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Saiba mais sobre ‘Ligações Perigosas’, a nova minissérie da Globo

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Wandreza Fernandes
Editora chefe do Área VIP e redatora web há 15 anos. Especialista em Famosos, TV, Reality shows e especialmente em Novelas.

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Globo/Caiuá Franco
Globo/Caiuá Franco

Personalidades amorais e narcisistas dissimuladas sob uma superfície elegante e refinada. Sentimentos nobres e fortes revelados por trás de uma aparente fragilidade. A partir desta segunda, dia 4 de janeiro, o público vai acompanhar um embate entre a malícia e a inocência. Entre o desejo e a virtude. Entre o amor e a vingança. ‘Ligações Perigosas’, a nova minissérie da Globo, é escrita por Manuela Dias, com supervisão de texto de Duca Rachid, direção geral de Vinícius Coimbra e direção de núcleo de Denise Saraceni.

A minissérie pode ser vista como a história de uma mulher que tem o orgulho ferido pelo amante e decide se vingar. Ou, para um olhar mais profundo, a trama oferece uma pesquisa maior sobre o ser humano e sua intimidade mais perversa, ao mesmo tempo em que nos confronta com a ingenuidade extrema e o poder transformador do amor. – Manuela Dias, autora.

Com Patricia Pillar, Selton Mello, Marjorie Estiano, Leopoldo Pacheco, Alice Wegmann, Jesuíta Barbosa, Aracy Balabanian, Lavinia Pannunzio, entre outros, a minissérie de dez episódios é baseada na obra epistolar “Les liaisons dangereuses”, de 1782. Na época, o autor Choderlos de Laclos causou polêmica ao escancarar a hipocrisia da aristocracia francesa. Mas o livro sobreviveu às críticas negativas e conquistou gerações justamente por tratar a natureza humana com franqueza surpreendente.

Optamos por uma adaptação clássica, ou seja, com a história e os atores em primeiro plano. Escalamos um elenco genial. Fizemos um trabalho de quase um ano de leituras, releituras, discussão, simplificação. E conseguimos trazer a dramaturgia para a televisão de uma maneira plena. – Denise Saraceni, diretora de núcleo.

Inteiramente gravada e pós-produzida em 4K, a minissérie estará disponível em ultra alta definição no Globo Play, a plataforma de video on demand da Globo. A tecnologia tem quatro vezes mais resolução que o HD, proporcionando maior definição e qualidade de imagem. Além de contribuir com a experiência do público, o UHD permite que as produções tenham grandes avanços artísticos, se aproximando muito do que se vê hoje no cinema. Em ‘Ligações Perigosas’, cenas foram lindamente envelhecidas, mostrando que a tecnologia e a arte caminham juntas.

Dirigi uma das cenas mais bonitas da minha vida em ‘Ligações Perigosas’. Investimos na palavra e no talento dos atores com uma roupagem mais sofisticada, que agradasse o olhar e o coração das pessoas. – Vinícius Coimbra, diretor.

A ambientação da trama

Litoral da região sudeste do Brasil, 1928. Na fictícia Vila Nova, a alta sociedade consome com avidez as novidades que atravessam o Atlântico e desembarcam naquela costa. Moda, música, cinema, arquitetura, artes plásticas e hábitos europeus influenciam o comportamento da classe mais abastada. E o estilo de vida libertário de uns se choca com o apego a valores conservadores de outros. A década de 1920 com seus “anos loucos” é um grito de liberdade em que pudemos dar aos protagonistas a personalidade arrojada que eles têm, usando bases históricas. Eles são pessoas avant garde numa cidade pequena no sudeste do Brasil. Ao mesmo tempo, por ser uma época de ruptura de costumes, o eco dos antigos valores tem espaço para ressoar em outros personagens. Essa espécie de “pororoca histórica” fortalece o conflito entre os personagens mais avançados e os mais retrógrados. – Manuela Dias, autora. Mas, ao contrário do que pode parecer, por trás desta atitude transgressora não há causas nobres nem ideais revolucionários.

