolvente, que reúne grande elenco e conta com cenas de tirar o fôlego. O ambicioso Jendal, vilão interpretado por Lázaro Ramos, é o responsável por trair e derrubar o rei Cayman II (Welket Bungué), usurpando seu trono, quando vê desmoronar seus planos de ascensão ao poder, que incluíam o casamento arranjado com a princesa Alika (Duda Santos) e o acordo com os ingleses para a exploração do tungstênio no país.

Na tentativa de escapar da tirania de Jendal, a família real foge, mas rei Cayman acaba se ferindo e, antes de morrer, revela à princesa e à rainha Niara (Erika Januza) o lugar para onde elas deveriam ir: o Brasil. É lá onde vive Zambi/José (Bukassa Kabengele), o irmão do rei deposto, que, anos antes, renunciou à coroa para se casar com a brasileira Teresa (Ana Cecília Costa). Além do encontro familiar, Barro Preto, o refúgio do outro lado do oceano, reserva a Alika o despertar do amor, algo inédito também na vida do jovem Tonho (Ronald Sotto).

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Para os autores, ‘A Nobreza do Amor’ é um convite a revisitar a conexão entre Brasil e África através de personagens que entendem a potência de suas próprias identidades. “Essa história vai revisitar essa ligação histórica entre a África e o Nordeste do Brasil, explorando essa intersecção de culturas e realidades que nos constituíram como nação”, afirma Duca Rachid. Elisio Lopes Jr. destaca a importância dessa abordagem: “O ponto de partida da novela é a reconexão histórica entre África e Brasil, através de caminhos que, mesmo marcados por um início traumático para o povo preto, deram origem à formação do país. A trama revisita essas rotas de ida e volta, refletindo sobre identidades e nobrezas arrancadas durante o sistema de escravização e que, muitas vezes, não puderam retornar às suas origens mesmo após a abolição. No meu coração, a novela carrega justamente essa ideia: a possibilidade de reconstruir esse ‘caminho de volta’ e de destacar a realeza que existe em nós, e que nasce de nossa ancestralidade africana. A partir dessa perspectiva, construímos uma fábula que se desenrola tanto no Nordeste quanto na África. São arenas fictícias, uma cidade inventada e um reino criado especialmente para a narrativa, mas ambos profundamente inspirados no caldeirão cultural produzido por séculos de intercâmbio entre esses universos”. Júlio Fischer complementa: “É uma história que se passa em dois continentes, mas o que acontece numa arena reverbera diretamente na outra, e vice-versa. Essa é uma fábula sobre as identificações entre Brasil e África. Sobre nossa herança africana, que diz respeito a nós, brasileiros, como um todo. Independe da cor, da raça e do credo de cada um.

O diretor artístico Gustavo Fernández fala sobre o caráter fabular da obra e seus universos: “Batanga foi concebida com referências reais da estética africana, fruto de pesquisa intensa. Já Barro Preto, situada em uma falésia, tem paisagens únicas que ajudam a construir o universo dessa trama”. As gravações, realizadas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte, contaram com locações em diversos cenários naturais, incluindo dunas, parques naturais e fortalezas históricas. A produtora Andrea Kelly destaca a passagem da equipe pelo estado potiguar: “Buscamos locações que refletissem as semelhanças entre os dois continentes, e encontramos, no Rio Grande do Norte muitos locais com visual parecido com alguns locais da África, o que foi determinante para a escolha da região onde começamos as filmagens”. Entre os cenários escolhidos para a novela estão o Parque Nacional da Furna Feia, Dunas do Rosado, Maracajaú e Barreira do Inferno, com passagens pelas cidades de Areia Branca, Porto do Mangue, Guamaré, Macau, Maxaranguape, Mossoró, Parnamirim e Tibau do Sul, além da capital Natal.

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A HISTÓRIA DE BATANGA

Tempo passado: Batanga livre!

Embora ‘A Nobreza do Amor’ seja ambientada na década de 1920, o enredo no universo africano se inicia aproximadamente duas décadas antes, quando Batanga estava sob domínio colonial português. A dominação europeia sobre Batanga, contudo, não conseguiu apagar a identidade do povo batangui, liderado por Lumumba (Welket Bungué), filho do rei Cayman I, cujo reinado foi interrompido após a invasão dos portugueses. A resistência batangui culminou na Guerra da Independência, na qual os guerreiros africanos conseguiram capturar a fortaleza dos colonizadores e derrotaram as forças militares de Portugal.

Herói da libertação, Lumumba foi coroado rei Cayman II, em cerimônia conduzida pelo conselheiro Chinua (Hilton Cobra), restaurando a dinastia de sua família. Sua esposa Niara (Erika Januza) tornou-se rainha, e Jendal (Lázaro Ramos), principal aliado do novo governante, ascendeu ao posto de primeiro-ministro.

