A lancha corta o mar de Búzios em velocidade e sem destino. O medo das curvas foi um pretexto. Agora, agarrada a Marcos, Dora pode sentir mais e mais intensamente toda a masculinidade dele, que àquela altura está à flor da pele. Ela obviamente gosta. No fundo, através dos olhares, nos sorrisos e toques, os dois demonstram uma intenção clara: ambos se querem. Isso já estava explícito desde o primeiro momento, com uma diferença. Ao contrário do homem a seu lado, Dora não tem nenhum peso na consciência. Marcos, sim. Ele sabe que Helena está em algum lugar de Paris, a trabalho. E ainda que não possa flagrá-lo, há todo um compromisso entre eles que , quebrado, põe em risco uma relação bacana, de amor e cumplicidade.

Mas, talvez pela ação do vento – ou, simplesmente, pelo desejo que sente – esses pensamentos fogem da mente de Marcos naquela hora.
Param, num lugar bem afastado. Não há ninguém por perto. Dora propõe um banho de mar, e ousada, sugere que seja sem roupa mesmo. Marcos, claro, não se opõe. Eles mergulham, nadam, se deixam envolver pela água e pela paisagem. Ninguém, além dos pássaros, peixes e pedras.

Tocam-se, sorriem, brincam de esconde-esconde. Já não pensam em mais nada, entregue ao prazer dos sentidos. O beijo é uma conseqüência irresistível e inevitável. Mas e depois?

… Bem, depois é depois.

A cena deve ser exibida na terça-feira, dia 20.



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