As ligações perigosas

Você não tem limite. E mesmo assim eu te amo como se você fosse uma pessoa sensata. – Augusto de Valmont

Você me ama porque não existe nada que você faça que eu não possa fazer pior. – Isabel D´Ávila de Alencar

Isabel D´Ávila de Alencar (Patricia Pillar) e Augusto de Valmont (Selton Mello) são libertinos convictos e amantes ocasionais. Ricos, elegantes, descompromissados e amorais, ocupam o tempo com eventos sociais, festas, viagens e novas conquistas. A reputação do bon vivant é conhecida na cidade. Isabel faz menos alarde. Ficou viúva ainda muito jovem e é admirada por estar “à frente do seu tempo”, sem desrespeitar as regras sociais da boa conduta. Discretamente, mantém uma relação de cumplicidade com Augusto há anos. Entre quatro paredes, a dupla arquiteta planos e envolve outras pessoas em seus jogos de prazer. Querem mostrar que não são manipuláveis nem descartáveis como os outros. E competem entre si para provar quem é mais hábil na arte da sedução.  Salta aos olhos atentos, durante a leitura do livro, o tema ancestral da disputa de poder que existe entre os sexos. A marquesa de Merteuil diz para o visconde de Valmont: “eu nasci para vingar o meu sexo sobre o seu”. O duelo entre feminino e masculino, matriarcado e patriarcado, é uma das forças motrizes da sociedade desde sempre e está muito presente na trama de Laclos.– Manuela Dias, autora. Até que um elemento inesperado desestabiliza essa parceria fundamentada na luxúria e na vaidade. Do alto de sua arrogância, Isabel e Augusto menosprezam os sentimentos alheios e se julgam imunes a eles. Não imaginam que o amor os afetará de maneira irreversível. Esse encontro do amor e da perversão é uma briga, uma guerra durante os dez capítulos. Estamos aqui lidando com personagens muito densos, fortes. A câmera vai trazer para o público com muita sensibilidade e com pouca interferência, a alma dessa história. – Denise Saraceni, diretora de núcleo

Eu não sou de me queixar. Eu me vingo. – Isabel D’Ávila de Alencar

Heitor Damasceno (Leopoldo Pacheco) é o caso mais recente de Isabel. O rico comerciante nunca se casou e enche a viúva de presentes e elogios. Vaidosa e segura de si, Isabel se diverte com a convicção de que logo o amante a pedirá em casamento – e ela responderá com um sonoro “não”.

Um dia, vem a surpresa: Heitor pede a mão da jovem Cecília (Alice Wegmann), filha de Iolanda Mata Medeiros (Lavinia Pannunzio), prima de Isabel. A menina tem 17 anos e desde os 10 vive em um internato de freiras. Aos olhos de Heitor, noiva perfeita e mãe ideal para os filhos que pretende ter.

Isabel não se conforma com o fato de ter sido preterida. E arma um plano para se vingar. Com a ajuda de Augusto (Selton Mello), vai fazer com que Cecília perca a virgindade antes do casamento. Para isso, vira confidente da sobrinha e passa a manipulá-la.

Aquele idiota acha que vai se casar com uma santa, recém-saída do internato, mas vai entrar na igreja com uma mulher feita. – Isabel D’Ávila de Alencar

A princípio, Augusto (Selton Mello) não se empolga com a tarefa – desvirtuar uma virgem ingênua soa pouco instigante para ele. Isabel (Patricia Pillar) decide, então, agir sozinha, e sugere que Iolanda (Lavinia Pannunzio) contrate um professor de música para Cecília (Alice Wegmann). Afinal, a menina precisa mostrar a Heitor (Leopoldo Pacheco) que foi muito bem educada.

Iolanda acata a sugestão da prima e contrata Felipe Labarte (Jesuíta Barbosa) para dar aulas de violoncelo à filha. O rapaz bonito e gentil é professor de piano de Isabel, e ela pressente que Cecília provavelmente se encantará por ele.  Felipe também se apaixona por Cecília, mas suas boas intenções frustram as expectativas da viúva. O professor quer se casar com a puplia e não ousa tocá-la antes de levá-la ao altar. Para Isabel, não resta alternativa além de recorrer mais uma vez ao cúmplice.

