
Quando Juliano Cazarré lança o curso “O Farol e a Forja”, o recado não vem embalado em sutileza: há uma tentativa clara de vender masculinidade tóxica e fazer disso um negócio! O ator global resolveu repaginar o discurso machista com palestras trasvestidas de “empoderamento masculino” para que homens ‘recuperem a masculinidade’. No fim das contas, é o mesmo discurso de ressentimento contra mulheres.
Em diversas falas associadas ao projeto, o artista reforça a ideia de que mulheres estariam criando homens fragilizados. E é justamente aí o grande problema: sempre que mulheres avançam em autonomia, direitos e espaço público, emerge uma narrativa de enfraquecimento masculino. Outra questão que fica é: Por que a culpa sempre recai sobre nós [mulheres]?
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Quando ensinar “ser homem” implica definir o lugar da mulher
Quando se define ou tenta vender um curso que ensina o que é “ser homem” também se desenha, ainda que de forma indireta, o que deve ser uma mulher. Para Juliano Cazarré, por exemplo, homens precisam ser o provedor, alfa e base da família. Desse modo, inevitavelmente, ele bate na tecla de que a mulher é o ser frágil, que faz os serviços domésticos e se submete aos desejos do marido.
Ou seja, no final das contas, esse curso é uma tentativa desesperada de colocar a mulher no lugar que o homem determina para ela. E usar a Bíblia para isso é apenas uma tentativa de buscar um respaldo literário e histórico para manter essa dominação tão arcaica. Afinal, o livro religioso foi escrito dentro dos termos culturais e civilizacionais da época de seus autores.
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“Não é não”: O que realmente falta discutir na formação masculina
Se a ideia fosse mesmo estruturar um curso útil, o ponto de partida seria outro: homens aprendendo a lidar com a rejeição sem transformar isso em agressão. Afinal, o Brasil aparece há anos entre os países com índices altos de violência contra a mulher. Há mulheres que perdem a vida por se recusarem continuar uma relação e dizerem “não“.
Nesse cenário, faria mais sentido discutir controle emocional do que resgatar papéis rígidos. Um curso que tratasse da autonomia masculina. Onde ensinasse homens a cuidar da própria rotina, lavar a própria roupa, organizar a casa sem terceirizar obrigações. Também caberia um olhar mais direto para a paternidade real, não idealizada. Ensinar pais a cozinhar, trocar fraldas, acompanhar o crescimento dos filhos de forma ativa.
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Quando o discurso de força revela fragilidade
No fim, um curso sobre “empoderamento masculino” acaba dizendo mais sobre insegurança do que sobre força. Muitas vezes, ele tenta organizar medos individuais como se fossem um problema coletivo, ignorando que a sociedade já mudou há muito tempo. E o ser humano é definido pelo que ele faz, pelo que ele produz, pela sua ética, e não pelo seu gênero.
**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores
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