Alinne Moraes (Globo/João Miguel Júnior)
Alinne Moraes (Globo/João Miguel Júnior)

Completando 16 anos de carreira, Alinne Moraes volta às novelas com mais uma vilã. Em ‘Espelho da Vida‘, trama de Elizabeth Jhin que estreia no próximo dia 25, a atriz será Isabel, uma jornalista moradora de Rosa Branca que teve um romance com Alain (João Vicente de Castro). O diretor de cinema tem aversão à ex-noiva, que fará de tudo para reconquistar o coração dele.

Em entrevista ao ‘Área Vip‘, no lançamento da novela, a atriz falou da personagem, do filho e da curta relação com o pai.

Confira a entrevista:

Espelho da Vida - Isabel - Alain - Cris (Globo/João Miguel Júnior)
Espelho da Vida – Isabel – Alain – Cris (Globo/João Miguel Júnior)

Você viveu uma mocinha em ‘Além do Tempo’ e agora volta a trabalhar com Elizabeth Jhin. Como será esse novo trabalho?

Voltar como antagonista é a coisa mais incrível do mundo. Em Além do Tempo também contamos duas histórias. Então agora é um trabalho completamente diferente, numa outra posição. A outra antagonista dela, de Além do Tempo era mais mimada e mais leve, essa realmente é bem pesada, ela é meio demoníaca. Tanto que quando fui fazer a escolha do vestido (para figurino), eu falei  ‘bora pro vermelho’.

Isabel também terá uma relação conturbada com a mãe. Que conflitos vem por aí?

Ela acusa a mãe de nunca ter estado presente na vida dela. De tê-la deixado quando mais precisou. E ela realmente precisou dar a volta por cima para se manter na cidade, por ser mãe solteira. A mãe não esteve presente, preferiu ir atrás de sua ligação religiosa, para se fortalecer e salvar a filha, mas a filha não consegue ter esse entendimento e só julga a mãe, e a cobra por coisas do passado.

Vai ter um pouco de humor na Isabel?

Eu acho que toda vilania, principalmente quando é muito ao extremo, fica tão surreal que ela acaba tendo um ponto de leveza. São tão surreais as possibilidades que ela se torna um pouco engraçada, pouquinho.

Ela está nas duas histórias, da década de 1930 e 2018?

Vai sim. Muito dessa vilania toda dá para entender o motivo. Ela se tornou essa mulher amarga, má, e egoísta por conta desse passado visto em 1930. Não posso dizer que quem era bom vai ficar ruim, quem era ruim vai ficar bom, mas vocês vão se surpreender o tempo inteiro. É uma loucura.

E como foi a preparação para viver a personagem?

A gente começou a preparação para 1930 agora, está tudo bem recente. Brinco que é um trabalho esquizofrênico. Ao meio dia estamos em 1930, às seis da tarde estamos em 2018. Como não temos cidade cenográfica por uma opção do Pedro Vasconcellos (diretor), a gente está tendo essa coisa de cinema, de ter a oportunidade de estar em uma cidade de verdade gravando. O que deixa tudo um pouco mais delicado por termos que viajar sempre para Mariana, Tiradentes e Carrancas (Minas Gerais). As imagens são lindas, trazem uma veracidade incrível.

Já teve a sensação de deja vu?

Já, muitos,  Acho que todo mundo já deve ter tido essa sensação. Não é raro comigo, e como viajei muito, sempre tenho a sensação que já estive naquele lugar. Não fica claro o que é essa sensação, mas é muito boa. Outro dia estava com meu marido em um restaurante, estava tocando uma música, ele fez um gesto e eu pensei: ‘Gente, já estive aqui antes. Você fez esse gesto e estava tocando essa música desse mesmo jeito’.

E você acredita em vidas passadas?

Não. Acredito que teve um delay de memória, ou no máximo uma sensação que me dá um alívio que está tudo bem. Eu já acreditei muito (em reencarnação), mas não acredito, nem desacredito. Tenho muita coisa para pensar nesse momento do que ficar pensando se tem outra vida ou o que acontece depois que a gente morre. Essas perguntas eu me fazia quando bem pequenininha, até mais ou menos 7 anos e foi diminuindo. Tem gente que se pergunta depois dos 30, 40, e cada um tem um momento certo. Nesse momento da minha vida, tem coisas que exigem tanto de mim que não presto atenção nessas outras.