A vida é um teatro, Cecília. Só que a história acontece na coxia. – Augusto de Valmont

Contudo, nem Isabel (Patricia Pilla) contava que Augusto (Selton Mello) fosse investir em outra conquista: Mariana de Santanna (Marjorie Estiano), mulher casada e virtuosa que passa uma temporada na Quinta de Consuêlo (Aracy Balabanian). Enquanto o marido viaja a trabalho, Mariana fica à mercê do conquistador. Ele conta com a colaboração do fiel empregado Vicente (Renato Góes), que se envolve com Júlia (Yanna Lavigne), criada de Mariana. Ingênua, a moça acaba revelando informações que ajudam Augusto a se aproximar cada vez mais de sua presa.

A cada dia, a minha fraqueza se fortalece. Eu não estou mais sendo guiada pela virtude. Por mais que eu reze, tudo que é fundamental se tornou supérfluo. – Mariana de Santanna

Mariana (Marjorie Estiano) cai na armadilha e se sente cada vez mais atraída por Augusto. Mas o conquistador não contava que também provaria o próprio veneno. Ao tentar corromper Mariana, Augusto é surpreendido por um sentimento inédito: o Amor. E isso põe em xeque tudo em que acredita.

É quase que um veneno para Augusto, porque é incompatível com a vida que ele tinha antes. É muito contraditório, então gera um conflito muito grande dentro dele. – Vinícius Coimbra, diretor

O Amor é uma coisa horrível. Não tem nada de sublime, não tem futuro. O Amor é o fim de tudo que não é Amor. – Augusto de Valmont

Figurinos inspirados na elegância de ícones da época

Uma nova mulher surgia na década de 1920. Elas agora também votavam e trabalhavam fora, bebiam e fumavam em público, se exercitavam e se divertiam como os homens. Essa transformação no comportamento se refletiu na moda feminina. Livres dos espartilhos, as roupas ficaram mais leves, simples e práticas. A silhueta reta e elegante da época predomina no guarda-roupa das mulheres da minissérie. As diferenças entre cada personagem são marcadas através de cores, comprimentos e acessórios. “Eu tomei a liberdade de colocar a cintura mais para cima ou para baixo, aumentar ou diminuir o comprimento, para que a roupa refletisse o perfil de cada personagem”, afirma a figurinista Marília Carneiro, que fez questão de participar de todo o processo de caracterização. “Nós desconstruímos a época, tomamos liberdades. Por exemplo, a maquiagem está muito aproximada da gente, cabelos também, porque se você for muito fiel, vira uma caricatura”, pondera. Lucila Robirosa, caracterizadora da minissérie, reforça: “A pele é sempre muito limpa – nada de laquê, nem muito pó, nem base grossa, nada disso”. A caracterização de época foi reforçada na figuração: “Usamos maquiagem mais pesada nas mulheres que frequentam o bistrô e a garçonniére do Augusto. E, logo no primeiro capítulo, temos uma corrida de garçons em que todos os figurantes seguem o padrão dos anos 1920, com bigodes da época e cabelo com gel. Mas a caracterização dos personagens principais é mais leve, sobretudo a maquiagem”, completa Lucila. Os cabelos de Augusto (Selton Mello) e Isabel (Patricia Pillar) também destoam do que se via naquela década. “Augusto tem o cabelo rebelde, meio bagunçado, bem diferente do que os homens costumavam usar. Mas ele é um personagem que sai do padrão, então pudemos ter essa licença”, explica Lucila Robirosa. Ao invés do corte curto e geométrico, Isabel tem os cabelos bem longos e ondulados. Os cabelos até a cintura deram um visual mais selvagem à protagonista da trama. “Quando Isabel está em público, o cabelo está sempre preso com um coque comportado, para passar a imagem de mulher recatada. Em casa, ela revela a sensualidade com os cabelos sempre soltos”, explica o cabeleireiro Vini Kilesse, da equipe de caracterização. Marília Carneiro confessa que o figurino de Isabel (Patricia Pillar) é seu grande xodó: “Ela é o luxo, a beleza, a ostentação e, sobretudo, a vanguarda”. Vanguarda que, naqueles tempos, se personificava na figura de Coco Chanel: “Tudo que eu coloquei em Isabel, por mais louco que possa parecer, por mais absurdo, Chanel usava. Ela tem um certo excesso que a Chanel tinha também, era tudo muito: muito colar, muita pele, muita coisa, muita informação”. Logo no primeiro capítulo, Isabel atrai todos os olhares em cena gravada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. “Eu pensei na Jean Harlow, atriz dos anos 20 que usava sempre cetim branco com peles brancas. Eu apresento a Isabel ao público assim, com um vestido de jersey branco, estola de pele branca, pena na cabeça, todos os ícones da época”, descreve Marília. Dentro de casa, Isabel é despojada: além do cabelo solto, costuma estar com os pés descalços e usa robes, camisolas longas e macacões de tecidos leves. A figurinista também faz questão de falar sobre um vestido que será usado pela Isabel jovem (Isabella Santoni) no enterro do marido. O longo preto com penas na gola foi criado pela figurinista Kalma Murtinho para o filme “Amélia” (2001), que retrata a visita da atriz Sarah Bernhardt ao Brasil. Depois da morte da figurinista, em 2013, o vestido foi doado a Marília Carneiro, que decidiu fazer uma homenagem à amiga e mentora: “Esse vestido é rico, achei que ia ficar bem na Isabel jovem, recém-viúva de uma pessoa riquíssima”.

