Saiba mais sobre ‘Se Eu Fechar os Olhos Agora”, a nova minissérie da Globo

A minissérie estreia na Globo no dia 15 de abril, logo após ‘O Sétimo Guardião’ - Saiba mais sobre a trama!
Se Eu Fechar os Olhos Agora – Eduardo – Ubiratan – Paulo (Globo/Mauricio Fidalgo)

Saiba mais sobre ‘Se Eu Fechar os Olhos Agora“, a nova minissérie da Globo, que estreia nesta segunda-feira, dia 15 de Abril.

No baú de recordações de Paulo (João Gabriel D’Aleluia/Milton Gonçalves), um novelo com as memórias de sua infância sempre teve um fio solto, que ele evitou a vida inteira puxar. Mas chegou um momento em que, inelutavelmente, esse emaranhado se desfez, trazendo de volta lembranças de uma época em que ele foi muito feliz, e ao mesmo tempo foi obrigado a aprender que as relações no “mundo dos adultos” são muito mais complexas do que parecem.

Em ‘Se eu fechar os olhos agora’, minissérie escrita por Ricardo Linhares, inspirada no livro de Edney Silvestre, com direção artística de Carlos Manga Jr., é através das memórias de Paulo que voltamos ao início dos anos 1960 e viajamos até a fictícia São Miguel, no interior do estado do Rio de Janeiro. Ali, ao lado do amigo Eduardo (Xande Valois), ele descobre que, no fundo, ninguém é o que aparenta.

Durante uma fuga da escola, Paulo e Eduardo encontram o corpo da jovem Anita (Thainá Duarte) à margem de um lago. Acusados de um crime que não cometeram, eles percebem que existe um mistério maior em torno do caso, envolvendo figuras importantes da sociedade de São Miguel, como o prefeito Adriano Marques Torres (Murilo Benício), a primeira-dama Isabel (Débora Falabella), o empresário Geraldo Bastos (Gabriel Braga Nunes) e sua esposa Adalgisa (Mariana Ximenes), além do dentista e marido da vítima, Francisco (Renato Borghi). Todos mantinham relações obscuras e dúbias com Anita. Por conta própria, os garotos iniciam uma perigosa investigação. No percurso, conhecem o enigmático Ubiratan (Antonio Fagundes), a quem pedem ajuda.

“A história começa com a descoberta de um crime, mas a investigação é apenas a espinha dorsal que dá o arco dramático da minissérie. Eu uso a estrutura de thriller psicológico para abordar os dramas dos personagens, as frustrações, os segredos e os desejos reprimidos daquela sociedade. Uma sociedade controlada pelo patriarcado branco, que ditava a hipocrisia do jogo de aparências. São Miguel é um microcosmo do Brasil, das relações de poder e opressão. A discriminação, a intolerância com comportamentos que desafiam as regras e o racismo são questões atuais, cujas raízes estão no passado”, conta o autor Ricardo Linhares.

Ao longo da minissérie, outros crimes acontecem. Paulo, Eduardo e Ubiratan precisam esclarecê-los para não se tornarem as próximas vítimas. Eles acabam se envolvendo em uma trama que ameaça o jogo político e social de São Miguel. Para os garotos, encarar os motivos que fizeram com que Anita fosse morta será um terrível caminho sem volta de amadurecimento e chegada à vida adulta. “Você não conhece o personagem necessariamente pelo que ele diz, mas pelo que ele não diz e pelos atos dele, pela própria condução da narrativa”, alerta o diretor artístico Carlos Manda Jr. “É uma história que poderia se passar em qualquer lugar. É como se os personagens estivessem presos numa bolha de felicidade aparente”, complementa.

A morte de Anita

Toda a alta sociedade de São Miguel está reunida na casa do prefeito Adriano Marques Torres (Murilo Benício): políticos e empresários, além do bispo Dom Tadeu (Jonas Bloch) e do delegado Gabino (Antonio Grassi). Naquela manhã, o prefeito inaugurou um busto de seu avô, o Senador Marques Torres, na praça da cidade, e um coquetel foi oferecido em seguida para comemorar a ocasião. Tudo corre dentro dos conformes, até que um telefonema para o delegado faz com que a festa termine. Chega a notícia de que Anita (Thainá Duarte), a mulher do dentista Francisco (Renato Borghi), foi assassinada.

