
Saiba mais sobre a nova trama das 21h da Globo, “Em Família”.
A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. É com essa homenagem ao poeta Vinícius de Moraes que Manoel Carlos começa a contar sua próxima história. ‘Em Família’, novela com a qual o autor pretende encerrar a saga das ‘Helenas’, iniciada em 1981 com ‘Baila Comigo’, narra a história dos primos Helena (Julia Lemmertz) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) e suas famílias. Tudo começa em Goiás, se desenrola em três fases – dos anos 1980 até 2014 – e passa pelo bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, e pela cidade de Viena, na Áustria.
Nessa trajetória, duas vidas estão unidas pelos mais fortes laços: o amor e a família. E também marcadas pelos mais duros sentimentos: ciúme, culpa e inveja. Encontros e desencontros que atam e desatam os corações e as vidas de Laerte (Gabriel Braga Nunes) e Helena (Julia Lemmertz). Ele, um jovem talentoso consumido por um amor que se torna uma obsessão pela prima, e que cresce cada vez que o amigo Virgílio (Humberto Martins) se aproxima dela. Ela, uma adolescente que sabe que é amada e desejada e, talvez por isso, seja inconsequente em relação aos sentimentos do primo. Uma trama onde não existem vilões maniqueístas ou mocinhos imprudentes, mas pessoas que erram, amam, odeiam e perdoam.
Com direção de núcleo de Jayme Monjardim e direção geral de Leonardo Nogueira, “Em Família”, a nova trama das nove, estreia nesta segunda, dia 03 de fevereiro.
‘Em Família’ por Manoel Carlos
Algumas notas sobre a história
Gosto de contar histórias que sejam verossímeis, sem me preocupar se são ou não reais. Obviamente, tudo que se conta na ficção foi vivido por alguém, ainda que esse alguém não seja a pessoa que conta. Para mim, é gratificante quando alguém me diz que viu a novela e reconheceu a fala de um personagem como a de um parente ou de um amigo. Talvez por isso o público tenha criado uma identificação com a minha ficção. Ele sente que já viveu aquela história. Em algum lugar. Em alguma época.
É assim que eu sei fazer. Assim foram todas as minhas novelas. Assim é também é ‘Em Família’.
A tarefa de escrever uma novela só se completa com a parceria de um diretor competente e interessado como o Jayme (Monjardim, diretor de núcleo). Mantemos uma relação amável, carinhosa. Ele tem a experiência de outras novelas minhas e da minissérie ‘Maysa – Quando Fala o Coração’, que era sobre a mãe dele e foi a nossa prova de fogo.
Helena
Pela última vez eu pretendo escrever uma novela com a personagem ‘Helena’ como eixo fundamental. Das onze novelas que escrevi (‘Em Família’ é a 12ª), nove tiveram ‘Helena’ como protagonista. A característica principal dessa personagem é a normalidade, a imperfeição humana. Ama, odeia, erra, mente, engana e é sempre capaz tanto de perdoar como de se vingar. Pertence à classe média e é mediana em tudo. Helena fecha um ciclo nascido por acaso em 1981, com ‘Baila Comigo’. Já anunciei esse encerramento outras vezes, mas agora cheguei aos 80 anos e prefiro parar enquanto me julgo capaz de encarar essa empreitada. Mas, que fique claro: parar de escrever, nunca! Quero voltar a fazer minisséries como ‘Presença de Anita’ (16 capítulos) e ‘Maysa’ (9 capítulos), que eu escrevi em 2001 e 2009, respectivamente. Muita gente me pergunta sobre a inspiração para o nome ‘Helena’. Costumo repetir que ela veio da história da Helena de Tróia, um episódio da mitologia que me fascinou desde criança. E também do romance de Machado de Assis, do qual eu fiz uma adaptação para a TV (entre as muitas que foram feitas) nos anos 50. Para mim, Helena é nome de personagem por natureza. Tanto é assim que eu tenho duas filhas e três netas e nenhuma delas carrega esse nome. A Helena (Julia Lemmertz) de ‘Em Família’ segue a trajetória de uma mulher que foi e ainda é apaixonada por um homem. Nesse caso, o primo Laerte (Gabriel Braga Nunes). Escolhi a Julia (Lemmertz) como uma forma de homenagear e fechar esse ciclo que comecei com a mãe dela, Lílian Lemmertz. É uma homenagem que faço à atriz extraordinária e também uma inesquecível amiga. E obviamente isso só é possível por ser a Julia uma atriz que honra sua origem de berço: a Lílian e Lineu Dias, dois brilhantes intérpretes. Se Lílian fez ‘Baila Comigo’, Lineu fez o pai na minha minissérie ‘Presença de Anita 8217;. Estou, portanto, fechado com essa talentosa família.
