Antonio Fagundes, como Alberto, seu personagem em Bom Sucesso – Foto: TV Globo/João Cotta

De volta ao horário das sete da Globo, Antônio Fagundes será o protagonista de ‘Bom Sucesso’, que estreia no dia 29 de julho. Na trama de Rosane Svartman e Paulo Halm, ele será Alberto Prado Monteiro, dono da editora Prado Monteiro, que está a beira da falência.

Mas esse não será o maior problema do empresário. Ele terá uma doença terminal. Logo no início da trama, seu exame será trocado com o de Paloma (Grazi Massafera). Durante um tempo, ele pensa que está gozando de saúde, enquanto a jovem se desespera por ter apenas seis meses de vida. Mas logo esse equívoco será esclarecido e a loira vai querer conhecer o homem que está com os dias contados. Daí vai nascer uma grande afinidade entre o casal, dando início a muitos conflitos na história. Quem não gosta nada dessa aproximação é Nana (Fabíula Nascimento), filha de Alberto.

Em entrevista ao site Área Vip, o ator falou um pouco sobre o novo trabalho, teatro e o personagem Atílio em Por Amor, que está sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo.

Fala um pouco do personagem em Bom Sucesso.

Alberto Prado Monteiro é o dono de uma grande editora. Ele começou vendendo enciclopédias de porta em porta, comprou uma editora e foi crescendo. Ele foi editando enciclopédias, clássicos, uma linha cultural bastante forte. Naturalmente, a cultura começa a cair, ele teimosamente não quer mudar a sua linha editorial e a editoria começa a passar por problemas. A novela começa quando ele está passando por problemas por causa dessa linha de editoria mais culta, digamos assim. Junto com isso, vem um problema em que ele tem uma doença terminal. A novela começa com a droga de exames. Logo no comecinho, ele recebe um exame dizendo que está curado. Isso dá um alívio muito grande para ele, até descobrir que o exame foi trocado.

E como será quando ele descobrir que o exame foi trocado e ele tem pouco tempo de vida?

Na verdade, o grande problema é que nessa troca de exames o personagem da Grazi (Massafera) recebe o exame dele. Ela acha que tem seis meses de vida e começa a chutar o pau da barraca. Mas logo que eles descobrem essa troca, fica uma curiosidade da parte dos dois, um querendo saber quem vai viver, e o outro querendo saber quem vai morrer. Eu acho que esse é o grande interesse da novela, porque aborda esse aspecto da vida e da morte de uma forma diferenciada, com um certo frescor. É uma coisa que a gente quase nunca fala. É gozado isso porque não falamos de duas coisas: da velhice e da morte. Se a velhice chegar é porque nós não morremos. Se não chegar é porque morremos antes. Essas duas coisas são bastante presentes na vida da gente a partir dos 20 anos de idade. A partir dos 20 anos, as nossas células começam a envelhecer e a gente não se prepara para isso. Tem até uma frase do Goethe [escritor alemão] que diz: ‘a velhice nos pega de surpresa’. É uma loucura porque estamos envelhecendo a cada minuto da vida. Então é bom que a gente se prepare e organize.

Como está sendo a parceria com a Grazi Massafera?

Nós fizemos uma novela, mas não era junto porque era núcleos separados. Agora, essa é a segunda vez e graças a Deus é junto porque ela é uma gracinha de pessoa, uma atriz ótima. O personagem dela é muito bom e a relação dos dois vai ser muito interessante. Eu gosto sempre de falar de um livro da Ana Claudia (Quintana Arantes), que praticamente está nos estimulando nessa novela, chamado ‘A Morte É Um Dia Que Vale A Pena Viver’. Ele fala sobre cuidados paliativos e que é uma forma diferenciada de encararmos a morte. A morte não como doença, mas como um limite para a sua vida. Então, ao invés de tratar a doença até a hora da morte, vamos tratar da pessoa enquanto ela está viva. Isso é uma coisa que a novela vai passar muito bem. Essa coisa de que é interessante você estar bem quando morrer. Eu quero estar bem de saúde quando morrer.

Então esse universo literário do  personagem acaba sendo meio que um parque de diversão para você, né?

Eu já falei que vai ficar um buraco [na estante] porque vou roubar uns livrinhos de vez em quando.

Como você lida com o envelhecimento?

Eu sempre lidei muito bem. Sempre brinquei que eu tinha uma nostalgia da velhice. Eu sempre queira ser mais velho porque achava que a velhice seria uma coisa interessante. Agora que estou mais velho, estou confirmando isso. É muito bom! Claro que não pode subir mais a escada de três em três [degraus], mas sobe de dois em dois. Depois sobe de um em um, depois não sobe escadas [risos]. De qualquer forma, é uma coisa que eu lido muito bem.

Como você cuida da sua saúde?