Francisco é respeitado por todos em São Miguel e parece levar uma vida normal. Ao ouvir o delegado dizer que Anita está morta, seu mundo parece sumir e ele desmaia ali mesmo, na sala da casa do prefeito. Quando recobra os sentidos, já no escritório da mansão, vê-se diante de Adriano, ameaçado e num beco sem saída: é preciso evitar escândalos e abafar o assunto antes que ele chegue na capital e levante suspeitas indesejáveis. Para isso, Francisco deve se entregar, assumindo a culpa por um crime que não cometeu. O bispo Dom Tadeu ainda tenta interceder a favor de Francisco, mas é em vão – ninguém atravessaria o caminho de um Marques Torres. Por que é tão importante para o prefeito encerrar o crime? Quem era essa mulher? E por que o dentista aceita mentir confessando ter matado a própria esposa?

“A morte da Anita é o gatilho para que comece a ser contada a história dos poderosos de São Miguel. Ela aparece em vários flashbacks, à medida em que vai sendo mostrado o envolvimento com essas pessoas”, adianta a atriz Thainá Duarte.

O trio de investigadores

O fato de a mãe ter morrido no seu nascimento e a convivência com um pai que nunca lhe deu carinho fizeram com que Paulo (João Gabriel D’Aleluia) crescesse se sentindo rejeitado. O garoto nunca entendeu por que Joel (Paulo Rocha) sempre o tratou com tanto ódio. O garoto é negro, filho de mãe negra. Já o pai e o meio-irmão são brancos, mas ao menos Paulo pôde contar com Antônio (Eike Duarte) na tentativa de lhe defender dos castigos do pai.

Eduardo (Xande Valois), por outro lado, cresceu cercado pelo amor dos pais, Rosângela (Martha Nowill) e Rodolfo (Leonardo Machado). Filho único, é estudioso, responsável e sonha um dia recompensar os pais por todo o esforço que fizeram para criá-lo da melhor forma possível.

Apesar de muito diferentes um do outro, Paulo e Eduardo sempre foram inseparáveis. Além de colegas na escola, são amigos para todas as horas. Essa amizade fica ainda mais forte quando, ao fugirem de um castigo do diretor, resolvem ir de bicicleta até o lago que fica nos arredores da cidade e se deparam com o corpo de Anita (Thainá Duarte) coberto de sangue. Aquela imagem ficaria para sempre na memória dos dois.

De início, ter encontrado o corpo da jovem parece complicar a vida dos meninos, que são levados para a delegacia e passam por um extenso interrogatório. Porém, quando Francisco (Renato Borghi) se entrega, confessando ter matado a esposa, os meninos são liberados e a situação é aparentemente resolvida. Uma dúvida, no entanto, paira no ar: como aquele homem, tão velho e frágil, teria conseguido sozinho matar a jovem? A desconfiança aumenta quando o repórter Cassiano (Pierre Baitelli) suspeita que algo na história não faz sentido e ameaça investigar o ocorrido, mas logo é eliminado da jogada. A morte do rapaz deixa Paulo e Eduardo ainda mais assustados e com a certeza de que alguma peça está fora do lugar.

Durante a tentativa de descobrirem uma pista para elucidar a morte de Anita – e a de Cassiano –, os garotos cruzam com Ubiratan (Antonio Fagundes), que também parece interessado em saber o que realmente aconteceu com a jovem assassinada no lago. Misterioso e introspectivo, o homem que esconde de todos a verdadeira razão por viver em São Miguel inicialmente rejeita qualquer aproximação com os meninos, mas, vencido pela insistência, aceita ajudá-los, e os três continuam, juntos, a investigação. Eles nem imaginam o perigo que correm quando decidem vasculhar histórias e segredos que as pessoas mais poderosas da cidade fariam de tudo para manter esquecidos.

“É uma relação curiosa porque o Ubiratan já é um homem cansado, angustiado, cheio de problemas, e encontra essas crianças cheias de vida. É um casamento interessante porque eles se complementam: o Ubiratan dá uma certa maturidade aos meninos e as crianças dão vigor a ele”, comenta Fagundes.

