
O primeiro dia das audiências criminais sobre o desastre de Brumadinho reuniu forte comoção nesta segunda-feira (23). Familiares das 270 vítimas estiveram presentes na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte, acompanhando as oitivas das três primeiras testemunhas do processo.
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Após anos de espera, representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos Pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão reforçaram a expectativa para que os réus sejam finalmente levados a júri popular.
Maria Regina da Silva, vice-presidente da entidade, falou em nome das famílias: “Nada traz nossos entes de volta. O que queremos é a condenação de quem for culpado.”
Avabrum cobra responsabilização total
Habilitada como assistente de acusação do Ministério Público Federal, a Avabrum representa 463 familiares diretos das vítimas. Os réus respondem por homicídio e crimes ambientais.
A defesa dos familiares sustenta que os acusados tinham pleno conhecimento da gravidade da situação da barragem Mina Córrego do Feijão, administrada pela Vale, e que, ainda assim, optaram por não agir.
Advogado aponta omissão consciente
O advogado Danilo Chammas foi categórico ao afirmar que os réus sabiam exatamente o risco que a estrutura apresentava. Segundo ele, os responsáveis tinham “poder e dever” de agir para evitar as mortes.
“Essas pessoas assumiram conscientemente o risco de matar. O que houve foi homicídio doloso, com dolo eventual”, afirmou.
Para o advogado, a ida dos réus a júri popular é fundamental para que o país finalmente reconheça a dimensão da omissão que resultou na tragédia.
Com as audiências em andamento, as famílias seguem firmes na luta por justiça — uma batalha que já dura sete anos.
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