Ninguém reclama publicamente, mas muitos atores da novela “Mulheres Apaixonadas” não estão gostando do ritmo dado às gravações dos capítulos. É possível perceber esta insatisfação durante entrevistas e conversas com os artistas que participam da trama. Nas entrelinhas eles deixam claro que o texto chega na última hora e que muitas vezes são pegos de surpresa com o roteiro. Com isso, é impossível se comprometer com eventos e peças teatrais, pois nunca se saberá quando estará ou não escalado para gravar. Também é impossível elaborar melhor seu personagem, um expediente adotando principalmente pelos artistas mais conceituados. Uma frente curta de capítulos gravados é uma realidade hoje nas novelas da Globo. “Mulheres Apaixonadas” e “Kubanacan” passam por este problema, mas por enquanto não estão perdendo em qualidade. No final do ano passado, a Globo pressionou ao máximo Benedito Ruy Barbosa, que estava entregando os capítulos com uma semana de antecedência. Na época, essa margem foi considerada muito pequena e perigosa para um esquema global de produção e qualidade. A Globo trocou o autor, mexeu nos personagens e desfigurou a novela “Esperança”. Hoje, Manoel Carlos passa o material um dia antes da gravação. Seu maior argumento é que a novela é muito contemporânea e, portanto, nada melhor do que estar próximo do dia de exibição. O fato é que a televisão mudou muito e desde o início da medição minuto-a-minuto cada ponto vale muito mais do que em anos anteriores. E os autores querem sucesso de audiência. Portanto, nada melhor do que sentir a reação de um tema ou cena para dar continuidade à história. Pelo jeito, a teledramaturgia brasileira entrará no túnel do tempo e apresentará as novelas ao vivo, como nos primórdios da TV no Brasil. Será que a qualidade será mantida?

Em Tempo: Mulheres Apaixonadas já é o maior sucesso da Globo nos últimos anos, não só em audiência, mas em merchandising. É muito engraçado ver Lorena e Expedito conversando com a empregada na lavanderia só para aparecer a caixa do sabão OMO, que os personagens compraram no supermercado. Entretanto, é um bom recurso para anunciar um produto. Melhor do que os testemunhais que aparecem nos programas femininos e nos telebarracos.



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