Você tem alguma religião?

Não, só desejo o bem das pessoas. Me coloco muito no lugar das outras pessoas, não gosto de fazer nada com os outros que eu não gostaria que fizesse comigo, nem com meu filho, nem com a minha família. Acredito que a bondade gera bondade. É a única coisa que eu acredito.

O Pedro (filho) foi com você nas viagens para as gravações em Minas Gerais?

Não. Em ‘Além do Tempo’ eu ainda estava amamentando, então ele ficou comigo um mês e meio viajando. Agora ele acabou de completar 4 anos e ele já tem a rotina dele, os amiguinhos dele. O que eu combinei com a produção é o seguinte. Ficamos 10 dias por mês lá, eu pedi para ficar dois dias, voltar, depois ir de novo. Eu sou a única do elenco que tenho filho pequenininho, e gravo muito então eu falei, ‘gente eu vou estar 100% pra vocês, se minha vida estiver ok eu vou estar 100% aí’.

Você fez alguma preparação especial pelo fato dela ser uma vilã?

Como ator, trabalhamos com algumas ferramentas. Não tem como mudar minha voz, como mudar meu rosto, mas as minhas ferramentas trago comigo, portanto é potencializar algumas coisas. Todo ser humano tem coisas boas e ruins, depende do que você potencializa. Por exemplo, muita gente acha que ciúme é uma coisa positiva. Tem até gente que diz ‘um pouquinho de ciúme é positivo’. Eu não acho que o ciúme é bom. Eu acho que tudo que você alimenta, aumenta, seja ciúme, a barriga, a raiva ou o amor. Eu sei que  tenho coisas ruins dentro de mim, eu conheço elas, eu fiz seis anos de terapia, mas eu não quero sentir essas coisas ruins, eu não quero alimentar. Mas o vilão gosta de trabalhar com as coisas mais negativas, ele se sente nutrido por isso. É trabalhar com essas ferramentas que eu não quero trabalhar na minha vida, eu empresto.

Mas você já sentiu esse lado menos positivo na sua vida real?

Quando eu tinha  19, 20 anos, eu tive muitos namorados que eram ciumentos e por conta deles eu também fiquei ciumenta, muito louco. Eu  comecei a ver que não estavam me tirando o meu melhor Não era bom para mim, nem pra ele. E terminei simplesmente por sentir ciúmes. Eu não gosto de insegurança. Eu tenho que me dar valor, eu não posso ficar trabalhando com sentimentos ruins, não tem nada a ver comigo. Insegurança, raiva, inveja, são sentimentos que eu abomino. Então eu não quero.

Você acha que essa questão tem a ver com maturidade?

Eu acho que tem a ver comigo. Tem a ver com maturidade, mas eu sempre tive isso. Eu lembro que não conhecia meu pai, e ele ligou para a Globo para me conhecer. Eu tinha 22 anos, a Globo me ligou para saber se era verdade. Fui conhecê-lo e tudo mais. Eu poderia, na minha formação, dizer que não queria conhecê-lo porque ele nunca foi atrás de mim. Eu desde pequenininha falava assim com minha mãe: ‘Eu acho que ele era muito novo, ele errou e quanto mais o tempo passa, mais difícil está ficando para ele’. Então não tenho que julgar.  Isso sempre tive dentro de mim. Poderia ter ido por um caminho, mas eu iria por um outro. Esse entendimento me fez ser atriz. Eu soube me colocar no lugar do outro, ver a dificuldade do outro e a arte me salvou muito. Minha primeira personagem foi uma mãe solteira com 17 anos de idade, eu contei quase a história da minha mãe (Coração de Estudante). Tive a oportunidade de dar grandes passos em cima de preconceitos com uma homossexual, cadeirante, psicopata, e algumas  personagens que me ajudaram muito. A arte encanta, ela salva.

Você conseguiu perdoar seu pai?

Não tinha o que perdoar. A partir do momento que eu já entendo, vou perdoar o quê? Estou no mesmo lugar que ele, e não do lado contrário. Ele morreu logo na sequência.

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