Helena que, ao contrário de Tereza, não tem nenhuma ligação mais profunda com Luciana, não tem qualquer tipo de aviso extra-sensorial. Pra ela, a percepção do acidente é puramente visual. À medida que nota o carro dos bombeiros se aproximando, as sirenes, o tumulto na estrada, ela tem a certeza de que algo sério aconteceu. Mas é só quando vê o ônibus virado e já em chamas que ela começa a sofrer. E tem imediatamente a certeza de que algo grave aconteceu a Luciana.
Voa para o local, as lágrimas escorrendo, e assiste o resgate, mortificada. Depois, segue na ambulância ao lado de uma Luciana desacordada.

No hospital, Luciana abre os olhos. Eles e o resto do rosto são as únicas partes de seu corpo que têm movimento. Da cabeça pra baixo, nenhuma sensação, nenhuma dor, nada. Consciente, ela percebe Helena, mas não quer conversa. Ainda está com muita, muita raiva. E expressa com a fisionomia para que Helena perceba e se afaste. Os médicos fazem testes, verificam se há reação ao toque em outras partes do corpo. Nada. Mas há outros tantos exames a serem feitos. Uma tensão absurda paira no ar naqueles segundos. Tensão rompida pelo toque de um celular.

A ligação é do Brasil, mas Helena não atende. Seja lá quem for, ela não tem nada a dizer. Ainda não.

A cena deve ser exibida na sexta-feira, dia 06.



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