
Dois ex-jornalistas reagiram para discutir as consequências da demissão de Frederic Kachar e os questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro, enquanto a Globo se defende.
Frederic Kachar foi desligado da Globo após a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a empresa, as conversas revelaram uma “relação inadequada” com um anunciante.
As mensagens citadas indicam que, em 2025, Vorcaro reclamou de reportagens da jornalista Malu Gaspar sobre o Banco Master, e Kachar teria prometido acompanhar o caso.
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Ruben Berta, que foi demitido após a chegada de Kachar ao comando da empresa, comentou o caso nas redes sociais. Ele fez críticas à direção editorial do jornal, mas afirmou não guardar ressentimento da empresa nem dos profissionais da redação.
“Ainda sobre o tema do dia, não carrego real mágoa do Globo, vivi inclusive situações piores em outros veículos. Minha principal questão lá foi e ainda é o principal veículo impresso/digital do RJ ser subserviente primeiro a Sérgio Cabral e depois a Eduardo Paes“, disparou.

“E isso obviamente não é culpa dos profissionais da base que trabalharam ou que ainda trabalham lá. Um do topo outro dia me mandou tnc no meu WhatsApp pessoal sem eu ter feito qq ofensa, mas enfim vida que segue. A luta é pra ter um jornalismo mais forte no nosso estado“, continuou.
Leonardo Lichote, demitido em 2019, também criticou a gestão de Kachar. Ele atribuiu ao executivo cortes de jornalistas e relembrou uma política interna que, segundo seu relato, restringia manifestações políticas de funcionários.
Lichote afirmou que há uma diferença entre a forma como ocorreu sua demissão e as circunstâncias que levaram ao desligamento de Kachar. Também questionou se a proximidade entre o executivo e Vorcaro poderia ter influenciado a cobertura jornalística ao longo dos anos.
“Fui demitido de “O Globo” em 2019, sob a gestão desse executivo. Da mesma forma, muitos outros jornalistas – vítimas de seus “tesouraços”, ou seja, demissões em massa (vulgo “passaralhos”). Foi em sua gestão que o jornal proibiu, em 2018, que seus funcionários manifestassem posições políticas – censura num momento em que a redação pensava de maneira diametralmente oposta (Lula) ao andar de cima da empresa (Bolsonaro)”, declarou no Instagram.
A Globo declarou que mantém compromisso com ética, transparência e independência editorial e argumentou que a cobertura crítica de seus veículos sobre o Banco Master demonstra que o trabalho jornalístico não foi subordinado à relação pessoal entre Kachar e Vorcaro.







