
Uma pesquisa eleitoral virou alvo de suspeita nesta terça (10). O levantamento Apex/Futura, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em eventual segundo turno em 2026, foi duramente questionado por um economista.
Pedro Menezes apontou um padrão recorrente nos números da Futura. Segundo ele, a empresa já havia apresentado resultados destoantes do restante do setor nas eleições de 2022, sempre na mesma direção.
Economista critica levantamento que aponta favoritismo de Flávio Bolsonaro
“A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula”, escreveu.
Para o economista, a repetição do desvio acende um alerta. “É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na mesma direção”, afirmou.
Menezes também voltou suas críticas à imprensa. Em sua avaliação, grandes veículos deveriam tratar levantamentos como esse com mais rigor.
“Agora, grandes veículos divulgam que a Futura mostra Flávio na frente de Lula. O mais adequado seria ignorar ou pelo menos publicar uma ressalva já na manchete”, declarou.
Ele sustenta que a falta de critérios editoriais claros compromete a credibilidade da cobertura eleitoral. “Nesses casos, infelizmente, a imprensa brasileira só costuma adotar critérios editoriais quando servem como pretexto pra outros interesses comerciais”, escreveu.
O economista ainda criticou a opacidade na escolha dos institutos divulgados. “Desconheço um veículo que adote critérios transparentes, tecnicamente avançados e voltados apenas ao interesse público”, pontuou.
Para ele, parte da mídia age por conveniência. “A maior parte dos grandes escolhe as pesquisas prediletas de forma arbitrária e, em geral, o resto trata todas da mesma forma pra caçar cliques”, afirmou.
Menezes citou o modelo americano como contraponto. “Um jornalista famoso chamado Nate Silver mudou a imprensa deles, que desde então dão aula: vários veículos de vários tamanhos publicam os próprios critérios editoriais e seguem a regra com rigor, muitos têm agregador com metodologia aberta e replicável”, escreveu.
A conclusão do economista é ácida. “Essa novidade na cobertura de pesquisas eleitorais chegou a muitos países do mundo. Ao cobrir pesquisas, infelizmente, nossa imprensa chegou a 2026 sem sair do século passado”, disse.
A última Futura de 2022 deu Jair na frente de Lula. Antes, no 1º turno, 4 das últimas 5 pesquisas Futura deram Jair na frente de Lula.
É muito difícil defender esses resultados. A série temporal divergiu radicalmente do resto do setor repetidamente, nos dois turnos, e sempre na…
— Pedro Menezes (@P_droMenezes) February 11, 2026
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