A recém-conquistada liberdade reinaugurou tempos de paz e esperança em Batanga. A nova era no reino foi acompanhada de prosperidade, graças à concessão de exploração das minas de tungstênio à Inglaterra, em negociações mediadas por Jendal e mediante o pagamento, para a coroa, de royalties a serem revertidos para o bem-estar dos súditos. Nesse ambiente de otimismo e desenvolvimento, cresceu a filha do casal e única herdeira do trono, a princesa Alika (Duda Santos), treinada para ser uma rainha justa e compromissada com seu povo.

Tempo presente: a face do tirano

Em meio à tranquilidade, uma mensagem abala os alicerces de Batanga. Durante uma visita ao guardião do oráculo do reino, o respeitado ancião Oruka (Vado), a família real é surpreendida com uma previsão: o rei será traído, com consequências drásticas para a vida da rainha e da princesa, que só poderá ser salva por um homem de ascendência nobre e caráter irretocável.

Ambicioso e sedento por poder, Jendal pede a mão de Alika a Cayman, jurando protegê-la dos perigos anunciados. O rei, impactado pela premonição e crente na lealdade de seu primeiro-ministro, promete a filha, ainda bebê, ao vilão, como sua futura esposa. Mas o acordo não vinga: anos depois, a jovem princesa, que não enxerga os interesses de Batanga entre as prioridades do aliado de seu pai, rejeita se casar com ele. Preocupado com a felicidade da filha, Cayman volta atrás e comunica o trato desfeito a Jendal, que se toma de fúria e desejo de vingança.

Sua ira se intensifica com a chegada de Paxá Soliman (Marco Ricca) a Batanga. O turco, homem de negócios, está acompanhado pelo filho Omar (Rodrigo Simas), que se apaixona à primeira vista por Alika. Soliman firma um acordo de exploração de tungstênio com Cayman, ameaçando a aliança de Jendal com os ingleses, de quem o vilão recebia generosas propinas regulares. Sentindo-se humilhado, o primeiro-ministro renuncia ao cargo e deixa Batanga.

Porém, Jendal não demora a reaparecer diante dos portões do palácio, trazendo com ele a realização do que o oráculo previu. Apoiado pelos ingleses, o vilão derrota as tropas comandadas pelo chefe da guarda real, Dumi (Licínio Januário), derruba seu antigo aliado do trono e se autoproclama rei de Batanga. A primeira ordem é impiedosa: prender e matar Cayman, Niara e Alika.

Jendal, que será a personificação do mal ao longo da história, é o primeiro vilão na carreira de Lázaro Ramos na televisão. O ator conta como a potência da história o estimulou a participar do projeto: “O que me atraiu nesse projeto, primeiro, foi a possibilidade de fazer um vilão, que é uma coisa que eu não transitei ainda na carreira, principalmente em televisão. E uma coisa importante de contar: eu sou primo de Elísio, um dos autores. Li o texto e falei: ‘Que novela bonita, importante. Eu queria fazer’. Ele perguntou se eu não tinha outra coisa prevista, respondi que até tinha, mas que gostaria de participar desse momento, dessa história que vai ser contada. Foi um personagem desejado”.

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Casamento e fuga

No dia da execução da família real deposta, o novo rei impõe um ultimato: caso Alika volte atrás e se case com ele, poupará as vidas dos prisioneiros. Para proteger seus pais, a princesa aceita a oferta do tirano. Com apoio de sua filha, Kênia (Nikolly Fernandes), uma jovem fútil e ambiciosa, Jendal organiza uma suntuosa cerimônia para celebrar a união, com a presença de convidados ilustres e nobres famílias da região e de outros reinos, incluindo os reis de Seráfia, Augusto (Carmo Dalla Vecchia) e Maria Cesária (Lucy Ramos), protagonistas da novela ‘Cordel Encantado’ (2011).

Os planos do vilão, no entanto, são frustrados por uma ação de Dumi (Licínio Januário) e Chinua (Hilton Cobra), que ajudam Omar (Rodrigo Simas) a fugir com Alika, Niara e Cayman em direção ao porto, onde o navio de Omar os aguarda. Durante a fuga, Cayman acaba morrendo, mas, antes de partir, suplica que a esposa e a filha busquem abrigo em terras brasileiras, onde vive seu irmão Zambi/José (Bukassa Kabengele). Com sua partida, a princesa e a rainha seguem para o Brasil, sob a promessa de limparem o nome do rei e voltarem a Batanga para reconquistar o trono.

Quando Jendal percebe a ação, ordena que suas tropas capturem os fugitivos. Na perseguição que se segue, Omar é ferido e preso pelos soldados, mas a princesa e a rainha conseguem embarcar no navio do jovem turco com ajuda de Dumi, que recebe de Alika a missão de liderar a resistência ao tirano Jendal. Conforme as areias de Batanga se distanciam no horizonte, a rainha e a princesa, com os corações pesados, navegam rumo ao Rio Grande do Norte, no Brasil.