Augusto (Selton Mello) não fica devendo em elegância. “Eu me inspirei em fotografias de um parceiro de Chanel, que vivia no balneário de Deauville, na França, onde a estilista abriu a primeira loja. Era um playboy que se vestia divinamente bem. Ele usava um lenço branco no pescoço que eu decidi colocar no Augusto, e deu certo”, conta Marília. Ternos e sobretudos são a base do figurino moderno e charmoso do personagem. Sobre Mariana (Marjorie Estiano), Marília diz que o figurino reflete a “pureza em pessoa”. Vestidos leves e comportados passam um ar de castidade, sem transformá-la numa freira. O rosto angelical de Cecília (Alice Wegmann) é complementado por vestidos em tons pastel, que dão um ar de boneca de porcelana à jovem. Quanto ao professor Felipe (Jesuíta Barbosa), a figurinista diz ter buscado inspiração em personagens de histórias em quadrinhos. “Ele usa gravatinha borboleta, colete, bonezinho. Não tem luxo, mas tem o desenho bem arrumadinho que também dá a ele um ar de ingenuidade”. Destaque também para o figurino de Iolanda (Lavinia Pannunzio): “Ela é tão formal, tão seguidora das regras que segue até a moda. Então ela está bem anos 1920: cabelo, chapéu, vestido, o comprimento, a cintura. É uma pessoa convencional, que se preocupa com o que o vizinho vai pensar”, analisa Marília.

Locações e cenários imponentes

A imponência é a marca dos cenários e locações de ‘Ligações Perigosas’. Um dos cenários mais impressionantes é a casa de Isabel (Patricia Pillar). Na sala, com 310 metros quadrados e 5,6 metros de pé-direito, destacam-se o piso com desenho art déco feito com três tipos diferentes de madeira, os janelões, a lareira e o jardim de inverno com direito a fonte. A equipe de cenografia seguiu as proporções de um palacete de verdade para manter o equilíbrio entre os cenários de estúdio e as locações. A decoração reúne o que havia de mais contemporâneo na década de 1920: sofás, biombos, e mesas art déco, objetos art nouveau, obras de arte de André Lothe, Fernand Legér, Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida, Victor Brecheret e Honório Peçanha. A cor azul predomina no ambiente. O quarto segue a mesma linha, com destaque para o grande espelho redondo sobre a cama, algo inusitado para a época. “A gente conseguiu trazer um refinamento de gosto, uma riqueza de escolhas que só com uma personagem como Isabel seria crível acontecer. É uma personagem viajada, que traz móveis da Europa e faz uma releitura do espaço tradicional”, explica o cenógrafo Paulo Renato. Outro cenário que se destaca pela ousadia é a garçonniére de Augusto (Selton Mello), montada no Palacete Modesto Leal, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro. O lugar usado para encontros e “festinhas” conta com um bar e uma “piscina de almofadas”. As janelas e cortinas estão sempre fechadas, e a luz é indireta. Segundo Paulo Renato, há um excesso proposital de objetos e um toque de orientalismo: “Augusto percorreu o mundo inteiro e trouxe lembranças de viagens de vários lugares”. Cabeças empalhadas de animais penduradas na parede completam a decoração exótica. “São coisas fora do padrão, mas totalmente possíveis dentro desse personagem”, define Paulo Renato.

