Evandro Santo na Área!

Evandro Santo na Área!Olá colegas. Olha eu de volta na Área, pronto para o abate! rs… E olha que desta vez vai ser um babado daqueles. Nany People, agora em horário nobre da Globo, mais popular do que nunca, se escancarou numa linda entrevista para euzinho aqui. Uma das estrelas de “O Sétimo Guardião” e eterno simbolo do humor, do movimento LGBT e das Artes, fala sobre polêmicas, carreira, sua chegada à Globo e sua passagem pelo reality “A Fazenda”. Além disso, fez uma linda declaração de gratidão para uma grande estrela da televisão. Quer mais? Tudo isto e ainda com lindas fotos exclusivas desta querida figura que exala arte por onde passa.

Vamos conferir?

Nany People, mais popular do que nunca, se escancara para mim na Área! Leia a entrevista:

Nanny People - Foto: Marcos Guimarães/Designorama
Nany People – Foto: Marcos Guimarães/Designorama

Evandro – Nany, a primeira pergunta é o seguinte, nesses tempos de LGBT, em que as pessoas estão se definindo com siglas e qualquer coisa fora da vírgula causa polêmica, por exemplo, o caso do Nego do Borel e da Anitta, você acha que tem realmente que ter essas siglas e as pessoas devem se definir pela sexualidade ou você já deu um passo além em definir pessoas como pessoas e a sexualidade uma coisa a parte?

Nany People – Olha, vamos por parte, primeiramente essa emblemática toda de Anitta, Nego do Borel, e o que foi dito e não foi dito, francamente eu não acompanhei direito. Respondendo sua pergunta diretamente sobre siglas, a gente descobre que ficou coroa quando você acorda e vê um monte de invenção no mundo que você não está bem a par. Então, assim, eu sou do tempo que só tinha o LGBT, que era GLS e depois ficou o LGBT. Agora tem nomenclaturas que eu sei, por exemplo, no Metrô de Nova York tem 33, no Facebook tem 35, ou vice-versa, nomenclaturas de identidade de gênero. Eu francamente não sei te dizer nem em que gênero eu to mais. Porque tem essa coisa de ser binário, não binário, quaternário, eu não se te dizer. Eu acho que não se pode perder é o respeito pela pessoa, o respeito pra não dizer coisas que vá agredir, macular ou deixar o outro constrangido. Então, eu acho que a partir do momento que alguém responde um elogio de alguém, como foi o caso do Nego do Borel, ele diz de uma maneira grotesca, nada engraçada, nada divertida, aí deu essa celeuma toda. Então, eu acho que tem que se tomar cuidado com o que dizer e como é dito isso pras pessoas. Há de se respeitar a identidade de gênero, mas assim, a partir do momento que você respeita o ser humano, respeita a integridade do outro, você respeita todos os gêneros. Se você põe o respeito que você gostaria de ter com você no outro, você consegue de cara evitar um monte de contratempo.

…a coisa que eu mais tenho orgulho e gratidão a Deus é isso, de ter tido a consciência desde muito cedo que eu queria ser artista. Eu queria fugir com o circo, eu queria cantar, representar,…

Evandro – Agora você está na novela das oito (eu diria das nove) e isso pode ser uma partida pra grandes coisas. Quando você começou na carreira artística como era o teu objetivo máximo, era novelas, era cinema, era TV, o que passava pela sua cabeça, conhecida como a primeira dama dos stand-ups. Quando você falou: ‘eu estou no ápice meu’, foi nos palcos das boates, foi fazendo stand-up, foi fazendo novela. Você está se sentindo nesse ápice agora?

Nany People – Eu costumo dizer, que eu abro minha biografia falando que no meu caso foi uma predestinação ser artista, eu já nasci predestinada a isso. Desde que eu morava no sul de Minas Gerais, numa cidade muito pequena chamada Serrania, onde eu fui criada até os 7 aos de idade. Eu já queria ser artista com 4 anos, queria vir pra São Paulo pra cantar na televisão, então eu já tinha essa coisa de querer ser artista. Foi a única certeza que eu tive na minha vida. A partir daí você fazer desse sonho uma realidade e viver dela, depende de ‘n’ fatores, de formação, formatação, sorte, estrela, postura, conduta, firmeza, fé. Então eu nunca tive aquela coisa de ‘estou fazendo isso pra chegar aquilo’. Como minha formação está diretamente ligada ao teatro, foi o teatro que me impulsionou pras outras áreas. Pra cinema, pra rádio, pra escrever, fazer evento, fazer stand-up, pra fazer teatro. Então, o teatro é a base de tudo. Eu queria ser artista, atriz veio depois, porque até então eu nem tinha consciência da minha transsexualidade, eu não tinha noção disso, não tinha nome pra isso. O nome veio depois. Agora, ser artista estava em mim, a coisa que eu mais tenho orgulho e gratidão a Deus é isso, de ter tido a consciência desde muito cedo que eu queria ser artista. Eu queria fugir com o circo, eu queria cantar, representar, eu queria estar no palco, independente de que área fosse.