Durante o exílio de Alika, Dumi, que simula fidelidade ao novo rei para se manter em uma posição estratégica, e Chinua (Hilton Cobra), que também segue no cargo após o golpe a fim de obter informações privilegiadas, passam a articular a derrubada de Jendal. Fora do palácio, no meio do povo batangui, seus principais aliados na luta para permitir a volta de Alika e Niara ao reino são os guerreiros Akin (André Luiz Miranda) e Ladisa (Rita Batista).

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BARRO PRETO: UMA CIDADE FORA DO TEMPO

“O Brasil parece a África”: onde floresce o amor de Alika e Tonho

Quando o rei Cayman (Welket Bungué) indicou o Brasil como destino para a princesa Alika (Duda Santos) e a rainha Niara (Erika Januza), além de falar de seu irmão Zambi (Bukassa Kabengele), que poderia abrigá-las, pensou nas semelhanças do país com Batanga: do outro lado do oceano, elas iriam encontrar um lugar onde também se falava português e com grande presença de negros. Lá estariam protegidas de Jendal (Lázaro Ramos). A travessia vai impor grandes mudanças na vida de ambas. A chegada ao Rio Grande do Norte se dá pela capital, Natal, e mãe e filha precisam ainda rumar para o destino Barro Preto, uma pacata e peculiar cidade do interior, isolada em meio às falésias. No primeiro contato com o novo solo, a constatação é imediata: “O Brasil parece a África”, diz Alika.

A Nobreza do Amor
Ronald Sotto e Duda Santos em ‘A Nobreza do Amor’ – Globo/Estevam Avellar

O encontro entre Alika e Tonho (Ronald Sotto) se dá na chegada a Barro Preto. Nas imediações da estação de trem de Biri-Biri, uma cidade da região, Tonho carrega, em um carrinho, sacas de açúcar do engenho em que trabalha para abastecer a feira, enquanto Alika e Niara tentam entender como chegar aonde mora Zambi (Bukassa Kabengele). Sem perceber, o jovem esbarra na princesa, mas, rapidamente, a protege, impedindo que ela caia. Os olhares se encontram pela primeira vez, e o encanto é imediato, apesar da situação quase conflituosa. Na trama, o senso de responsabilidade com suas comunidades, tão forte em ambos, gera uma identificação entre Tonho e Alika, e o despertar do amor, sentimento inédito na vida deles, encarna ainda mais a conexão Brasil-África.

A trombada com Tonho se mostra providencial na vida de Alika e Niara. Apesar do desentendimento, logo elas descobrem que ele conhece José/Zambi (Bukassa Kabengele). O rapaz, que acabara de buscar o automóvel novo de seu patrão, o coronel Casemiro Bonafé (Cássio Gabus Mendes), na estação, oferece carona para levá-las até a casa do engenheiro e de Teresa (Ana Cecília Costa), que ficam surpresos com a chegada da sobrinha e da cunhada.

A sós, a família revisita o passado, e as notícias que vêm de Batanga deixam José e Teresa emocionados. A partir de então, o casal define que as duas vão viver com identidades falsas por segurança. Prometem também abrigo a elas e ajuda com os novos documentos. Barro Preto, então, ganha duas novas moradoras, Lúcia e Vera, os novos nomes escolhidos pela dupla.

Intérpretes do par romântico de Barro Preto, os protagonistas Duda Santos e Ronald Sotto celebram o trabalho e a oportunidade de contracenarem pela primeira vez desde ‘Malhação: Toda Forma de Amar’ (2019). “Estou profundamente honrada e emocionada com a oportunidade de dar vida a essa personagem. Interpretar uma princesa africana em horário nobre, em uma novela que valoriza nossa ancestralidade e abre espaço para discutir questões essenciais, como identidade e representatividade, é uma responsabilidade imensa, um grande privilégio. Cresci sonhando com personagens que refletissem a força, a beleza e a complexidade da nossa cultura”, conta Duda.

O Tonho é um cara muito sonhador. É um tipo de personagem que quer conquistar e valorizar cada pedaço de terra que sonha em ter. Acho que o que mais me impressiona nele é a sua força. A inteligência, a força de vontade, a determinação, a lealdade dele, enfim, são características que enchem meus olhos”, resume Ronald. “A Duda é uma irmã de vida, mesmo, parceira, que está arrasando, vindo de grandes trabalhos. Vibro com a evolução dela e com todo leque artístico que ela está apresentando”, completa. “Ronald e eu somos amigos há muito tempo. Fiquei muito feliz quando soube que seria ele. É um artista muito talentoso, que admiro demais, que merece esse lugar”, declara a atriz.

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As vilanias de Mirinho e Virgínia

Na trajetória do casal protagonista surgirão muitos obstáculos, personificados, especialmente, pelos namorados Mirinho (Nicolas Prattes) e Virgínia (Theresa Fonseca), dupla que representa a união das duas famílias mais importantes de Barro Preto: os Bonafé e os Almeida Borges. Os negócios dos Bonafé vêm da maior fazenda de cana-de-açúcar da região, o Engenho Santa Fé, de propriedade do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes) e motivo de conflitos com o filho, Mirinho, um bon-vivant que deseja deixar Barro Preto e investir na criação de uma tecelagem no Recife. Já os Almeida Borges, chefiados pelo banqueiro Diógenes (Danton Mello), veem o dinheiro multiplicar com as dívidas que praticamente todos os moradores da cidade têm com o banco, o que faz de Virgínia, entre outros motivos, um dos partidos mais cobiçados da região.