Sobre a casa de Mariana (Marjorie Estiano), o cenógrafo explica que “é um cenário mais sombrio, com paleta em tons mais escuros. Ela é uma pessoa contida, dentro da fé religiosa dela. E, depois, quando descobre o amor, ela se abre para a vida e fica um pouco mais solar”. O diretor de arte Mário Monteiro destaca o cenário da Quinta de Consuêlo (Aracy Balabanian): “A gente fez uma coisa mais conservadora e clássica para diferenciar bem, porque ela é uma senhora que nasceu no século XIX, então mantivemos uma linguagem do século anterior. A direção optou por usar luz de velas e lampiões a gás, para mostrar que estamos viajando para outro tempo dentro da mesma história”. Paulo Renato completa: “Nós fizemos a transposição de uma proposta europeia para o Brasil. É uma casa próxima da praia que a Consuêlo herdou da família. São personagens ricos que permitem essa exuberância”. O Palacete Modesto Leal também serviu de locação para a casa de Iolanda (Lavinia Pannunzio). A decoração é sóbria como a personagem: móveis brasileiros, clássicos, objetos discretos e papéis de parede com padrões geométricos da época. No quarto de Cecília (Alice Wegmann), bonecas, bibelôs, rendas e cortinados refletem uma inocência que em breve deixará de existir. “A Cecília é uma garota que saiu de casa aos 10 anos de idade pra ficar interna num convento esperando o casamento, e o quarto foi deixado intocado. É um quarto de menina, embora a gente esteja apresentando uma mulher que está florescendo na minissérie, mas ainda dentro daquele ambiente infantil”, explica Paulo Renato.

Outras construções históricas do Rio de Janeiro e de Niterói, na região metropolitana, serviram de locação para a minissérie. Entre elas, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Teatro Municipal de Niterói, o Palácio São Clemente e a Fortaleza de Santa Cruz da Barra. Paulo Renato explica que a opção por estes locais seguiu o tom grandioso da minissérie: “Buscamos espaços onde o ambiente fosse amplo, e as paredes sempre estivessem num plano distante dos personagens. Junto disso, também buscamos os extremos. Para o ambiente do convento, por exemplo, nós procuramos uma aridez, uma solidez, uma construção toda de pedra para contrastar com a elegância dos salões nobres dos personagens mais ricos, como a Quinta de Consuêlo”.  Muitas peças usadas nos cenários e locações foram desenhadas pela equipe de cenografia e produzidas nas oficinas do Projac. “Há uma certa dificuldade em conseguir peças dessa época aqui no Brasil. E peças autênticas estão muito valorizadas, principalmente o mobiliário. Então a gente teve que recriar, desenhar e produzir esses móveis todos. Foi um trabalho braçal”, revela Mário Monteiro. “Em algum momento eu achei que poderia encontrar em antiquários. Fiz uma busca e, em paralelo, fui traçando a pesquisa, o desenho. E a solução realmente foi o desenho”, revela Paulo Renato. Como exemplos, cita as colunas com entalhes art déco e o bar da garçonniére do Augusto, feitos sob medida para o cenário. “Foram apostas bem arriscadas e ousadas que funcionaram, caíram como uma luva dentro da proposta que a gente lançou”, finaliza o cenógrafo.

