Marcelo Serrado (Globo/Estevam Avellar)
Marcelo Serrado (Globo/Estevam Avellar)

Com mais um personagem emblemático, Marcelo Serrado desta vez encara um desafio diferente na carreira. Na pele de Nicolau, ele se tornou a personificação do machismo em ‘O Sétimo Guardião‘. Casado com Afrodite (Carolina Dieckmann) e pai de quatro filhos, ele não aceita que a filha, Diana (Laryssa Ayres) lute karatê por achar que o esporte é coisa de homem. Para piorar a situação, Nicolau não vê com bons olhos a paixão do filho, Bebeto (Eduardo Speroni), pela dança. Seu maior sonho é ter um filho jogador de futebol. Mas o jogo pode virar a qualquer momento, já que Afrodite não vai pegar leve depois que o marido foi parar no bordel de Serro Azul.

Em entrevista ao Área Vip, o ator contou como é dar vida a esse personagem cheio de preconceitos.

Confira:

O Sétimo Guardião - Nicolau - Afrodite - Bebeto (Globo/Estevam Avellar)
O Sétimo Guardião – Nicolau – Afrodite – Bebeto (Globo/Estevam Avellar)

O núcleo do Nicolau na novela está bem em evidência, o que você acha da história dessa família?

Esse núcleo é um núcleo muito à parte da novela. Um núcleo que fala dessas questões que são muito pertinentes: preconceito, machismo, quase uma coisa homofóbica. Um pouco de inspiração em cima de Billy Elliot também. Pensando nesse garoto que quer dançar e o pai bronco. Pelas reações das pessoas, você vê que tem muita gente que pensa assim ainda. É um pai preconceituoso com o filho que quer dançar, ou com a filha querendo fazer um esporte. É um pai que ficou no século retrasado. Acho que são questões pertinentes em uma novela que tem esse realismo fantástico, mas que também tem as questões reais que o Aguinaldo está tratando.

Você criou um tipo novo, não é?

Novela é tipo, você está criando um tipo. Eu não tenho aquela barriga, inflo na hora. Fico até meio cansado porque fico inflando a barriga sempre. Estou inventando agora de ficar penteando os cabelos da barriga. O público ama isso e se diverte. Eu vejo que  a equipe fica rindo e eu coloco mais. Isso é legal porque a gente vê que funciona. É um personagem popular, cria uma empatia com o público.

E como foi todo o processo de criar o Nicolau?

Eu comecei a ver que tinha que criar um tipo diferente do que já tinha feito.  Fiz o Crô com o Aguinaldo (Silva, autor). Então eu queria criar um tipo para ele completamente diferente. Ele também queria me dar um personagem diferente do que ele já me deu. Ele falou que ia criar um cara homofóbico, que não gosta de gays. Aí eu procurei dar alma a ele dentro dessa composição. Eu criei a coisa do cabelo, da barriga, do pente. Os diretores foram deixando. Cada um vai fazendo a sua criação até achar. Hoje, eu creio que já achei o personagem”.

O Nicolau tem um grande coração por trás desse comportamento rude?

Na verdade, ele deve ser um cara extremamente frágil por dentro. Tanto que ele chorou vendo o filho dançando. O menino que faz o meu filho é ótimo, o Eduardo Speroni. É um garoto que veio do teatro. Ele faz as cenas de verdade, muito dedicado. Um menino realmente talentosíssimo. Meu personagem tem questões muito arcaicas no pensamento. É um personagem extremamente de direita, radical. Todo um maluco nesse sentido.

Ele vai acabar cedendo e deixando a filha lutar Karatê?

Eu não sei. Aí é o Aguinaldo que sabe. Os capítulos veem e a gente fica meio sem saber o que ele vai aprontar. Ele já está escrevendo lá na frente. Eu sei que agora vai entrar um outro personagem. Ele é um empresário e eu acho que ele está assediando a minha filha. É bom fazer cenas assim, fortes e contundentes, em uma novela.

O Nicolau vai continuar com o desejo de ter um filho jogador de futebol?

Não sei. Aí é uma coisa com o Aguinaldo. Não posso falar muito.

A Afrodite vai começar a bater de frente com o Nicolau. Você acha que essa mudança no comportamento dela pode deixar ele menos rude?

Eu acho que a personagem da Carol Dieckmann vai, em algum momento, largar esse cara. Mas ele também pode no futuro, não sei, querer fazer de novo um filho.

Você acompanha a repercussão do personagem nas redes sociais?

Sim. Depois da cena foi muito bom. Até o Aguinaldo falou: ‘posso me aposentar depois dessa cena’. Ele escreveu uma cena muito contundente da porradaria da família. Muitas pessoas comentaram no Instagram e no Twitter. Eu uso muito o Instagram. Botei a cena e senti muito comentários positivos e pessoas com ranço. Ninguém aguenta esse personagem. É legal fazer uma cena assim. Acho que quando tem uma cena contundente em uma novela que tem tantos personagens, é sempre uma coisa que te deixa feliz.

Como são as gravações com o seu núcleo?

É núcleo legal. É um núcleo à parte da novela, tanto que a gente grava muito separado. As nossas cenas são separadas. Todo mundo passa pelo BB na Chapa, no trailer. Tem cenas que a gente tem que estar lá.

Você tem liberdade para criar em cena?

