
Muita gente está esperando que Ratinho seja demitido depois de mais uma fala homofóbica no SBT. Eu, sinceramente, acho que a pergunta mais importante é outra: por que a emissora continua dando espaço para ele?
Até quando o SBT vai passar pano para Ratinho?
Quando um apresentador repete falas discriminatórias em rede nacional e continua com o microfone na mão, a responsabilidade também chega à empresa que transmite o programa. Daniela Beyruti, porém, saiu em defesa do apresentador após a repercussão mais recente. A presidente e CEO do SBT afirmou que conversaria novamente com ele, mas minimizou o problema dizendo que o comunicador é de “outra geração“.
Só que esse “argumento” só mostra que, na verdade, a emissora é conivente com as falas homofóbicas do famoso. Afinal, em outras polêmicas, o SBT também indicou que conversaria com o apresentador e adotaria medidas internas. E o que aconteceu depois? Nada.
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Os tempos mudam, mas emissora e apresentador continuam estagnados
E não estamos falando de um episódio isolado. Em 2026, o apresentador já acumulou diferentes controvérsias envolvendo a comunidade LGBT+. Em uma delas, por exemplo, comentou a presença de beijos entre pessoas do mesmo sexo na televisão. Além disso, fez uma declaração sobre a deputada Erika Hilton que gerou reação de entidades e autoridades.
Então, insistir na ideia de que tudo se resume a uma pessoa de “outra geração” acaba ignorando uma questão central: a sociedade mudou, e a televisão também precisa acompanhar essa mudança.
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“Antigamente era assim”
Aliás, dizer que “antigamente era assim” não justifica nada. Durante séculos, a sociedade tratou como “normais” práticas que hoje reconhecemos como violência e violações de direitos. fato de uma sociedade ter naturalizado determinado comportamento no passado não transforma esse comportamento em aceitável no presente. O racismo e a escravidão são grandes exemplos disso.
Inclusive, existe uma diferença entre liberdade de expressão e a responsabilidade de uma emissora ao colocar determinadas falas no ar. A televisão aberta não funciona apenas como entretenimento. Ela ocupa uma concessão pública e participa da formação do debate social.
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O que aconteceu com Sikêra Jr. deveria preocupar o SBT
Em junho de 2021, durante o programa “Alerta Nacional”, Sikêra Jr. fez declarações discriminatórias contra a população LGBTQIA+ depois de criticar uma campanha publicitária que mostrava diferentes configurações familiares. Na ocasião, a RedeTV! divulgou uma nota condenando a homofobia e afirmou que as declarações não representavam a posição da emissora. Sikêra também pediu desculpas posteriormente.
Só que o episódio não terminou com a nota da emissora. Em janeiro de 2026, ele foi condenado pela Justiça Federal pelas falas feitas. A pena chegou a três anos e seis meses de reclusão, substituída por prestação de serviços comunitários e outras medidas. E, em julho, a Justiça Federal manteve as condenações contra o comunicador e a emissora em duas ações civis públicas relacionadas a discursos discriminatórios. Sendo assim, ambos foram condenados ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos, além de honorários advocatícios.
Se o canal não agir, a conta pode chegar
Ou seja, se o SBT não ficar atento, uma hora a conta também vai chegar para eles. Por isso é bom se questionar, em quanto é tempo, se vale a pena deixar o Ratinho no ar só porque ele rende audiência.
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