A Nobreza Do Amor - Mirinho
Mirinho (Nicolas Prattes) em ‘A Nobreza do Amor’ – Globo/Estevam Avellar

Barro Preto nem imagina que se tornou refúgio da realeza de Batanga, e a presença de Lúcia (Duda Santos) e Vera (Erika Januza) promete movimentar bastante a sociedade local. Dirigindo o carro do patrão, Tonho (Ronald Sotto) traz mãe e filha, que chegam em um momento especial para a cidade: é o dia em que Virgínia (Theresa Fonseca) volta da capial ostentando o título de “A Mais Formosa do Rio Grande do Norte”, e será recepcionada em grande estilo pela elite da cidade no Grêmio Recreativo Barropretense. Quando a princesa e a rainha depostas desembarcam, os comentários são imediatos. Impressionado com a beleza de Lúcia, Mirinho (Nicolas Prattes) dá um jeito de dizer que Tonho trabalha para sua família e que o carro pertence a eles, movimento que deixa Virgínia, a homenageada, bastante incomodada. A filha mais velha de Diógenes e Marta (Emanuele Araújo), sentindo-se ameaçada, elege Lúcia como rival.

Não demora para Mirinho perceber o interesse de Tonho, seu antigo amigo de infância, por Lúcia, o que tornará a convivência entre os dois ainda mais conturbada. Tomado por ciúmes da relação afetuosa entre seu pai e Tonho, o vilão passou a tratar o rapaz com desdém depois de retornar da cidade grande, onde se formou bacharel. Mirinho, cheio de vaidade e caprichos, não aceitará que Tonho, além de ter se tornado homem de confiança de seu pai – que o promoveu a administrador do engenho –, atravesse seus planos de conquistar Lúcia. E não vai medir esforços para tirá-lo de seu caminho.

É um presente muito grande estar nesta novela tão revolucionária, cheia de drama, romance e reviravoltas”, destaca Prattes, celebrando também a oportunidade de experimentar algo inédito em sua trajetória profissional. “Mirinho é a inauguração de um jeito de atuar para mim, porque é meu primeiro personagem em novelas que não é movido por um bom sentimento. Ele vai ser uma figura muito rica, cheio de camadas, em todos os aspectos”.

O que mais me atraiu neste projeto foi a oportunidade de interpretar minha primeira vilã, uma personagem de uma novela das seis, onde posso explorar um lado divertido e autêntico. Isso tem me desafiado em um contexto inusitado, característico de um papel de vilã. E também a possibilidade de contracenar com o elenco envolvido e trabalhar de novo com o Gustavo Fernández (diretor artístico de ‘Renascer’, onde a atriz interpretou Mariana) tem sido maravilhoso. Em relação à personagem, o público pode esperar uma figura voluntariosa, determinada e ambiciosa. Ela demonstra grande obstinação, perseguindo seus objetivos e obtendo sucesso quase 100% das vezes. Sua determinação faz o querer e o poder muito próximo um do outro”, resume Theresa.

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A vida barropretense

Barro Preto é uma cidade do interior que persegue ares cosmopolitas. Não à toa, vez por outra, os moradores se dedicam aos eventos que mobilizam a todos. Seja um baile no grêmio recreativo, a inauguração de um busto na praça central ou uma missa de padre Viriato (Marcelo Médici), os barropretenses não perdem a oportunidade de acompanhar as novidades da cidade. É nesse lugar que Alika (Duda Santos) e Niara (Erika Januza) precisam refazer suas vidas, tendo no horizonte um retorno a Batanga com a queda de Jendal (Lázaro Ramos). Mas isso pode levar mais tempo do que elas imaginam, afinal, a resistência ao tirano precisa ser costurada às escondidas e de forma bastante segura.

Na nova dinâmica da família de José (Bukassa Kabengele) e Teresa (Ana Cecília Costa), Lúcia/Alika (Duda Santos) descobre um talento para a costura ao ajudar a tia com a encomenda de um vestido complicado. Já Vera/Niara (Erika Januza), passa a responder pela cozinha da casa, marcando uma nova fase na família. A rainha, mais tarde, também reencontrará a sua vocação de ensinar, como fazia no reino, contribuindo com a escola da cidade. Essa adaptação, no entanto, não se resume a apenas assumirem novas ocupações, lidarem com as diferenças no idioma ou experimentarem os quitutes da culinária nordestina. A realeza refugiada logo conhece a outra face do país que, há menos de 40 anos, aboliu a escravidão.

Com uma postura crítica a questões estruturais da sociedade em que passa a viver, Lúcia/Alika começa a mostrar aos moradores do local, especialmente a Tonho, as mazelas que estão por trás de atitudes aparentemente banais. Mal sabe ele que, nessa visão de mundo dela, reside a grande mudança em sua vida.