Onde Nasce o Amor
Essa relação entre primos foi sempre muito comum. E é recorrente em minhas novelas. Talvez até por eu mesmo ter vivido um amor de adolescente com uma prima inesquecível. A novela, como o nome diz, reúne um grupo familiar: Itamar (Nelson Baskerville) e Ramiro (Oscar Magrini), irmãos que se casam com as irmãs Chica (Natália do Vale) e Selma (Ana Beatriz Nogueira). Laerte, filho único de Itamar e Selma, e Helena, uma dos três filhos de Ramiro e Chica, nascem e crescem juntos, quase sob o mesmo teto. Na outra ponta, formando o triângulo, temos Virgílio (Humberto Martins), um homem apaixonado desde sempre por Helena, a Leninha, como é chamada pela família. Ele será marcado por uma tragédia, que unirá para sempre a sua vida à vida dos outros dois. Na novela, o público terá uma constante sensação de sentimentos sendo criados e destruídos, encontros e desencontros dos personagens e das histórias dessas vidas e dessas famílias.
A Vida em Família
Existe uma fala da Chica (Natália do Vale) sobre a irmã Juliana (Vanessa Gerbelli) que representa bem a personagem: “A minha irmã se casou para ter um filho. E o marido se casou para ter uma companhia”. Essa é a história dela, uma busca desenfreada por um filho, uma vontade de sentir um amor incondicional, ainda que a faça negligenciar seu casamento. O ideal entre as pessoas é que haja equilíbrio emocional, mas isso não acontece com ela. Do outro lado, vemos Chica (Natália do Vale), que nunca foi feliz ao lado do marido Ramiro (Oscar Magrini), mas ficou casada por causa dos filhos Helena (Julia Lemmertz), Clara (Giovanna Antonelli) e Felipe (Thiago Mendonça). Quem não conhece alguém assim? Ou então como a Selma (Ana Beatriz Nogueira), que devotou a vida à felicidade do filho único. Em detrimento do marido Itamar (Nelson Baskerville)? E que pela força de uma tragédia romperá seu laço de amor e amizade mais profundo, entre ela e a irmã Chica? E, como nenhuma família sobrevive aos dramas sem marcas e mágoas intensas, a família que antes era tão unida se partirá. Helena e Chica se mudam para o Rio de Janeiro, Laerte vai morar fora do Brasil e Selma fica em Goiânia.
Inveja, seu nome é Shirley
Ainda que não existam vilões clássicos, acredito que Shirley (Vivianne Pasmanter), pela sua personalidade, seja a personagem que mais se aproxima desse conceito. Ela sente uma inveja imensa do amor que Laerte (Gabriel Braga Nunes) devota à Helena (Julia Lemmertz) e não perde nenhuma oportunidade de alfinetar a rival. Ela é a típica pessoa que vive uma vida infeliz porque quer, que não faz nada para mudar e ainda fica de olho grande na felicidade alheia. Mas também podemos classificar como “do mal” personagens como Miss Lauren (Betty Gofman) e Branca (Ângela Vieira) que, por razões e métodos diferentes causam sofrimento a muitas pessoas.