Eu não tenho essa consciência, causa, efeito, não. Você vai escrevendo sua história por sobrevivência, por instinto, por reação às coisas que acontece e por objetividade de querer fazer tal projeto. Eu nunca fui uma pessoa de falar: ‘hoje meu dia vai ser assim, assim, assim’. Eu tenho alguns tópicos só, até porque minha vida muda num telefonema, sempre.

Nanny People - Foto: Marcos Guimarães/Designorama
Nany People – Foto: Marcos Guimarães/Designorama

Evandro – Quando iniciaram as gravações (O Sétimo Guardião) você segurou a onda ou você ficou muito emocionada de contracenar com a Lilia Cabral. Você é tiete também? Embora você tenha muito tempo de televisão , tem gente que você treme na base e fala: ‘Meu Deus’. Qual foi a pessoa que você mais tremeu na base de chegar perto. E como é a relação com a Lilian, você aprende com ela, ela com você, tem recíproca de atrizes?

Nany People – Meu amor, eu sou a pessoa mais tiete assumida e convulsionada. O primeiro dia que ia ter um workshop com a Lilia, só nós duas, foi marcado na Globo, eu cheguei antes de todo mundo. Quando eu vejo vem chegando o carrinho de golfe, vem chegando ela. Ela foi chegando perto eu falei: ‘olha eu tenho que dizer, eu não sei se eu acendo uma vela, se eu solto um rojão, se eu celebro uma missa ou chamo o Samu’. Ela muito educada, queridamente, falou: ‘me dá um abraço’. Resumindo, a gente ficou cinco horas batendo papo e foi lindo e soube depois da torcida que ela fez pra que eu ficasse com o papel realmente.

Aí depois quando começaram as gravações eu fiquei três semanas gravando sozinha de múmia. A primeira cena de estúdio que eu fui fazer com ator da novela foi com o Seu Tony Ramos. Eu cheguei e falei: ‘Você vai me desculpar, mas eu estou muito nervosa. Pra mim é uma honra estar aqui diante do senhor e estou muito feliz de ter chegado até aqui’. Ele me abraçou  e disse: ‘minha filha, vai dar tudo certo, nós vamos fazer uma história linda, você está sendo muito bem-vinda, muito celebrada sua participação’. Um lorde, todos eles, todo o elenco da novela. Curiosamente, todo o pessoal de teatro, já que tem muita história pra contar, todo mundo tem algum amigo que já trabalhou comigo em algum lugar. Então, de Zezé Polessa a Ana Beatriz Nogueira, tem sempre alguém que teve alguém que já trabalhou comigo, que já me conhecia. Por exemplo, eu estou fazendo par direto com o Heitor Martinez, que faz o bofe lá que ela beija na boca, aquela celeuma toda, o Robério (na trama), ele tem uma amigo, o Marcelo Várzea, que fez uma peça comigo há 20 anos. É o que eu falo, até nisso o teatro me ajudou. O teatro foi meu grande habeas corpus pra chegar a ser tão celebrada e tão bem recebida nesse elenco, nessa trama da novela das nove de gigantes, de diretores, de atores , eu to muito feliz. E eu sou aquela tiete convulsionada.

Coisa que eu não entendo como as pessoas blefam na vida achando que isso é ser mestre em alguma coisa. Isso é ser raso, ser superficial. Isso o tempo tem mais me ensinado, quanto mais você sabe, mais se aprende, quanto mais se aprende, menos você tem certeza.

Não sou de fazer blasé em lugar nenhum, qualquer lugar que eu estou. Quando eu fui entrevistar a Marília Gabriela pela primeira vez eu disse a ela: ‘eu estou muito feliz, muito contente e muito nervosa de estar aqui diante da senhora, porque sou sua fã e me inspirei em muita coisa na história da sua carreira e da sua vida’. Ela se emocionou muito com isso. Lilia Cabral, por exemplo, em 1983 eu fui de Minas (Gerais)  a São Paulo assistir Feliz Ano Velho, saí do teatro com a certeza de que era isso que eu queria fazer da minha vida. Eu disse isso a ela com todas as letras. Fiz um solo agora aqui no Rio de Janeiro e eu disse isso.