Os desafios da produção de arte

Personagens ricos que faziam viagens e tinham acesso ao que havia de mais contemporâneo no mundo inteiro. Para a equipe da produção de arte de ‘Ligações Perigosas’, descobrir detalhes da rotina da aristocracia brasileira dos anos 1920 foi um desafio e um grande prazer. “A gente parava as senhorinhas na rua e perguntava como era a tintura do cabelo, como ela usava o esmalte… Consultamos muitos livros e filmes, claro, mas a busca é de todo jeito, o tempo todo”, conta Flávia Cristofaro, produtora de arte. Antiquários e feiras de antiguidades são fontes inesgotáveis de materiais e de pesquisa, revela Flavia: “Você vê uma peça que não sabe qual é a função dela, aí você começa a conversar com o dono e ele dá uma aula que te abre uma ideia. Se aquela peça não servir, você constrói outra com material de hoje e por aí vai. É uma caixa de surpresas o tempo todo”. Por conta da dificuldade em encontrar objetos de época, a maior parte deles foi confeccionada: “Você pega uma peça daqui, outra dali, que encaixa aqui, envelhece ali, encontra os tons corretos, o nosso branco, o nosso bege, os nossos relevos e texturas”. Não foi preciso pesquisar muito para constatar que o exotismo estava em alta na década conhecida como “anos loucos”. E a produção de arte fez questão de levar a tendência para alguns momentos da minissérie. Em uma festa na casa de Isabel (Patricia Pillar), dois faisões e um pavão feitos de gelo, cada um com um metro de altura, enfeitam a mesa. Convidados fantasiados se penduram em balanços e aros presos ao teto. Elementos orientais como narguilés, tecidos indianos sobre os sofás e grandes almofadas espalhadas no chão complementam o clima “mil e uma noites”. Para as cenas que mostram a vida noturna agitada de Vila Nova, o belíssimo restaurante Assirius, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi transformado em um bistrô. Dançarinas burlescas dividem o palco com uma cobra albina, um cão amestrado e outras atrações exóticas em um típico show de variedades da época. Na banda que acompanha as performances, destaque para o teremim, instrumento inventado em 1919 por um russo que conseguiu produzir sons com a interferência das mãos em duas antenas. O night club de ‘Ligações Perigosas’ conta ainda com uma mesa de cassino original e um croupier de verdade, que trabalhou em cassinos na época em que o jogo era permitido no Brasil. O Palácio São Clemente, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, serviu de locação para as cenas que retratam um salão de chá de antigamente. Uma consultora de etiqueta foi contratada para ensinar os protocolos da época para atores e figurantes: “Fizemos uma apostila – quando estou de chapéu, quando estou de luva, quando tiro o chapéu, como é que cumprimenta, como é que come, como é que eu sento, pode cruzar a perna, não pode”, enumera Flavia. Além disso, um chef de cozinha reproduziu a delicadeza dos bolos, tortas e outros quitutes que ajudaram a compor as mesas.  Na cidade cenográfica, uma das cenas mais trabalhosas foi a reprodução da corrida de garçons. A gravação contou com 90 figurantes, entre eles 40 garçons profissionais. Eles correm pelas ruas de Vila Nova equilibrando bandejas com copos e garrafas. Ao fundo, vitrines antigas nos transportam para aquela época: tem loja de sapatos, chapéus, alfaiataria, confeitaria, floricultura. “Nós escolhemos os nomes de cada loja, decoramos as vitrines com louças, chapéus, sapatos, tudo garimpado no nosso acervo”, detalha Flávia. “Tinha até um carroceiro fazendo a entrega de barra de gelo. O interessante é que o gelo nessa época era uma coisa em voga, tomar sorvete nas confeitarias era um luxo, então a gente quis mostrar um pouquinho disso”, conta.

As gravações na Argentina

Em outubro, a equipe e o elenco de ‘Ligações Perigosas’ passou duas semanas na Argentina para gravar cenas em locações externas. O Palácio Santa Candida, em Concepción del Uruguay, serviu de locação para as cenas externas da Quinta de Consuêlo (Aracy Balabanian). Considerado monumento histórico nacional, o palácio foi fundado em 1847. A construção inspirada em uma vila da Toscana é do arquiteto italiano Pedro Fossati. O litoral de Puerto Madryn, na Patagônia argentina, foi o cenário escolhido para momentos decisivos da minissérie. As cenas foram gravadas em praias e enormes falésias de onde é possível avistar as dezenas de baleias que visitam a região nessa época. Para dar um toque inusitado à locação, a equipe de produção de arte produziu uma ossada de baleia com 10 metros de comprimento, feita de poliuretano, especialmente para as gravações na região.