Felicidade
A busca pela felicidade é uma das grandes questões da vida. Se você perguntar para a Helena (Julia Lemmertz) se ela é feliz, a resposta será sim. Mas logo você verá que a razão dessa felicidade não está nela, mas nos outros, assim como em tudo aquilo que a cerca. Mais precisamente, na família. Se você tirar a família da equação, Helena não saberá dizer se é feliz ou não.
Um amor de via única
Ricardo (Herson Capri) e Branca (Ângela Vieira) tem um relacionamento unilateral. Ela ainda o ama, mas para ele o casamento já acabou. Por isso, ele sairá de casa para viver um romance com Chica (Natália do Vale), já então viúva. Branca não vai aceitar assim fácil, sem enlouquecer um pouco, sem fazer todo tipo de ameaça para prendê-lo à ela.
A Ciranda de Clara
A relação entre Clara (Giovanna Antonelli), Cadu (Reynaldo Gianecchini) e o filho deles Ivan (Vitor Figueiredo) é boa e cheia de amor. Clara e Cadu passam por um momento difícil no casamento, com ele desempregado, mas isso não significa que ela seja infeliz, muito pelo contrário. Clara é uma mulher realizada como ‘mulherzinha’, como ela nomeia a si mesma e às mulheres que se dedicam à família com prazer, cuidando dos deveres domésticos. Ainda assim, ela se encantará pela personalidade livre de Marina (Tainá Müller). É uma forte e bonita história de amor entre duas mulheres.
Entre muitos amores
Depois da tragédia que separa Laerte (Gabriel Braga Nunes) de Helena (Julia Lemmertz), ele é mandado para fora do Brasil para estudar música. Forma-se e em pouco tempo é considerado um virtuoso flautista. Vinte anos depois, ele volta ao Brasil, atendendo a um apelo do pai, que se encontra doente. Laerte vem em companhia de Verônica (Helena Ranaldi), maestrina e pianista que o acompanha como parceira e amante eventual. Ao chegar em Goiânia, ele finalmente conhece seu filho Laerte Jr (Ronny Kriwat), apelidado de Leto, que ele teve após uma noite com Shirley (Vivianne Pasmanter). Verônica aceita tudo isso, o filho, a paixão por Helena, tudo. Ela foi aluna de Laerte fora do Brasil, e é, incondicionalmente, apaixonada por ele. Verônica concorda com um papel secundário na vida dele, sofre algumas humilhações, mas não consegue libertar-se do amor que sente. Ela vai ser trocada algumas vezes, mas vai suportar tudo em nome desse amor.
Goiânia até o fim
Eu quero que a novela tenha realmente um pé fora do Rio de Janeiro. E esse lugar será Goiânia. Como foi Búzios em ‘Viver a Vida’. Uma parte dos personagens vive lá.
Problemas do cotidiano
O alcoolismo é um tema com o qual sempre me preocupei, pois é um vício de droga lícita. Qualquer pessoa compra, qualquer pessoa bebe. Felipe (Thiago Mendonça) será um jovem alcoólatra e poderemos ver como isso desestrutura uma família. Vou mostrar como é o começo de um grande problema que pode desencadear na perda do emprego, da mulher, da família, dos filhos. São histórias recorrentes na vida real e também nas minhas novelas. O que fizemos pelos idosos em ‘Mulheres Apaixonadas’ rendeu ótimo frutos. Por causa disso, votou-se até um Estatuto do Idoso. Essa questão da terceira idade ainda me preocupa muito. Alguns amigos brincam comigo, dizendo que esse meu interesse é em causa própria. Outro personagem que deverá despertar muito interesse é o Benjamim (Paulo José), um personagem que sofrerá de Parkinson. Ele fará uma pessoa que tem a doença, mas luta para sair dela. O Benjamim não quer ser paparicado e também gostaria de ajudar outros idosos, vítimas da mesma enfermidade.