O poder dos Marques Torres

O retrato da família perfeita: Adriano (Murilo Benício), descendente de uma família de políticos que há gerações mantém o poder em São Miguel, é o atual prefeito da cidade. Desde criança, está acostumado a mandar e prontamente ser obedecido. Não suporta ser enganado ou contrariado. Respeitando a personalidade forte do marido, a primeira-dama Isabel (Débora Falabella) se empenha para manter a ordem dentro de casa, mostrando-se uma esposa devota. Ela cumpre o papel de mãe e é a responsável por garantir que as filhas Cecília (Marcella Fetter) e Vera Lúcia (Júlia Svascinna) não saiam da linha. “Essa família é referência na cidade, um modelo para a sociedade. A história conta um pouco do que se passa por trás das aparências deles”, diz o ator Murilo Benício.

Cada um ali esconde os próprios segredos. Adriano, de alguma forma, está claramente envolvido com Anita e é importante para ele encerrar as investigações do crime. Mas por quê? Já Isabel, por mais que tente cumprir os deveres de esposa ideal, está muito longe de ser feliz naquele casamento. Sente falta de uma liberdade que nunca teve, mas segue sem coragem de arriscar a estabilidade da família construída com Adriano.

Cecília, a filha mais velha, ficou noiva de Edson (Gabriel Falcão), por pressão das famílias. Tem muito carinho pelo rapaz, mas seu verdadeiro amor é Renato (Enzo Romani). Jogador de futebol do clube da cidade, Renato é mulherengo e usa seu charme para tentar melhorar de vida. Cecília desconfia que ele lhe esconde algo e vive insegura, mas sempre acaba acreditando quando o jogador jura que ela é a única mulher em sua vida. A jovem sabe que sua família nunca aceitaria que ela namorasse Renato, que é negro e não tem onde cair morto. Por isso, mantém o romance em segredo, enganando Edson. Até mesmo Vera Lúcia, a mais nova, entende que, naquela casa, é melhor que nem tudo seja dito.

O dinheiro e o glamour da família Bastos

Empresário de sucesso, dono da fábrica de tecidos União & Progresso, Geraldo Bastos (Gabriel Braga Nunes) tem como seu maior troféu o casamento com Adalgisa (Mariana Ximenes). Conquistar a deslumbrante Miss Distrito Federal foi uma vitória pela qual ele nunca deixou de se vangloriar. Tanto Geraldo quanto Adalgisa são considerados modernos, avançados para os padrões da sociedade de São Miguel. Um casal vibrante, que provoca inveja por onde passa.

Dentro de casa, no entanto, eles mantêm uma relação de respeito e carinho, mas sem qualquer rompante de paixão. Cada um, a seu modo, vive dentro de uma bolha de solidão. O melhor amigo de Adalgisa é o dry martini, que ela bebe quando está sozinha em casa, imersa em seus pensamentos, frustrações e desejos reprimidos. Nem mesmo os apelos do filho Edson (Gabriel Falcão) conseguem demovê-la da crença de que, num mundo ideal, seria possível trocar o coração por um fígado, assim poderia “beber mais e amar menos”.  “Adalgisa é como borbulhas de champanhe, uma mulher à frente do seu tempo. Ela é muito bem-humorada, chega até a ser um pouco sarcástica. Mas todos os personagens da minissérie têm seus mistérios, inclusive ela”, avisa a atriz Mariana Ximenes.

Mas o que falta na vida de uma mulher que aparentemente tem tudo para ser feliz? Geraldo, ainda que perceba a insatisfação da mulher, tem seus próprios problemas e prefere tentar contornar a situação chegando em casa com uma joia ou aceitando fazer uma viagem que melhore, ainda que temporariamente, o ânimo da mulher.

A fé e a luxúria

Quem passa pela rua em frente ao bordel de Hanna Wizoreck (Betty Faria) consegue ouvir o som dos boleros que ecoam dramáticos da vitrola. No entanto, o que acontece dentro do estabelecimento nunca ultrapassa suas paredes. E entre os assuntos guardados com grande discrição pela cafetina estão segredos que explicam o passado de muitos moradores ilustres de São Miguel.