A gente se diverte muito, a gente troca muito, a gente se ouve muito, então, por isso que a química tá boa, tá passando pro expectador a nossa química tá muito boa, nossa dobradinha tá muito boa Marcos Paulo e Valentina, tá orgânico.

Evandro – Quando eu participei de A Fazenda, eu tomei uma decisão lá, ou eu enlouquecia ou eu saía melhor de lá. Então, eu saí melhor de lá. Pra foi fazer o primário de novo na escola, só que com consciência.  Como você descreve sua experiência em A Fazenda. Ver valores antigos do interior, que é acordar cedo, cuidar de animais. Teve uma Nany antes e depois de A Fazenda, ou foi apenas a coisa se agregando a sua personalidade e sua riqueza emocional e cultural?  

Nany People – A Fazenda, até hoje mesmo, depois de nove anos, foi um grande divisor de águas na minha vida. A Fazenda, de certa forma, mostrou às pessoas uma Nany, foi a pergunta que me pôs lá dentro: ‘porque você quer entrar na Fazenda?’.  Eu queria mostrar pras pessoas que eu estava acima do personagem que eu tinha criado. Eu queria mostrar a Nany com seus conceitos, seus preconceitos e seus valores. Eu consegui. A Fazenda me humanizou mais, tirou aquele estereótipo da drag e criou mais a figura da Nany humana com valores de criação, de falar a verdade, de ser transparente, de ser imprevisível, de não fazer jogo. Coisa que eu não entendo como as pessoas blefam na vida achando que isso é ser mestre em alguma coisa. Isso é ser raso, ser superficial. Isso o tempo tem mais me ensinado, quanto mais você sabe, mais se aprende, quanto mais se aprende, menos você tem certeza. Tem coisas que você não pode perder de você, são seus valores enquanto pessoa. Não fazer jogo. Porque faz parte do jogo em função de ganhar grana. Não é isso. Dinheiro é só o esterco, é um adubo pra adubar sonhos. Mas se o dinheiro não for conquistado com garra, com sobriedade, com honestidade, ele não vinga. Então, A Fazenda me ensinou isso, a não perder o fio da meada e nunca duvidar das minhas crenças e dos meus discursos.

Nanny People - Foto: Marcos Guimarães/Designorama
Nany People – Foto: Marcos Guimarães/Designorama

…eu encho a boca pra falar: ‘me inspirei em Nani Venâncio pra vir Nany People e Nany People hoje é meu nome. Nany People Cunha Santos e bendita a hora que eu me inspirei em você.

Evandro – Todo mundo tem uma musa, a minha é a Madonna, meu oráculo é a Madonna. Eu sei que seu nome foi inspirado na grande musa Nani Venâncio, que é uma gracinha de pessoa, e nós do Área Vip, a gente tem uma parceria muito legal com ela, e quinta-feira eu estarei lá. Queria saber se você quer mandar um recado pra ela. Não vou contar pra ela, vou falar isso pra ela no ar, se você me permitir soltar o seu áudio e acho que ela vai ficar muito feliz que é uma pessoa que eu conheci de leve e quando entrei no camarim ela dividiu comigo as empadinhas, a gente ficou rindo e eu nunca mais parei de falar com ela todo dia. Tem algum recado pra Nani Venâncio?

Nany People – Eu tenho todos os recados pra Nani Venâncio. Eu tenho recado de gratidão, de devoção, de a mesma admiração de quando eu a vi pela primeira vez e resolvi colocar meu nome de Nany em função dela, em homenagem a ela, em referência a ela, quando eu precisei de um nome na noite veio o Nany devido a ela, o People é porque eu sempre fui muito falante mesmo. Então a Nani sempre foi benevolente demais com todas as pessoas, sempre tendo um abraço pra todo mundo, uma pessoa de bem com a vida, uma pessoa do bem, uma pessoa de luz. Aí o mundo girou em 96 fomos fazer um infantil e tive a felicidade de ela estar produzindo esse infantil e eu disse a ela: ‘eu faço show na noite e tem um personagem que eu me inspirei em você, foi muito divertido aquele jeitinho dela: ‘Meu Deus eu estou precisando de um ator, chega uma mulher’. Foi muito divertido. Nani, eu só tenho que te agradecer cada vez mais e eu encho a boca pra falar: ‘me inspirei em Nani Venâncio pra vir Nany People e Nany People hoje é meu nome. Nany People Cunha Santos e bendita a hora que eu me inspirei em você. Dizem que os afilhados puxam para os padrinhos. Eu quero ter a sorte, a transparência e a dignidade na vida que você tem com todo mundo que te adora, que te ama. Um beijo dinda. Me emocionei.

Fotos: Marcos Guimarães/Designorama



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here