PRODUÇÃO: A MAGIA POR TRÁS DAS CÂMERAS

Figurino e caracterização

A partir de um mergulho profundo em referências históricas, culturais e estéticas de países da África, a equipe de ‘A Nobreza do Amor’ construiu a identidade artística que orientou todos os departamentos da produção, sob a consultoria de Maurício Camillo, pesquisador da Guiné Bissau dedicado, entre outros temas, ao estudo da história de grandes reinos africanos, e à direção de arte de Rafael Cabeça, pesquisador de cultura afro-brasileira. “O povo da África ficou reduzido aos estereótipos de pobreza e doença, de savana ou até de atrasado, perpetuado enquanto pobre e associado ao crime e à corrupção. É esse retrato que, em geral, aparece no audiovisual. ‘A Nobreza do Amor’ traça outro caminho, trazendo outras formas de viver existentes na África em suas múltiplas culturas, que também podem ser mostradas”, afirma Maurício.

Para a concepção de Batanga, a inspiração vem de um mosaico de referências dos povos iorubá, bantu e masai, por exemplo. “Mesmo se tratando de uma fábula, existe uma grande responsabilidade em contar a história de um povo, especialmente quando isso envolve ancestralidade, cultura e simbolismos reais”, destaca a figurinista Marie Salles, que elege a novela como um dos projetos mais desafiadores e emocionantes de sua carreira.

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Os protagonistas de ‘A Nobreza do Amor’ ganham destaque em suas apresentações, com estilos autênticos e detalhes que remetem às suas personalidades. No caso da família real de Batanga, as vestes são feitas com um padrão exclusivo, desenvolvido em tear, inspirada no Aso Oke, um tecido artesanal iorubá associado à nobreza. Tons de dourado e vermelho, cor do reino, predominam, simbolizando sua imponência.

No caso específico da princesa Alika, seus tecidos foram desenvolvidos com uma técnica de tingimento africana chamada “shiburi”. Suas roupas têm estampas feitas com carimbos, foil e aplicações de pó de ouro. Quando assume a identidade de Lúcia, após a chegada a Barro Preto, a princesa adota um estilo alinhado ao cotidiano de sua nova casa, próxima ao litoral. “Diferente de Alika, Lúcia tem uma pegada steampunk, com ferragens que remetem ao ouro, que ela usava como princesa, criando essa relação sutil entre as duas fases”, explica Marie.

Se os vermelhos e dourados em tonalidades mais claras e vivas caracterizam os figurinos da família real, os trajes escuros, trabalhados em preto, cobre e marrom do vilão Jendal evidenciam seu distanciamento da realeza. Para Auri Mota, caracterizador titular da novela, o visual do personagem vivido por Lázaro Ramos é um dos destaques da obra. Sua caracterização inclui cabelos com estrutura inspirada em serpentes e escorpiões, além de pelos faciais, que contrastam com Cayman II (Welket Bungué), que não usa barba.

Kênia, filha do vilão, também é destaque. A personagem de Nikolly Fernandes é a que passa por mais mudanças estéticas ao longo da trama, tendo sete estruturas de cabelo exclusivas para isso. Esses modelos se transformam em quase vinte visuais diferentes, refletindo seu estilo contemporâneo e exibicionista. Assim, suas roupas e cabelos situam Kênia como uma figura à frente de seu tempo.

A perucaria, aliás, é inédita para a faixa das seis. Apenas uma peça já usada em produções anteriores foi reaproveitada, com todo o restante construído “do zero” ou garimpado com artistas independentes em viagens pelo país. Em São Paulo, por exemplo, foram encontradas perucas nigerianas originais. No acervo da novela, entre peças adquiridas e produzidas nos Estúdios Globo, há quase 200 perucas, em sua maioria modulares, que permitem em torno de 300 combinações diferentes. Essa versatilidade possibilita criar penteados únicos para cada cena, com tranças, dreads e cabelos adornados com pedras preciosas.

Em Barro Preto, a estética se transforma, e o caráter fabular da trama permite às equipes de figurino e caracterização maior liberdade para definição dos estilos dos personagens. Inspirada nos balneários franceses dos anos 1920, a paleta mistura os tons terrosos das falésias com os azuis e verdes do mar, resultado da interseção entre sertão e litoral, onde a cidade fictícia se encontra. Por lá, cada personagem tem uma marca registrada. Tonho (Ronald Sotto), por exemplo, é o único personagem que veste jeans, e todo seu guarda-roupa é criado com esse tecido. Mirinho (Nicolas Prattes), vaidoso e moderno, usa roupas de alfaiate, feitas sob medida, e porta relógios de pulso na era dos relógios de bolso. Virgínia (Theresa Fonseca), interessada nas tendências de moda, com gosto sofisticado, tem roupas inspiradas nos trabalhos de Madeleine Vionnet, uma das estilistas mais influentes da alta-costura francesa.