Uma Viagem ao Passado e ao Presente
O Passado em Esperança
Para retratar a fictícia cidade de Esperança, onde a trama começa, 120 profissionais deixaram o Rio de Janeiro em direção a Cidade de Goiás, Pirenópolis e Goiânia, em Goiás. A luz única e as cores vibrantes das portas das casas do século XVIII formaram os elementos essenciais para a composição. “Começamos a gravar bem cedinho todos os dias para aproveitarmos essa luz incrível que só existe aqui. Fomos presenteados com dias lindos. É um lugar de contrastes maravilhosos”, conta Jayme Monjardim, diretor de núcleo. A produção viajou com cinco caminhões de equipamentos, sendo dois deles carregados com mais de 50 araras repletas de roupas. Equipes de figurino, liderada por Marília Carneiro, e de caracterização, comandada por Luiz Ferreira, providenciaram, ao lado da produtora de arte, Lara Tausz, e sua equipe a montagem do grande desfile alegórico pela cidade, que marca as primeiras cenas da novela e a 1ª fase da história de Helena (Julia Dalavia), Laerte (Eike Duarte) e Virgílio (Arthur Aguiar). “É um privilégio quando temos a oportunidade de começar a gravar uma novela em lugar tão lindo e com o clima da equipe como uma grande família mesmo”, comenta o diretor-geral Leonardo Nogueira. A parada consumiu dois dias de gravação e seguiu um percurso de 3km pela rua principal da cidade, passando pela Praça do Coreto e terminando na Praça do Chafariz. Para deixar a locação pronta, Lara Tausz e sua equipe usaram mais de 5km de guirlandas, 8 mil flores de papel crepom, 100 estandartes e bandeiras, dois carros-alegóricos, 50 bois e cavalos montados por peões da região e alas que representavam frutas típicas da região como o pequi. “Trouxemos muita coisa, mas contamos também com os artistas locais e a população que foram essenciais, sem eles não seria possível retratar com tanta fidelidade”, fala Lara. A cenografia, assinada por Mário Monteiro, também ajudou a transportar o público para essa festa típica do começo dos anos 80, com um grande parque de diversões, alas e cavalaria. Cenas tradicionais da região foram registradas pela equipe da novela.
O Presente em Viena
Depois de um mês gravando em Goiás, a equipe embarcou para dez dias de gravação em Viena, Áustria. Cerca de 40 pessoas sob comando do diretor de núcleo Jayme Monjardim e do diretor-geral Leonardo Nogueira, partiram para a capital austríaca. Além da equipe, os atores Gabriel Braga Nunes, Helena Ranaldi, Bruna Marquezine, Bruno Gissoni, Erika Januza, Sacha Bali e Roberta Almeida também seguiram para lá. Entre os cenários escolhidos estão a Catedral de San Esteban, o Museu de Arte Moderna, o Parlamento, o Palácio De Schonbrunn, o Mercado Municipal, o HundertwasserHaus, o Jardim de Stadtpark, o Museu do Freud e o Parque Prater, além das ruas da cidade e outros quinze pontos turísticos. Jayme e sua equipe optaram por utilizar alguns atores austríacos e aproximadamente 200 figurantes para as cenas. A figurinista Marília Carneiro preparou quase meia tonelada de roupas divididas em quinze grandes malas e despachou para a Áustria. A novidade ficou por conta da utilização de uma câmera especial. “Usamos um equipamento d iferente do que empregamos nas nossas gravações no Brasil, essa câmera trouxe uma maior agilidade. Optamos por uma textura diferente, mais granulada e com uma cor desenhada para valorizar a luz e as características da cidade, para marcar um contraste entre Viena e o Rio de Janeiro”, comenta Leonardo Nogueira. Viena com seus locais históricos são o pano de fundo para o começo da 3ª fase da trama das nove. Lá, Laerte (Gabriel Braga Nunes), talentoso flautista clássico, verá pela primeira vez a jovem Luiza (Bruna Marquezine), a imagem e semelhança de Helena (Julia Lemmertz), quando jovem. A partir desse encontro é que se desenrolará nos dias atuais a crônica da vida real escrita por Manoel Carlos.