Eu confesso que sempre fui muito preguiçoso, nunca fiz exercícios. Mas agora comecei a fazer um pouquinho porque começou a dor nas costas. Tem uma frase do Oscar White que eu adoro, ele dizia assim: tudo com moderação, inclusive a moderação. Essa frase define o que eu quero para a minha vida. Eu quero fazer as coisas que tenho que fazer, mas moderadamente, inclusive dentro da própria moderação. Eu quero fazer exercícios, mas não quero ser um atleta. Eu quero fazer um cuidado alimentar, mas não quero me restringir e deixar de comer algumas coisas gostosas. Estou me cuidando assim.

Você é uma pessoa adepta da leitura. Essa dedicação ao universo dos livros ajuda na saúde mental?

Tudo está na cabeça. Temos tudo ao alcance das mãos, inclusive esses aparelhinhos [risos]. Se parar para pensar, o tempo que você leva limpando o WhatsApp, e tem que fazer senão fica muito carregado, mais ou menos, dá umas duas ou três horas por dia. Se você ler durante duas ou três horas por dia qualquer livro, você vai ler dois ou três livros por semana. E vai sobrar muito mais do que uma limpeza do WhatsApp. A limpeza do WhatsApp é nada, é uma limpeza mecânica. A leitura faz você sair com alguma coisa.

Você está no ar em ‘Por Amor’, no Vale a Pena Ver de Novo, e no Viva, em ‘Porto dos Milagres’. Como é isso para você?

Eu estou até com medo do público falar que não me aguenta mais. Mas isso é uma forma interessante de a gente ver a evolução de algumas coisas e a involução de outras. Ganhamos umas coisas com as nossas telenovelas, mas, ao mesmo tempo, parece que perdemos outras. Algumas novelas muito antigas fazem sucesso por causa de um tipo de ritmo que as pessoas dizem que hoje em dia ninguém mais está a fim de suportar. Pelo contrário, as pessoas hoje em dia, ao meu ver, estão precisamos de mais tempo, silêncio, calma. Tem até um movimento chamado ‘Slow’ que é para você fazer tudo com mais calma: comer com mais calma. ver um filme mais lento, para você deixar o seu conhecimento sedimentar na cabeça. E não estamos deixando, é tudo muito rápido. Ganhamos essa velocidade, que é uma coisa interessante. Mas é interessante, para mim, como uma moda passageira. Eu gosto das coisas que fazem a gente pensar.

Como você lida com esse carinho do público vibrando com o seu retorna à TV?

É engraçado porque parece que quando você não faz novela, você não está no ar. E eu fiz um monte de coisas. Fiz Dois Irmãos, Se Eu Fechar Os Olhos Agora, mas isso não conta. Eles  querem 200 capítulos.

Você está em cartaz em São Paulo com a comédia Baixa Terapia. O teatro tem esse poder de fazer as pessoas desacelerarem e absorverem mais as informações?

O teatro ainda é uma coisa revolucionária. Hoje em dia é revolucionário reunir 700 pessoas em uma plateia, durante uma hora e meia no escuro, sem mexer na maquininha infernal e prestando em seis atores desenvolvendo uma ideia. Isso é uma revolução! É uma peça que mexe com a cabeça das pessoas, uma comédia hilariante, as pessoas morrem de rir. Ou seja, elas estão em contato com o que está acontecendo ali a cada segundo e, ao mesmo tempo, é mais calmo do que qualquer coisa que você possa ver no Iphone.

As pessoas estão te abordando nas ruas por causa da reprise de Por Amor, te chamando de Atílio?

Parece que é a quinta vez que passa. Mas é o que falamos, é uma novela que tem um ritmo diferenciado. Outro dia, eu vi uma cena minha com a Regina Duarte que tinha 15 minutos, era quase um bloco inteiro. Era eu e ela na cama conversando. Era uma cena deliciosa porque você permite ao público ir devagar junto com o personagem. Você não encaminha o público para aquilo que você quer que ele pense. Ele que vai pensando de acordo com o que vai sendo mostrado para ele. Eu acho que isso era um ganho que as novelas tinham antigamente e que perdemos um pouquinho. Seria bom se conseguíssemos recuperar. Não é à toa que as pessoas se reconhecem na novela, curtem e que está dando o ibope que dá num horário completamente louco, à tarde. Isso vai acontecer com todas as novelas daquela época, que têm esse tipo de ritmo. Aconteceu com A Viagem, Renascer, O Rei do Gado. Eu estou falando as novelas que fiz, mas com as outras novelas também daquela época. São novelas que fazem o público pensar e não se distrair totalmente.

O Atílio é sucesso entre a mulherada, né?

O Atílio é perfeito com mulheres. Ele é quase chato, faz salada. Elas querem um Atílio na vida delas.

Qual a sua relação com as plataformas digitais?

Não tenho nada! Não tenho nem computador. Eu tenho um Instagram que não é meu. É uma fã minha de Portugal, que gosta muito de mim e fez. Inclusive, ela coloca ‘Antonio Fagundes não tem nenhuma rede social’. É que ninguém lê! Todo mundo acha que é meu, mas está lá escrito. Parece que tem um Facebook também, que é de outra portuguesa.

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