Situações de estresse são um perigo para Tarso. Cada vez mais fragilizado, o rapaz não sabe como lidar com emoções fortes e, de repente, se vê a ponto de perder o controle. O velório de Raul é um desses momentos. O contato com a morte mexe com ele e o deixa inseguro. Tarso confessa seu medo: “Qualquer coisa pode acontecer a qualquer hora com as pessoas”. O ar pesado da capela, o olhar soturno das pessoas, a visão do caixão e a ideia de que, dentro dele, está o tio morto, provocam em Tarso uma sensação insuportável de claustrofobia. Mas, ainda que o ambiente não lhe faça bem, Tarso insiste em ficar e recusa o convite de Tônia para sair. Isso até que as vozes surjam novamente.
“Covarde, palhaço…”. Tarso se vira, irritado, não sabe de onde as vozes vêm. “Moleirão! Você não serve pra nada”, insistem. Quem está dizendo isso? Quem? Desesperado, Tarso se levanta, vai pra rua. Quer se livrar, fugir, desaparecer. Tônia vai atrás dele. Nos olhos de Tarso a angústia que passa em sua mente. Ele está surtando, já não controla a própria consciência. A voz insiste, atiça seus brios. “Inútil… Fracassado”. Tarso se irrita mais e mais. Dispensa bruscamente a companhia de Tônia e segue, transtornado. É um perigo em potencial para quem passa perto. Está enlouquecido. Um garoto e sua mãe se aproximam. Tarso estanca. De repente, aquelas pessoas são uma ameaça pra ele. Serão os donos das vozes? É preciso reagir, reagir… O que Tarso faz depois é indescritível e não corresponde em nada ao que de Tarso esperamos. Ele já não é mais dono de si.
As cenas devem ser exibidas nesta quarta-feira (01/04).