Fotografia e iluminação de cinema

Imagens com iluminação natural, profundidade e textura. Em vez da nitidez absoluta, “a gente está, digamos assim, sujando um pouco essa imagem para ganhar um glamour da época da história”, explica a diretora de núcleo Denise Saraceni. “Para ‘embrulhar’ essa história na temperatura que a gente queria, convidamos o diretor de fotografia Jean Benoît Crépon, francês que mora no Brasil há muitos anos e que tem, como uma de suas características, uma leitura poética da imagem. Estamos acompanhando a dramaturgia com a transparência da imagem digital que às vezes está esfumaçada, no clima do cinema mesmo”, completa. Criado em Versailles, Jean Benoît Crépon conta que buscou referências na luminosidade dos palácios franceses e em pinturas clássicas. Refletores potentes e máquinas de fumaça foram utilizados em todas as gravações. “Usei refletores mais pesados e misturei com fumaça para dar mais profundidade, sem mostrar muito o cenário. O desafio, na verdade, não era iluminar o cenário, era iluminar os atores, como nas pinturas de Caravaggio. E acho que conseguimos ter esse resultado”, analisa o diretor de fotografia. A grande preocupação de Jean foi manter a unidade de luz em toda a minissérie: “Como a gente tinha cenas externas, nos estúdios e em locações, o desafio era que tudo isso casasse bem. Então procurei fazer uma luz diferente e natural ao mesmo tempo. Acabei posicionando a luz sempre de um lado só, entrando pela janela, uma única fonte de luz rebatida para o resto do cenário”. E se a cenografia e a produção de arte imprimiram aos ambientes a personalidade de cada personagem, a fotografia e a iluminação seguiram o mesmo caminho. “O cenário da Isabel é mais azul, a garçonniére é mais fechada, menos iluminada, a Quinta é mais ensolarada. Para cada cenário a gente foi buscando uma luz própria, mas sem perder a unidade, principalmente na pele das pessoas”, explica Jean.

Trilha sonora atemporal

Uma trilha sonora com grandes clássicos, mas também com um toque forte de modernidade. O produtor Sacha Amback compôs temas incidentais impactantes, aliando a música instrumental ao uso de sintetizadores. “O som eletrônico combina com instrumentos acústicos, como cordas e piano. Funciona como uma textura, faz uma ambientação sem destoar da época. Dramaticamente, é um recurso natural, disfarçado”, define Sacha. Para as cenas em que os personagens tocam algum instrumento, a preferência foi por composições clássicas consagradas. Nas aulas de piano de Isabel, ouve-se “A Sagração da Primavera”, de Ígor Stravinsky, e “Petite Suite”, de Claude Debussy. Quando Felipe e Cecília se encontram pela primeira vez, o rapaz toca uma composição de Johann Sebastian Bach no violoncelo. Sacha Amback também incluiu na trilha músicas do pianista e compositor brasileiro Ernesto Nazareth. Sacha explica que tentou fugir da trilha sonora óbvia daquele tempo: “Tem uma música que eu toquei em cena que parece uma marchinha de Carnaval, mas não é, é uma música alemã da época. Buscamos esse caminho não trilhado, não conhecido, para não passar a sensação de que aquilo já foi ouvido antes”. O produtor musical elege uma música preferida na trilha: “Mayari”, do Lecuona Cuban Boys, orquestra cubana dos anos 1930. “É uma rumba, mas o som da percussão é meio melancólico, tem alguma coisa diferente ali, é uma música que poderia ser contemporânea”. Collete D´Ór, personagem performático interpretado por Darwin Del Fabro, canta “Mayari” em cena gravada no bistrô de Vila Nova. “É um hit. Você ouve uma vez e não tira mais da cabeça. E a performance do Darwin é muito boa”, avalia Sacha.  Apesar das composições inspiradas no Charleston, “coqueluche” na época, e de um toque de brasilidade, Sacha Amback afirma que a trilha de ‘Ligações Perigosas’ “poderia se passar em qualquer lugar e em qualquer época, como a própria história da minissérie. Se você ouvir essa trilha daqui a 30 anos, você não vai ter certeza de quando foi feita. Ela não é datada”.

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Wandreza Fernandes
Editora chefe do Área VIP e redatora web há 15 anos. Especialista em Famosos, TV, Reality shows e especialmente em Novelas.

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