Na Globo há 25 anos, Murilo Benício conta sobre parceria com Débora Falabella novamente

Murilo Benício conversou com o Área Vip - Veja a entrevista!
Murilo Benício ( Globo / João Cotta)

Longe das novelas desde 2014, quando protagonizou ‘Geração Brasil’, Murilo Benício está no elenco de mais uma minissérie da Globo.

Em Se Eu Fechar Os Olhos Agora, ele interpreta o prefeito Adriano Marques Torres, personagem central da trama, baseada no livro de Edney Silvestre e adaptada por Ricardo Linhares. A minissérie já está disponível no Now e no Globoplay e estréia na TV aberta dia 14 de abril. Murilo mais uma vez atua ao lado da mulher, Débora Falabella. No lançamento da atração, Murilo conversou com o Área Vip.

Confira:

Como foram as gravações da série?

Acho que foi legal porque a gente estava em locação. Nem lembro se a gente fez estúdio.  E quando você está em locação, parece que já tem metade de uma coisa fazendo você acreditar na história. E era no interior de Minas Gerais, que eu não conhecia também. Isso dá uma união maior para quem está trabalhando, acho que fica mais fácil. Foi super tranqüilo.”

E como é a parceria com a Débora Falabella novamente?

A parceria com a Débora é ótima, porque a gente divide muito o processo. Mesmo não estando juntos no mesmo projeto, é um assunto que é recorrente em casa. Ela está fazendo um filme agora, eu li o roteiro inteiro com ela, falo o que eu acho e dou as minhas ideias. Eu acabei de dirigir o meu segundo longa e todo dia quando eu chegava eu mostrava os frames para ela do que eu estava fazendo. Ela mesmo sem estar na minha equipe, estava ali participando, me ajudou tomar decisões. Eu acho que a gente confia muito na opinião artística um do outro. Eu acho bem produtivo.

Se Eu Fechar os Olhos Agora – Adriano – Isabel – Cecília e Vera Lúcia (Globo/Raquel Cunha)

Você acha que o prefeito Adriano tem um estilo antiquado ou era comum pra época?

A gente está falando sobre a década de 60. Eu me lembro de uma amiga atriz, que viveu na década de 60 e disse que a mãe chegava na sala para falar que o pai estava chegando, ela tinha que recolher todos os brinquedos e ir para o quarto. Isso o Rio de Janeiro, imagina em uma cidade do interior, onde a forma de pensar era muito mais antigas, a forma de pensar, a forma errada de pensar. Até hoje em dia a gente ainda esbarra nessa forma de pensar errada, principalmente nas metrópoles. O jeito que esse prefeito é, tem uma forma bem real de se retratar uma sociedade. Esse casamento frio que ele tem, essa relação que ele tem com os filhos. Eu acho que é uma realidade que a gente viveu, essa família fria e de alguma forma a gente ainda vive os resquícios dessa situação.

Ele está envolvido em alguma coisa?

Ele está envolvido em tudo, tudo passa pelo prefeito. Ainda mais naquela época, em uma cidade tão pequena, ele não é um cara bobo. De certa forma ele está envolvido naquilo. Ele e mais um monte de gente.

Ele confia cegamente na mulher?

Eu acho que ele não enxerga a mulher. Não enxerga, como muita gente não enxerga até hoje, né? Naquela época tinha muito casamento só para ter um filho e acho que nem sexo eles têm na verdade.

Apesar de se passar na década de 60, a série tem temas muito atuais, não é? A intolerância, o racismo…

Se você for contar a história, eu acho que inevitavelmente você é obrigado a tocar nesses assuntos. O meu primeiro filme, O Beijo no Asfalto, que a gente fez  quase na década de 70 e a gente fica assustado com o quanto ele é atual. Até Fake News tem na história. É uma coisa que se a gente for contar da nossa história, eu acho que o ser humano progrediu muito pouco em relação a igualdade. Eu acho que é uma coisa que a gente ainda está muito atrasado. É atual porque a gente está atrasado.

Essa é a segunda série que você está emendando, você está gostando de pegar esses novos formatos?

Eu acho que série é o tipo de coisa que dá para estudar em casa. Eu, por exemplo, novela eu não pego nem o texto em casa. Porque é tanta coisa, que não dá para estudar. Graças a Deus eu tenho uma facilidade muito grande para decorar, eu chego na hora e decoro. A série você tem quatro cenas por dia, em uma novela você tem trinta. É uma coisa que dá para você estudar, dá para procurar fazer alguma coisa além do papel, tentar surpreender de alguma forma. Eu acho que é mais gostoso fazer uma série porque dá para estudar. Eu acho que é uma tendência mundial e a Globo está correndo atrás. É um caminho sem volta. Mudou essa coisa porque antes a gente ditava o horário que as pessoas iriam assistir, agora são elas que fazem isso e a série é o que dá mais certo com isso.

Você está sabendo da volta de Por Amor?

Sério? Não sabia, não. É bom que eu ganho dinheiro.

Você assiste quando reprisa a novela?

Não assisto nem quando está no ar. Cansei de ver, acho que eu não melhoro me vendo, só pioro. Quase não gosto de nada, então eu prefiro dar cem por cento quando eu estou fazendo e depois me desligar.

Você está gravando ou vai gravar alguma coisa para a TV?

Eu estou fechado para a novela da Manuela Dias (Dias Felizes), a princípio, a gente começa a gravar em junho. Mas nem sei mais de nada, ainda estou por fora.

Você está passando por outras coisas fora das novelas, já fez direção, cinema, série e por aí vai. Isso é uma coisa que você quer seguir?

Eu estou na Globo há 25 anos, fiz muitas novelas. Chega uma hora que a gente fica um pouco vazio de personagem, então acho que a gente tem que ser mais criterioso. Tem tanto ator que eu admiro que às vezes eu vejo fazendo a mesma coisa, mas percebo que se faz a mesma coisa é porque não se dá tempo de descansar. Eu estou com a teoria agora, que cada personagem precisa de nove meses para parir.

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