Cristiane Amorim (Globo / Selmy Yassuda)
Cristiane Amorim (Globo / Selmy Yassuda)

Recheada  de drama com histórias de refugiados tentando refazer a vida no Brasil, Órfãos da Terra também terá uma pitada do humor.

A família de Rania (Eliane Giardini) e Miguel Nasser (Paulo Betti) promete alguns momentos de leveza à trama de Duca Rachid e Thelma Guedes. Um dos membros desse núcleo ‘vai dar o que falar’.

Santinha, personagem de Cristiane Amorim, a secretária do casal, é  atrapalhada e fofoqueira e vive se enrolando em suas tentativas de fazer o bem. “Ela é palpiteira, toda cheia de si, mas traz humor também”, conta a atriz.

Nada difícil para Cristiane que estreou na  Globo em programas de humor como Sob Nova Direção, Faça a sua História, SOS Emergência e A Grande Família. Sua primeira novela foi Cordel Encantando, em 2011, também escrita por Duca e Thelma. A parceria com as autoras deu certo e se repetiu em Joia Rara, onde a atriz interpretou Zefinha. Em bate-papo com o Área Vip, Cristiane contou um pouquinho do que o público pode esperar da novela, que estreou no último dia 2 no horário das 18h.

Confira:

O que você pode adiantar da sua personagem?

A Santinha é empregada da casa dos Nasser, na casa onde recebem os refugiados. Ela é aquela empregada que já está ali há anos, então tem muita intimidade com a patroa, com o patrão e  as filhas. Ela é palpiteira, toda cheia de si. A família ta lá, conversando, pode ser o assunto que for, ela sempre tem uma opinião a respeito. Então, ela passeia pela trama principal. E humor e leveza na trama.  Ela é um pouco em noção, fala o que vem a cabeça.

Ela vai ter sotaque?

O sotaque eu já fico bem à vontade, ‘ê lasqueira!’, como diz a própria Santinha. Eu conheço Duca e Thelma desde Cordel Encantado e elas me dão essa liberdade. Eu gosto muito de criar, sou aquela atriz de teatro que mete o bedelho, assim como a Santinha mete na conversa. Mas, você tem sempre essa coisa de entender um pouco de cenário e figurino, já fiz figurino e essas coisas. Então, como eu estava falando da liberdade que elas me dão, eu coloco muito caco. Mas comedida, não extrapolo. Tem uma cena lá para o meio da novela que ela cuida do filho do Jamil e ele agradece dizendo ‘Shukran’, mas como não sabe o que é,  responde: ‘shukran para o senhor também’.

Como e contracenar com a Eliane Giardini?

Nossa, eu não vejo a hora! Quando eu vi que era ela, eu fiquei muito feliz. Porque ela é muito boa e eu sou fã. Tem um tom diferente, é realismo, mas não é tão naturalismo. Eu já estou imaginando esse bate-bola, eu acho que vai ser muito bom.

A novela tem a questão dos refugiados como pano de fundo e aborda também a empatia entre os povos. Você pode falar um pouco sobre empatia?

Eu acho que a importância de tudo nessa história… o próprio texto, a própria história fala sobre a empatia. Mas é a questão do amor, porque isso rompe qualquer barreira, qualquer diferença, qualquer distância. Se você olhasse para o outro dessa forma, a gente iria acolher muito mais o outro. Mas não só o outro vindo de fora, de outro país, mas o outro que é diferente de você. Se você começa a ver tudo dessa forma, facilita, principalmente para os refugiados. Até na minha aula de pilates, quando falei da novela que iria fazer, uma senhora falou: ‘Refugiados? Ave Maria, esse povo que sai de um país e vai para o outro, para atrapalhar a vida dos outros’. Eu não acreditei que estava ouvindo aquilo, são pessoas que estão fugindo de guerras para tentar sobreviver, não estão invadindo o país dos outros. Eles só querem segurança e liberdade.

Você conheceu algum refugiado?

A gente teve depoimentos na preparação, se eu não me engano tem três atores na novela que são refugiados. Tem o Kaysar, um rapaz do congo e mais alguém. A gente escutando de perto, tem  outra visão. Um deles falou que trabalhava e estudava, mas depois perdeu a liberdade de escolha e tudo. De repente sua mãe vai para um país, sua irmã vai para outro, e aí 10 anos depois você consegue um visto para outro lugar, onde acabam se encontrando. O Kaysar mesmo precisou ter uma notoriedade, um programa que levasse ele a ficar conhecido para facilitar um pouco isso.

Algum relato te tocou mais?

Sim! Eu fiquei muito tocada com a moça do Congo, dizendo sobre a questão do estupro e da violência. Eu fiquei chocada com esse lugar, falei que não quero nem passar perto, porque lá isso é normal. São pessoas que querem viver uma liberdade, escolher com quem quer casar. É falta de informação. A menos de um mês teve uma menina que fugiu da Arabia Saudita, por não ter liberdade de escolha. A liberdade de ir e vir, de estudar, de poder escolher. Outra coisa que eu achei interessante é a questão do racismo, a moça do Congo passava por mil coisas lá, mas não sabia o que era o racismo, veio descobrir aqui no Brasil.

Você estava ansiosa pra gravar?

Nossa, sim! Eu ficava perguntando que dia a gente iria gravar. Até porque a preparação foi no início de dezembro, e aí você já fica naquele universo. Nós paramos para o Natal, eu falei: ‘para que Natal e Reveillon?’. Passou e veio janeiro, aí nos encontramos para começar as gravações.

Você assistiu programas que passam a tarde na TV para ajudar a compor a personagem?

Eu algumas vezes  assisto esses programas sim, mais não pra saber das fofocas. Pra saber o que está acontecendo de trabalho por aí. Que filme tão fazendo, que série, que novela.

Veja também:

Camila Queiroz fala o que o público pode esperar de sua personagem em ‘Verão 90’; confira a entrevista



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here