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As roupas dos personagens brasileiros refletem suas personalidades de maneira sutil. Marta (Emanuelle Araújo) e Graça (Fabiana Karla) expressam rivalidade através de seus estilos contrastantes – enquanto uma é comedida, com uma elegância art déco traduzida em listras e pantalonas, a outra tenta imitá-la com um cômico exagero al mare, com bolsas e chapéus em formato de caranguejos, conchas, peixes e águas-vivas. “Graça mira na rival, mas vai parar no fundo do mar, tornando-se um completo oposto de Marta”, explica Marie.

Alheios à briga silenciosa de suas esposas, Diógenes e Casemiro também usam roupas muito diferentes – o personagem de Danton Mello veste as golas descartáveis da moda, enquanto Cássio Gabus Mendes ostenta um visual rústico, com coletes que remetem às cores da terra.

Outro diferencial de ‘A Nobreza do Amor’ é o trabalho com foscos e brilhos nas peles e cabelos dos personagens africanos, reforçando as cores avermelhadas do reino sob sol intenso e poeira no ar. Para Batanga e arredores, a caracterização vai incluir pinturas corporais, escarificações em forma de queloides e alargadores de orelhas. Esses elementos valorizam a diversidade e a ancestralidade do continente africano. “Existe um universo muito maior do que aquele que estamos acostumados a ver. Nossa ideia é trazer essa riqueza visual de lá para cá, a fim de contar um pouco mais sobre uma história apagada por muito tempo”, afirma Auri Mota.

Cenografia

Em uma área de mais de 4.500 metros quadrados, foram construídos nos Estúdios Globo os dois universos de ‘A Nobreza do Amor’: Batanga, em projeto liderado pela cenógrafa Paula Salles, e Barro Preto, assinada por Fábio Rangel. Ao todo, 300 pessoas estiveram envolvidas na construção, que levaram mais de três meses para erguer o reino africano, com 974 metros quadrados, e a cidade fictícia do Brasil, com 3.532 metros quadrados.

A produção, entretanto, se estende para além desses muros. As gravações foram iniciadas no Rio Grande do Norte, em dezembro de 2025, com cenas em locações escolhidas por suas semelhanças geográficas com a África. Além disso, diversas locações externas no Rio de Janeiro apoiaram as filmagens. A batalha final da Guerra da Independência, liderada pelo Rei Cayman II, por exemplo, foi encenada na Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói, um sítio histórico que começou a ser construído em 1555. A locação foi ponto de partida para a cenografia de Batanga: segundo Paula Salles, o ambiente reproduzido nos Estúdios Globo funciona como uma extensão da fortaleza após a retomada do poder pelo povo africano.

O conceito por trás do reino que orientou a equipe de cenografia encontra também inspiração na relação da terra com a natureza. “Estamos muito conectados à ideia de terra sagrada”, comenta Paula. Nesse contexto, surge um dos elementos mais importantes da composição: o baobá. Presente antes mesmo da fase principal da novela, ele marca território como símbolo de resistência. “Funciona quase como um ancião, um elemento de muito poder, que estabelece uma ligação importantíssima com a história”, define a cenógrafa. Estruturada como uma torre metálica revestida com placas de tela de galinheiro em poliuretano, a árvore cenográfica tem cerca de três metros de largura, seis metros e meio de altura e uma copa de aproximadamente doze metros de folhagem, impondo-se como marco sagrado do reino.

Ao redor do baobá, a cenografia organiza elementos que reforçam a influência da cultura africana em Batanga. Entre eles estão os muxarabis, treliças vazadas de origem árabe usadas no norte da África, e os símbolos adinkra, ideogramas tradicionais do povo Akan, usados há séculos para expressar seus valores e filosofia ancestral. É possível observá-los no cenário em portas, janelas e paredes, além das roupas dos personagens da realeza batangui.

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Na reprodução da fortaleza nos Estúdios Globo, estão ambientes importantes para a história. A sala do trono, um dos mais emblemáticos, conta com madeira entalhada, bandeiras e pinturas feitas à mão, que transformam o ambiente numa expressão da opulência africana. Dois tronos foram criados, cada um com tipologia própria, relacionados a dois orixás da cultura iorubá: Iansã, para o trono da rainha, e Xangô, para o trono do rei. Paula explica que a escolha estética valoriza sempre o que seria feito por muitas mãos, não por processos fabris.

O cuidado artesanal que marca a realeza de Batanga também prepara o olhar do público para o contraste com a potiguar Barro Preto, que, de alguma maneira, também se liga ao reino africano. A paleta de Batanga tem tons alaranjados e terrosos, que servem como base neutra para que os figurinos vibrantes, marcados por vermelhos e dourados, ganhem força. Em contraste, quando a narrativa cruza o oceano e chega a Barro Preto, a lógica se inverte: ali, as casas são mais coloridas, e por isso os figurinos assumem tons mais neutros, criando um equilíbrio visual entre personagens e cidade. A novela também estabelece uma ponte luminosa entre esses dois universos: enquanto Batanga já possui iluminação própria, Barro Preto ainda vive à base de lamparinas.

