
O governo Donald Trump acusou o Brasil de ter “falhado em confrontar” o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, duas das maiores organizações criminosas da América Latina. Segundo Washington, essas facções expandiram sua influência para além das fronteiras brasileiras e transformaram o país em um polo estratégico para o fluxo global de cocaína, com impacto direto nos Estados Unidos e na Europa.
Informações da Folha de S.Paulo. A acusação foi formalizada em um relatório anual da Casa Branca ao Congresso americano, exigido por lei. Esse documento identifica países envolvidos na produção, trânsito ou consumo de drogas ilícitas e avalia seus esforços de cooperação internacional. Trata-se de um instrumento político e diplomático que orienta a política externa dos EUA e pode influenciar sanções, acordos e parcerias.
Curiosamente, o Brasil não aparece na lista oficial de grandes produtores de drogas nem na categoria de países que falharam em suas obrigações antidrogas. Ainda assim, recebeu uma reprimenda nominal e direta, o que mostra uma mudança de tom e uma pressão política específica. Isso sugere que, para Washington, a questão não é apenas sobre produção ou rotas, mas sobre a força e a internacionalização das facções brasileiras.
“O Governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de distribuição global de cocaína”.
Em maio de 2026, o secretário de Estado Marco Rubio elevou o nível da crítica ao classificar o PCC e o Comando Vermelho como “Specially Designated Global Terrorists” (SDGT). Essa designação coloca as facções no mesmo patamar de grupos como Hezbollah ou Al-Qaeda, permitindo congelamento de ativos, restrições financeiras e maior cooperação internacional contra suas operações. A justificativa foi que essas organizações representam risco significativo de atos de terrorismo contra cidadãos e interesses dos EUA.
No relatório anterior, de 2025, o Brasil sequer havia sido mencionado. As críticas estavam concentradas em países como México, China, Colômbia e Venezuela, considerados mais diretamente ligados ao tráfico internacional. A inclusão do Brasil em 2026, mesmo sem estar nas listas formais, sinaliza uma mudança de percepção estratégica dos EUA sobre o papel das facções brasileiras no crime organizado global.
Houve também uma alteração importante na avaliação sobre a Venezuela. Embora continue listada como rota relevante para o tráfico de drogas, deixou de ser considerada como governo que falhou em suas obrigações antidrogas. Isso se deve, segundo Washington, a uma maior cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez, o que marca uma reaproximação diplomática em meio a tensões históricas.





