O deputado Clodovil Hernandes, que morreu na terça-feira (17), deixou um testamento no qual pede que seus bens sejam transferidos para uma entidade beneficente, segundo relatou ao G1 sua advogada, Maria Hebe Pereira de Queiroz.

Ela destaca, no entanto, que Clodovil não tinha nenhum bem atualmente e passava por dificuldades financeiras – do salário de R$ 16,5 mil, recebia R$ 7 mil líquidos por conta de pagamento de empréstimo consignado em folha de pagamento.

A advogada diz que o testamento prevê a criação da Fundação Izabel, nome da mãe adotiva de Clodovil, e de uma entidade para cuidar de meninas órfãs chamada Casa Clô. O dinheiro para a caridade viria de ações trabalhistas que o deputado moveu contra emissoras de televisão e que ainda aguardam decisão judicial. Segundo ela, Clodovil teria mais de R$ 1,6 milhão para receber.

O testamento é datado de janeiro de 2007, um mês antes de o deputado assumir o mandato na Câmara dos Deputados. "Ele pediu para deixar tudo que é dele, ações que ele tem na Justiça. (…) Se ele não tivesse ficado doente, talvez já tivesse criado a instituição", disse Maria Hebe.

A advogada afirmou que conhece Clodovil desde 2004 e que ele não tinha nenhum parente. Ela é a testamenteira dele, ou seja, responsável por executar todas os desejos manifestados por ele no testamento.

De acordo com Maria Hebe, Clodovil tinha feito um esboço do que seria a Casa Clô. "Era uma casa cor de rosa para abrigar meninas órfãs. Para dar todo tipo de educação, desde pregar botão até etiqueta, conseguir bolsa de estudo."

A advogada disse que, embora a casa no litoral paulista que Clodovil tinha permissão para morar não possa ser vendida era em área de preservação ambiental, ela estudará uma forma de fazer a casa dar rendimentos para o projeto de caridade de Clodovil.

"É uma ideia que acho que vai ser difícil de cumprir. Ele queria que deixasse a casa aberta ao público e cobrasse entrada. É uma casa diferente, bonita, tem um quarto pink. Mas tem de ver o que dá para ser feito."

A advogada disse ainda que os cachorros que o deputado tinha –três em Brasília e outros em Ubatuba– serão um "problema" a ser resolvido. "Pedi para o dr. Paulo (caseiro que cuida do imóvel) fechar bem o imóvel e não deixar ninguém entrar. Pedi para que ele cuidasse dos cachorros, o Clodovil gostava muito dos cachorros."

Ela disse que conversará com o chefe de gabinete de Clodovil para que os animais sejam doados.



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