Barro Preto é, então, para o cenógrafo Fábio Rangel, uma cidade “parada no tempo”. Ficcional e ambientada no Rio Grande do Norte, sua construção visual partiu de uma ampla pesquisa em referências das regiões Norte e Nordeste, explorando casarios coloridos e fachadas históricas preservadas desde o século XIX, como as de Cachoeira (BA) e Olinda (PE). Em sua composição, nada remete à modernização: as casas carregam marcas de envelhecimento natural, sem interferências contemporâneas. A arquitetura é eclética, combinando elementos clássicos e góticos, entre outras influências.

A organização da cidade faz uma homenagem às novelas clássicas: Barro Preto se estrutura em torno de uma praça central, onde se dispõem igreja, armazém e casas principais – um formato que remete a produções como ‘Roque Santeiro’ (1985) e ‘Tieta’ (1989). Entre os elementos mais marcantes, está o busto da mãe do prefeito Bartô, que será animado por computação gráfica, reagindo aos principais acontecimentos da cidade. Para a constituição de Barro Preto houve também gravações em locações externas no Rio. A fazenda do núcleo de Tonho (Ronald Sotto), por exemplo, foi gravada na Fazenda da Taquara, onde a equipe instalou o Engenho Santa Fé.

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Fábio estruturou Barro Preto como um mosaico de pequenos mundos, onde cada núcleo ganha traços de suas identidades. Os personagens de origem libanesa, por exemplo, recebem referências específicas dessa cultura, enquanto o banqueiro Diógenes (Danton Mello) habita um ambiente com visual mais inglês, reforçando sua posição de poder. Como a cidade abriga o núcleo mais cômico da novela, Fábio explica que a cenografia é “mais leve, brinca com essa coisa da vilania e dos heróis de um jeito um pouco mais caricato”.

Ao longo da novela, Barro Preto é palco de diversas tramas, entre elas, a chegada da realeza deposta de Batanga. Para esses momentos, a cenografia reforça a ligação profunda entre os dois universos. A presença africana continua atravessando Barro Preto de modo discreto, mas significativo: aparecem ali ecos de técnicas, saberes e simbologias trazidos da África, como referências à serralheria tradicional e aos adinkras, incluindo o Sankofa, símbolo que evoca a importância de revisitar o passado para seguir adiante. Esses elementos aparecem em detalhes arquitetônicos e grafismos em cenários como a casa de José/Zambi (Bukassa Kabengele), sob a ideia de que o território brasileiro apresentado na novela é atravessado por essa herança ancestral.

Produção de arte

A equipe de produção de arte, comandada por Flavia Cristofaro, também mergulhou em uma pesquisa extensa de referências, a partir dos mais variados objetos, desde armas, passando por automóveis e alimentos, para constituir os dois universos da novela. Também foram estudados materiais gráficos variados, além de hábitos e costumes dos africanos e nordestinos dos anos 1920.

No caso de Batanga, escolhemos como base a costa ocidental da África, respeitando os signos de seus muitos povos e nações, mas lembrando que estamos criando uma fábula. Trabalhamos com uma mescla gigantesca de inspirações e, através de nossas próprias lentes, aplicamos nossa licença poética, construindo a estética da novela, tensionando a todo tempo o real e o ficcional”, afirma Flavia.

Em Batanga, parte das referências tem como eixo a estética iorubá, incluindo as armas usadas nas cenas de luta. Foram confeccionadas cerca de 50 peças, incluindo lanças, espadas e escudos, tanto em versões de polipropileno, com mais detalhismo e acabamento mais refinado, para gravações em primeiro plano, quanto em MDF, material derivado da madeira, para planos mais distantes.

A gastronomia também demandou olhar especial da produção de arte. Em uma obra com muitos eventos, a comida é central. Para festas no reino africano, por exemplo, a equipe desenvolveu cada item individualmente. “Foi um processo difícil, porque a comida africana é diferente dos padrões ocidentais. Aqui, quando pensamos em realeza, vem logo a imagem do champanhe, do glamour eurocentrado. Na África, é diferente, o ‘glamouroso’ é definido sob outro ponto de vista. Há um senso de coletividade e ritual, tudo tem um significado”, detalha Flavia. Na festa de casamento de Jendal (Lázaro Ramos) e Alika (Duda Santos), por exemplo, a mesa surge repleta de flores e frutas naturais e secas, como damascos e tâmaras, além do vinho de palma, que vem da fermentação da seiva de palmeiras.

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No Brasil, para as dependências do Engenho Santa Fé, foram feitos sacos de açúcar, amarrados de cana, rapaduras e garrafas de aguardente cenográficos, seguindo evidências históricas de como eram essas fazendas na época da novela. Os itens fabricados e vendidos pela fazenda vão adotar também uma grafia antiga, como “assúcar”, o que reforça a ideia de Barro Preto como uma cidade parada no tempo.

