
A Globo finalmente fez algo que muita gente achava impossível se ver na TV: mostrou, em horário nobre, um casal lésbico se amando a luz do dia, sem cortes em cenas de beijo. A cada momento de Lorena, interpretada por Alanis Guillen, e Juquinha (Gabriela Medvedovski), é perceptível que a Globo está largando mão do medo de desagradar o público conservador.
Há décadas a comunidade LGBT+ sonha em poder assistir a um romance que os represente, com veracidade, profundidade, carinho e humanidade. É um tapa na cara da sociedade que ainda trata o amor entre pessoas do mesmo gênero como tabu.
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O ocultamento do afeto: a trajetória dos casais LGBT nas novelas da Globo
Historicamente, quando a Globo ousava mostrar casais homoafetivos, o resultado era sempre o ocultamento do afeto, o amor vivido nas entrelinhas. Em 1998, em “Torre de Babel”, o público rejeitou tanto o casal lésbico que os roteiristas optaram por matar as personagens logo no começo da novela. Logo depois, em “Mulheres Apaixonadas” (2003), o casal LGBT estava ali, mas nada de carinho aos olhos do público.
Após mais de uma década, o beijo finalmente aconteceu “Em Família” (2014), mas ainda como algo tímido e contido. Posteriormente, cada tentativa de dar protagonismo a relacionamentos entre casais LGBTQIAPN+ era boicotada e invisibilizada de alguma forma.
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Da invisibilidade à representatividade: o impacto de “Três Graças” para a comunidade LGBT+
Ou seja, o que vemos agora em “Três Graças” não é apenas inovação: é revolução narrativa. Juquinha e Lorena são protagonistas de um amor que cresce e se desenvolve com muito romantismo, delicadeza e naturalidade. A cena de sexo exibida na última terça-feira (24/02) não é apenas histórica; é politicamente necessária.
Romances assim não podem ser coadjuvantes, resumidos a conflitos rasos ou estigmas caricatos. Eles precisam existir de com representatividade real. Com o casal conhecido pelo shipp “Loquinha”, a Globo está contribuindo para uma cura lenta, mas necessária, de uma sociedade que ainda é muito homofóbica e heteronormativa.
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De picos de audiência aos TTs: o fenômeno do casal “Loquinha”
Através de Lorena e Juquinha, a Vênus Platinada mostra que é possível contar histórias de amor entre mulheres com dignidade, sem transformá-las em conflito ou estereótipos. Por isso, não é atoa que as personagens sejam um fenômeno de audiência. Desde que o romance começou a ganhar espaço em “Três Graças”, a novela tem registrado picos de audiência!
Em suma, a repercussão nas redes sociais é prova desse impacto. As cenas da “primeira vez” das duas ficou entre os tópicos mais comentados no “X” (antigo “Twitter”), com fãs de diferentes países discutindo, traduzindo e celebrando cada momento.
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A beleza cênica da primeira vez Loquinha, a sintonia e a química de Gabi Medvedovski e Alanis Guillen, a direção delicada da equipe de Luiz Henrique Rios e o texto sensível de Aguinaldo, Virgilio e Zé. É histórico e significativo. QUE LINDO. #Tresgraças pic.twitter.com/ZvqNEy0daq
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) February 25, 2026
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