Joyce Ribeiro – Reprodução/YouTube

Após sua demissão do SBT, Joyce Ribeiro engatou contrato com a TV Cultura, e desde meados de 2018 comanda ao ‘Jornal da Cultura’. Sendo hoje, a única negra a ocupar uma bancada de um telejornal diário no país, a profissional revelou que já pensou muito antes de engatar na carreira de jornalista, e que não possuiu ajuda e nem orientações na época. “Eu já via a dificuldade que ia ter lá na frente. Eu pensava ‘quero fazer telejornalismo, quero fazer TV, mas não tem profissionais negros’. Se ainda hoje há poucos, sou formada há 20 anos e lá atrás tinha ainda menos”, relembra, em entrevista concedida à revista Quem.

Para Joyce, seu primeiro obstáculo foi poder acreditar no seu próprio potencial. “Foi e é uma luta constante e diária. Sempre fui a exceção. Às vezes teve um ou outro profissional negro em alguma fase, mas muitas vezes fui só eu”, explica a jornalista, que fez uma confissão emocionante ao revelar uma de suas maiores inspirações: Gloria Maria.

A veterana global, comandante do ‘Globo Repórter’, sempre serviu de espelho para a profissional, e concedeu sinceros elogios à Maju Coutinho, que foi ovacionada ao ter surgido pela primeira vez na bancada do ‘Jornal Nacional’, em março. “A Gloria Maria me inspirou muito, porque eu via ela fazendo aquelas viagens maravilhosas e ficava vidrada na TV…. Eu hoje vejo a presença de mais colegas na área, como a Maju Coutinho, apesar de ainda estar longe de expressar a formação e a diversidade da nossa sociedade”, enfatiza.

Joyce relata que já foi vítima de bullying na época da escola, e enfatizou a chegada dos futuros novos nomes à profissão. “Cresci sofrendo bullying na escola, e o pensamento era ‘é assim mesmo, deixa para lá, vai tocando que as coisas são assim’. Os abusos eram uma coisa interna da família e da comunidade negra”, diz.

Ao longo de sua passagem pelo SBT, a jornalista permaneceu no canal durante 12 anos, e fez uma breve avaliação sobre sua passagem na casa. “Foi com certeza uma experiência incrível fazer jornalismo diário na bancada por mais de uma década, vendo como a profissão foi se adaptando às novas tecnologias e anseios”, destaca.

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