Como Batanga é também um reino de anciãos respeitados, a produção de arte constituiu um acervo de objetos sagrados, como o colar Opelê-Ifá, instrumento utilizado no culto de Ifá, e, na história, usado por Oruka (Vado). Chinua (Hilton Cobra), por sua vez, carrega um cetro, feito em colaboração com mais dois ferreiros, com um tronco em escultura e a incorporação de um símbolo adinkra, muito presente nos objetos africanos da novela. “Temos um consultor babalorixá, Márcio de Jagun, professor de cultura iorubá, que nos orienta nas cenas que envolvem rituais religiosos, porque tudo, como, por exemplo, se o orixá é feminino ou masculino, faz diferença. Cada detalhe tem significado. Procuramos sempre fazer tudo com muito respeito”, conta Flavia.

Do outro lado do Atlântico, outra característica de Barro Preto é a relação com o tempo. De ritmo mais lento, são poucos os carros na cidade, apesar de, vez por outra, Mirinho (Nicolas Prattes) passear com seu Hupmobile, um automóvel alugado de um colecionador em São Paulo especialmente para as cenas da família Bonafé. Nas ruas da cidade fictícia, o fluxo é de bicicletas e, para levar as crianças às aulas, a prefeitura disponibiliza uma jardineira escolar pouco convencional, reforçando o caráter de fábula da história. Outra jardineira será usada como um meio de transporte público para a comunidade barropretense.

Outro destaque da cidade é o busto interativo de Dona Veneranda Lobo, mãe do prefeito Bartolomeu. Estruturada como um altar doméstico na praça de Barro Preto, com um espaço reservado às flores e velas, a estátua foi talhada com base no rosto do ator Fábio Lago, que interpreta Bartô. As expressões da falecida Veneranda através do monumento serão inseridas na pós-produção.

A novela rende ainda uma homenagem a Mestre Vitalino, um dos maiores artesãos e ceramistas do país. Na trama, Dona Menina, vivida por Zezé Motta, e seu neto, personagem de Levi Asaf que terá o mesmo nome do artista pernambucano, dominam a arte do barro e vão vender suas esculturas na feirinha da cidade. Parte desses objetos foi produzida por Emanuel Vitalino, neto de Mestre Vitalino, incorporando ao acervo da novela cerca de 20 peças que retratam a vida na região.

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Produção musical e trilha sonora

A trilha sonora original de ‘A Nobreza do Amor’, assinada por Eduardo Queiroz, nasceu com a diretriz de utilização contínua de referências africanas para sua composição. A partir de um conceito de África transversal, foram previstos elementos inspirados em múltiplas tradições e ritmos do continente. Para imprimir essa atmosfera plural, a trilha instrumental conta com 92 composições originais, utilizando tambores de timbres específicos, variações de marimba, texturas vocais e estruturas baseadas em polirritmia.

Já para a ambientação sonora brasileira, foram incluídos também arranjos com influência do jazz de Nova Orleans, gênero que dialoga com a época retratada na novela. Em Barro Preto, optou-se pela criação de uma banda de três músicos, interpretados pelos atores Rafa Durand, Márcio Fonseca e Ivson Rainero. O trio será figurinha carimbada nas festas e eventos sociais da cidade potiguar.

Por sua vez, a seleção da trilha sonora comercial ficou a cargo da área de produção musical da Globo, em diálogo com o diretor artístico Gustavo Fernández. Algumas regravações foram encomendadas especialmente para a novela como “Os Amantes”, de Luiz Ayrão, agora na voz de Chico César, e uma releitura de “Coração”, forró de Dorgival Dantas, na voz de Zé Vaqueiro. Outras surpresas serão apresentadas ao público ao longo da novela.

A trilha ainda incorpora as canções “Endoideceu Meu Coração”, na versão de João Gomes; “Berê Berê”, de Josy.Anne; “Problema Seu”, de Felipe Cordeiro; “É Segredo”, de Mariana Volker; “Povo de Légua”, do Morro da Crioula; e “Filho de Rei”, de Mateus Aleluia e Pastoras do Rosário. Há também uma forte presença africana, com faixas como “Kothbiro”, do queniano Ayub Ogada; “Hoya Hoya”, da moçambicana Lenna Bahule; e “Valha”, de Otis, também natural do Moçambique.

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Produzida nos Estúdios Globo, ‘A Nobreza do Amor’ é uma novela criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Júnior, com colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos, pesquisa de Leandro Esteves e assistência de roteiro de Dimas Novais. A obra tem direção artística de Gustavo Fernandez, direção geral de Pedro Peregrino e direção de Ricardo França, Igor Verde e Mariana Betti. A produção é de Andrea Kelly, a produção executiva, de Lucas Zardo, e a direção de gênero, de José Luiz Villamarim.

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Wandreza Fernandes
Wandreza Fernandes
Editora chefe do Portal Área VIP e redatora há mais de 20 anos. Especialista em Famosos, TV, Reality shows e fã de Novelas.
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