Em Busca da Realidade
A Produção de Arte
São as sensações que vêm primeiro. A primeira imagem que se vê em um cenário é a que fica. Ali toda a história tem que ser contada num segundo. Em sua quarta parceria com o autor Manoel Carlos, a produtora de arte Lara Tauzs já está treinada em procurar a realidade que o autor pede em suas tramas, mas Lara sabe que essa é uma novela também muito artística. Do galpão cultural a casa de leilões, ‘Em Família’, traz um recorte da cultura brasileira para dentro da novela. “Entramos em contato com vários artistas, curadores, leiloeiros, artistas de comunidades, de grafite, corais infantis do Dona Marta e da Rocinha. É para as pessoas conheceram e saberem que a gente tem uma diversidade única”, conta Lara. Para cada personagem, Lara e sua equipe preparam um kit vivência, que inclui o que o personagem lê, escreve, escuta, o que ele passou, sua história ali escrita. “Faço para cada personagem e crio um perfil psicológico a partir do que o autor escreve e do que o personagem vai passar”, descreve a produtora de arte. A casa de Helena (Julia Lemmertz) é exemplo dessa busca da brasilidade, com muita madeira e objetos bem coloridos de arte popular. Já seu antiquário, foi resultado de uma extensa pesquisa da equipe. É bonito, elegante, mas é cheio de coisas, desde roupa de cama, mesas até uma coleção de taças e de louças. “Fomos em uns 10 leilões ou mais para saber exatamente o que as pessoas fazem e como se comportam. Vamos misturas a tecnologia com a ideia clássica de leilão, com as pessoas levantando a mão para dar lances. É uma identidade, é importante que a gente marque”, comenta Lara.
A Cenografia
Se a novela cruza três fases, anos 1980, 1990 e 2014, a cenografia também reflete essa passagem de tempo, envelhece junto com os personagens, com objetos que seguirão a trama inteira, como por exemplo, o medalhão da Fênix que Helena (Julia Lemmertz) ganha no primeiro capítulo. Um trabalho delicado comandando pela equipe do cenógrafo Mário Monteiro. “É um trabalho fascinante. O Maneco gosta de explorar mesmo o interior, o consciente e o inconsciente dessas famílias todas, a vida em comum delas, bem intimista. Em cada cenário você tem que ter aquela história da família, que é uma família inclusive de leiloeiros e eles têm criação de cavalo e de gado, essas coisas todas”, conta Mário. Muito detalhado em seus capítulos, Maneco é uma fonte extensa de inspiração para a equipe. O cenário é rico em vivência e, na cenografia, é uma casa intimista, de classe média alta, mas com liberdade para soltar a imaginação. “Encontrar materiais para fazer os cenários do Maneco é muito mais fácil do que para outro tipo de novela, porque ele investe em materiais que a gente gostaria de ter na nossa casa e nunca teve, sem contar que tem muito sentimento na história dele. O objeto que ele coloca em cena tem que ter uma história”, comenta.
De Goiás ao Leblon
Um dos desafios para Mário Monteiro e sua equipe foi a criação das casas onde os personagens Helena (Julia Lemmertz) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) crescem cercados de suas famílias em Goiânia, elas são quase um personagem na trama de Manoel Carlos. São duas casas interligadas no mesmo terreno, comparadas pelos irmãos Itamar (Nelson Baskerville) e Ramiro (Oscar Magrini), mas com uma diferença, na de Ramiro dois andares e na de Itamar somente um, justamente para marcar as diferenças sociais entre os irmãos e as famílias. “Acho que nunca fizemos um trabalho assim em uma novela, dessa casa ser praticamente um personagem também, porque quando o Laerte retorna para a casa dele, começa a ter a memória de tudo aquilo que ele viveu. E ele vê, inclusive, um personagem que é o filho dele, na casa dele, na piscina dele. Essa casa tinha que ser algo muito marcante, porque é a memória que eles têm de uma época feliz da vida deles todos. Essa novela tem exatamente isso, então essa casa tem que ser um negócio que realmente marque as pessoas, esse cenário, essa cenografia. Por isso a gente levou 3 ou 4 meses, fizemos várias versões até a versão final”, fala Mário. Já o Leblon, cenário característico das tramas de Manoel Carlos, está espalhado por uma área de mais de 8 mil metros quadrados na cidade cenográfica. “Na cidade cenográfica, tivemos que fazer uma coisa desmembrada, que é praticamente um círculo. Um trecho é o Leblon, outro Ipanema e outro é Copacabana. Fizemos interligados, mas se você for observar atentamente, as arquiteturas são diferenciadas. Tudo para criar mais possibilidade para expandir o universo dos personagens”, diz o cenógrafo. A parte cultural da trama também estará representada na cidade cenográfica com o galpão cultural, um local focado em música, especialmente a clássica. Um centro cultural com biblioteca, café, sala de concertos, sala de exposições e galeria de artes. E também com a galeria para as exposições fotográficas de Marina (Tainá Müller), com uma arquitetura art-nouveau do início do século 19 e 20.