Do outro lado da cidade, da janela da diocese, nada passa despercebido por Dom Tadeu (Jonas Bloch). Bispo de São Miguel, ele faz questão de impor a todos a autoridade do seu cargo. Danilo (Vitor Thiré), seu secretário, é também seu fiel escudeiro. Com ele, Dom Tadeu tem um parceiro e um confidente.

As montanhas de Minas como cenário

Em ‘Se eu fechar os olhos agora’, a fictícia São Miguel fica no interior do Rio de Janeiro. Mas foi em Minas Gerais, mais precisamente na pequena cidade de Catas Altas, que a produção da minissérie encontrou o lugar perfeito para ambientar a história. O local foi descoberto pela cenógrafa Anne Marie Bourgeois de forma inusitada. “Comecei a pesquisar cidades históricas pequenas. Um dia, à noite, estava no meu quarto olhando algumas imagens e dormi enquanto mexia no celular. No dia seguinte, acordei e vi que a foto que estava aberta era da praça de Catas Altas. Fiquei encantada com a serra (do Caraça) e com o cruzeiro da igreja matriz”, relembra.

“Catas Altas parece uma cidade cenográfica de verdade, com uma igreja no centro da praça, mostrando os três mundos: político, civil e religioso. A igreja vê todas as casas e a vida em volta vê a igreja. As pessoas se vigiam e desconfiam dos segredos umas das outras. É incrível”, descreve o diretor artístico Carlos Manga Jr.

As gravações na cidade duraram três meses e envolveram cerca de 100 profissionais. As equipes de cenografia e produção de arte se uniram na tarefa de fazer as intervenções necessárias na cidade, sem afetar a arquitetura original. “Fizemos uma pesquisa para conseguir trabalhar nas fachadas do centro e em alguns espaços internos levando elementos que não descaracterizassem Catas Altas e que, ao mesmo tempo, remetessem à década de 1960, quando se passa a história da minissérie”, conta o produtor de arte Moa Batsow.

No centro, onde está localizada a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, 30 fachadas foram alteradas com letreiros, totens e toldos, fora as locações nos arredores da cidade, como o Santuário do Caraça e a Chapada do Canga. Tudo para dar o clima de época que a trama pede.

Quando retornou de Minas, a equipe seguiu com gravações no Rio de Janeiro por mais dois meses, em estúdio e em locações como o Alto da Boa Vista e Santa Tereza, onde foram gravadas cenas da família Marques Torres e do bordel de Hanna.

Ninguém é o que parece

Os trabalhos de criação de figurinos e de caracterização acompanharam o conceito da minissérie: ninguém é o que aparenta. Os personagens começam com cores mais vivas e, aos poucos, as paletas vão ficando esmaecidas, à medida em que eles vão se esforçando para esconder seus segredos.

A figurista Karla Monteiro conta que, em Anita, investiu em tons de dourado. Já a caracterizadora Lucila Robirosa optou por uma maquiagem forte, com lábios vermelhos para contrastar com as roupas e os cabelos tingidos de loiro.

Na família Marques Torres, o prefeito Adriano só veste terno preto, com cortes impecáveis, enquanto a primeira-dama Isabel usa tons de rosa e azul. As filhas Cecília e Vera Lúcia seguem a paleta da mãe, com roupas em subtons das cores que Isabel usa. Nesse núcleo, a caracterização seguiu uma linha mais sóbria: “São personagens mais clássicas, então usamos uma maquiagem e penteados mais discretos, mais elegantes”, pontua Lucila.

Apenas Adalgisa aparece com roupas de cores mais fortes. “Como ela salta daquele mundo careta, todo certinho, ela abusa das cores, usando muito vermelho aberto e turquesa”, conta Karla Monteiro.

A minissérie estreia na Globo no dia 15 de abril, logo após ‘O Sétimo Guardião’, e vai ao ar às segundas, terças, quintas e sextas, até o dia 30. Desde o dia 08 de abril, a obra já está disponível na íntegra para os assinantes do Globoplay.

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