Tenho, tenho. O Papinha (Rogério Gomes, diretor) é muito generoso. Com o negócio do pente, eu nem perguntei se podia. Eu penteei. Eu não peço nada, eu faço. Se o diretor mandar cortar, eu corto. Mas eu faço. O barato é isso. Outro dia eu falei: ‘hambúrguer e prazer só no X BB’. Com a minha filha eu falei: ‘vai lá shimbalaiê’. Shimbalaiê é a música da Maria Gadú. É uma brincadeira que eu estou fazendo, espero que ninguém leve isso a ferro e fogo. Não é o Marcelo Serrado, o personagem é assim e ele tem essas questões todas. Acho que trazer humor para um personagem que tem uma certa vilania faz com que ele fique mais interessante aos olhos do público.

Recentemente, publicaram uma matéria informando que algumas cenas das novelas foram cortadas e que capítulos foram antecipados. Ocorre alteração no seu núcleo?

Não sei. Só a Globo deve saber melhor isso. Essas coisas não chegam na gente. Temos uma coisa de edição ou outra, mas é por conta do tamanho do capítulo. Se o capítulo está grande, eles cortam.

Você conhece alguém com uma personalidade parece com a do Nicolau?

Não. Tenho histórias de amigos. Eu tenho um amigo que conversou comigo outro dia. Ele é gay, casado com um menino, e o pai dele era militar forte, do interior de São Paulo. Ele recebeu muito preconceito do pai. O pai foi muito rigoroso na adolescência pela escolha dele. Agora o pai já aceita ele, mas que no começo foi barra pesada.

Alguém já te abordou demonstrando concordar com as atitudes do Nicolau?

Nunca ninguém falou. Fui ao Maracanã outro dia e os caras estavam rindo. Acham engraçado.

O machismo está enraizado na sociedade brasileira?

Esse cara machista, como o Nicolau é, existe. A gente vê pessoas sendo espancadas no interior do Brasil. No meu Instagram, as cenas têm 10 mil views. O Aguinaldo comenta com as pessoas no Twitter, a Carol também. Foi uma cena que criou um impacto.

Como você enxerga todas essas questões que o seu personagem condena?

Eu sou um cara de cabeça aberta. O mundo hoje em dia está muito aberto. O que o Nelson Rodrigues fazia de duas meninas com 12 anos se beijando em uma cena no convento era uma coisa. Hoje em dia, as meninas estão se beijando com 13 anos, 14 anos. Isso não é mais uma questão. E quem achar isso parou no tempo. Temos que estar abertos às novas coisas da vida. Eu vou amar meus filhos,  independente das escolhas que fizerem em relação a qualquer coisa. Vou estar ao lado deles no que eles fizerem. A minha filha mais velha está com 13 anos. Outro dia ela falou que deu um selinho pela primeira vez. Ela contou para a mãe e a mãe me contou. Eu falei: ‘o menino estuda na sua sala?’. Ela respondeu: ‘não, pai. Ele estuda na outra sala, mas eu não quero falar disso’. Eu falei: ‘tá bem’. Eu tenho uma relação muito aberta com os meus filhos.

O que os seus filhos estão achando do Nicolau?

Eles não veem porque estão dormindo. A mais velha também não vê porque acorda cedo. Ela vê depois no Globoplay uma coisa ou outra. Ela me acompanha pouco, mas quando vê gosta.

O personagem Crô ficou marcado na sua vida?

Está marcado. Fazendo Velho Chico no sertão da Bahia e o Luiz Fernando de Carvalho gritou: ‘olha o Crô ali’. Faz parte. Quantos atores não queriam ter um personagem como a Carminha, o Crô, o Félix? Eu só tenho a agradecer.

Você prefere trabalhar em TV, no cinema ou no teatro?

Eu gosto de tudo. Eu vou atrás de bons personagens. Esse ano eu fiz muito cinema. Fiz uns seis filmes. Fiz musical também, a Noviça Rebelde. Meu próximo projeto no teatro é um musical. Depois dessa novela, vou ver se descanso um pouco. Eu vim de Pega Pega, emendei com cinco ou seis longas, com musical e com essa novela. Ainda fui para a Colômbia gravar uma série. Estou indo em janeiro lançar a série na Telemundo. Dia 22 de janeiro estarei lá para lançar Jugar com Fuego. No meu Instagram tem um teaser Amores Roubados. É a primeira série em parceria da Globo com a Telemundo.

Fala um pouco mais sobre a série Jugar com Fuego?

É uma série com atores de oito países diferentes da América Latina. Tem atores de Cuba, México, Porto Rico, Peru, Argentina, Brasil. Acho que é uma boa iniciativa para a gente ir para o mercado hispânico. É uma história original da Rede Globo que saiu e foi para outro lugar. Isso me dá muito orgulho também. Senti muito orgulho de fazer. Provavelmente a Globoplay vai acabar passando no futuro. Tem a ver com a plataforma. Provavelmente vai botar uma legenda em português. E, provavelmente, será uma parceria que vai se estender. Pode vir depois, sei lá, Como Nascem os Fortes, O Rebu ou Assédio em espanhol.

Como surgiu a oportunidade de integrar o elenco da série?

Eu fiz um teste na Globo com outros atores da casa também. Foi a coisa do espanhol, do tipo também.

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