O Figurino e a Caracterização
Uma das maiores responsabilidades das equipes da figurinista Marília Carneiro e do supervisor de caracterização Luiz Ferreira foi justamente conceituar a protagonista Helena (Julia Lemmertz). Para isso, a cartela de cores que ela usa na juventude, o mesmo corte de cabelo e o mesmo tom dos fios foi uma preocupação. “Procurei levar a Julia Lemmertz e a Bruna Marquezine, que faz a Helena na 2ª fase da novela, no mesmo cabeleireiro para dar o mesmo tom do cabelo e até repartirem o cabelo pro mesmo lado. Isso fica no inconsciente. O somatório disso tudo eu garanto que faz a diferença. Você vai dizer “está parecido”, afirma Luiz Ferreira. Com o desafio de contar uma novela em três fases, Marília buscou inspiração na luz única de Goiás e trouxe o azul desse horizonte tão infinito, o algodão dos campos, os crus e as cores mais lavadas para caracterizar a fictícia Esperança e o começo da novela. “Divido a novela em duas grandes fases, a primeira são os anos 1980 e 1990 e a segunda, os anos 2014. Então é uma novela completamente diferente dentro da outra. Eu pensei muito na luz porque eu vivi muito aquele céu e aquele horizonte de Goiás. São únicos! É uma coisa impressionante”, explica Marília. A figurinista teve uma preocupação muito grande de fazer um figurino de época, mas bem amenizado, bem atemporal. Afinal de contas, os anos 1980 e 1990 estão bem frescos no consciente coletivo. Será nos detalhes que as épocas serão percebidas, com uma cintura alta aqui, uma calça desbotada ou um ombro levemente marcado ali. A protagonista Helena (Julia Lemmertz) é o exemplo do casual chique carioca, uma personagem linda e muito elegante, chiquérrima, mas com um detalhe muito importante, ela é simples. “Quero colocar uma bolsa de palha, um macacão, tudo que fiquei muito fluido. A maior característica de Helena é essa, uma casualidade tão simples que é um luxo. Quero botar bastante cor nela porque é Rio de Janeiro no verão”, diz a figurinista. Para as mais jovens, é no figurino de Marina (Tainá Müller) e de Luiza (Bruna Marquezine) nos dias atuais que Marília aposta. A fotógrafa globe-trotter tem uma pegada mais moderna, contemporânea de uma jovem que viajou o mundo e trouxe para seu guarda-roupa influências diversas. “Com a Marina eu posso colocar uma pitadinha rock’n’roll. Procurei as grandes roqueiras para me inspirar. Acho que combina com essa personalidade livre dela”, fala Marília. Já a Luiza (Bruna Marquezine), é a porta-voz da menina moderna que mora no Leblon. Completamente urbana, com sandálias rasteiras, batinhas, vestidos soltos e shorts diversos. “Trouxe o figurino da Luiza basicamente de Nova Iorque, com muitos vestidos coloridos, que fica bem para alguém que mora em uma cidade litorânea. Ela será a cara do Leblon e da rua Dias Ferreira”, batiza Marília Carneiro.






