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quarta-feira, 19 de junho de 2024

Bukassa Kabengele viverá um promotor de caráter duvidoso em Amor Perfeito

O ator conversou com o Área Vip e contou um pouquinho do trabalho ao lado de Juliana Alves

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Núcia Ferreira
Núcia Ferreira
Jornalista carioca com passagens pelas revistas Conta Mais, TV Brasil e TV Novelas. No site Área VIP, além de redatora, é repórter especialista em Celebridades, TV e Novelas.
Bukassa Kabengele vive o promotor Silvio Pacheco – Divulgação Globo

Em breve mais um personagem será conhecido pelo público em ‘Amor Perfeito’. O promotor Sílvio Pacheco, vivido por Bukassa Kabengele, entra em cena e terá um caráter duvidoso. Muito respeitado na cidade, ele é casado com Wanda, personagem de Juliana Alves, e apoiará a mulher em seu empreendimento ousado para a época. Porém, o promotor acabará tendo um deslize ao cair nas garras de Gilda (Mariana Ximenes) no plano de colocar Marê (Camila Queiroz) na prisão. Sua esposa, no entanto, sequer imaginará o lado “obscuro” do marido.

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O ator, que viveu no Congo até os 10 anos de idade, veio para o Brasil com os irmãos e o pai, o antropólogo Kabengele Munanga. Apesar de ter formado uma banda de soul/funk Skowa no início dos anos 2000, o artista se dedicou mesmo à dramaturgia. Ele coleciona papeis na Globo em produções como ‘Sexo e as Negas’ (2014), ‘Liberdade, Liberdade’ (2016), ‘Os Dias Eram Assim’ (2017) e ‘Malhação: Vidas Brasileiras’ (2018)’. O ator também viveu Nelson Mandela no episódio de ‘Falas Negras’ (2020), além de novelas em outras emissoras.

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O ator conversou com o Área Vip e falou sobre o novo personagem, contracenar com Juliana Alves, cultura e questões raciais. Confira a entrevista.

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Você vai viver um promotor em Amor Perfeito, já tinha familiaridade com essa área da Justiça?

Nunca tive, mas sempre tem uma primeira vez. Está sendo divertido, mas o personagem tem camadas que o mostram também em seu cotidiano com a esposa. Tem campos abertos para serem explorados.

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O Silvio Pacheco vai acabar aceitando o suborno da vilã da história, Gilda, até onde a gente já sabe. Mas como é essa questão na cabeça do personagem, é um impulso, vilania ou poderemos esperar a consciência pesada do Silvio?

Diria que santo ele não é. Mas é alguém bastante respeitado na cidade. Tem uma ótima condição de vida. Há apontamentos na narrativa de que ele tem sentimentos de arrependimento quando faz algo que prejudica alguém. Então, ainda vou entender como proceder essas camadas no processo de gravação. Ele é muito ligado a esposa Wanda ( Juliana Alves) , existe uma química sexual entre eles, e ela tem o controle na relação. Então teremos ainda linhas a serem escritas nesse sentido. Um homem ambicioso, sofisticado e poderoso, que se vê refém de algo que ele permitiu ao se aliar a Gilda (Mariana Ximenes).  Do outro lado dessa fortaleza se vê frágil perante a esposa que ama incondicionalmente.

Bukassa Kagenbele faz par romântico com Juliana Alves em ‘Amor Perfeito’ – Reprodução Instagram

Você faz par romântico com Juliana Alves na novela. Como está sendo essa parceria com a  atriz? É a primeira vez que vocês trabalham juntos?

Adoro e admiro a Juliana Alves há bastante tempo. Uma mulher inteligente, linda e engajada. Excelente atriz. Trabalhamos juntos no longa metragem, “Eike Tudo ou Nada”. Já nos conhecíamos dos bastidores e é com admiração mútua. Está sendo incrível compormos esses personagens, esse casal e juntos  acharmos saídas que os tornem humanizados e interessantes para nós e para o público, com o que temos disponível como cenas e função dentro do folhetim. Estou amando nossa troca, acredito que faremos um trabalho honesto, intenso, divertido e sensível ao mesmo tempo. Agente se entende em cena, conversa com respeito e escuta. Estamos descobrindo caminhos interessantes para agregar e contar nossas histórias quanto aos personagens.  Embora aja divergências entre eles, é marcante o amor entre o casal.

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Você vem de trabalhos mais cults, como interpretar Nelson Mandela na série ‘Falas Negras’, entre outros, como é voltar às novelas no horário das seis, que são obras geralmente mais populares?

De fato, não fiz muitos projetos populares ou de massa, embora eu trabalhe bastante. Mas fiz como novelas ‘Malhação – Vidas Brasileiras na Globo’, e em outras emissoras e com papéis de destaque compus elenco principal  em ‘Vidas Opostas’ na TV Record, ‘Revelação’ e ‘Vende-se um Véu de Noiva’, no SBT. Foram novelas relevantes, de audiência que me trouxeram vivência no gênero. Estou tranquilo quanto ao fato de fazer ‘Amor Perfeito’. Estou mais experiente e venho fazendo inúmeros trabalhos nos últimos dois anos, somado a 12 projetos distintos sem parar nesse período, até receber o convite de compor o elenco da novela.  Me dedico com afinco em todos os trabalhos independente do gênero. Faço o meu melhor e quero evoluir no processo. Aprender e conhecer novos parceiros. Aprimorar ao máximo minhas habilidades de interpretar e compreender obras e personagens. Estar aberto a novas possibilidades e caminhos. Gosto de trabalhar dando a mesma importância em tudo que faço, novelas, séries, cinema, teatro e música.

Os próprios autores já levantaram a questão racial bem presente nessa história. Já começamos com um Marcelino, um dos protagonistas, que nasceu da relação de um negro com uma branca num contexto de preconceito ao redor. Como é para você estar presente nessa história dando voz às questões raciais, mas também oportunidade para tantos artistas negros em personagens bem relevantes para a história?

Existem formas diversas de tratar a questão racial. Essa novela traz um grande protagonismo não somente no elenco negro, que compõem 50%, mas também na equipe técnica e criativa. O diretor Artístico André Câmara se auto declara preto. Elísio Lopes Jr.,  o terceiro autor que assina a novela, é negro. E não somente, em outros setores que são pilares temos presença de homens e mulheres pretos. A obra não terá um caráter e discurso panfletário para tangir o racismo. Acho que de forma sofisticada, a questão estará dentro do contesto diário nas tramas, mas os personagens desde o protagonista Orlando (Diogo Almeida) que é um médico negro, ou Marcelino (Levi Asaf) filho negro de 8 anos de idade, fruto do casal protagonista, e outros inúmeros personagens terão seus lugares de fala respeitados. Existe a vigilância e cuidados por parte da equipe criativa, por conter em seu grupo profissionais negros, e não somente, mas a consciência e engajamento de cada ator, crianças, homens e mulheres negros, desde os mais velhos aos mais novos, saberem e entenderem realidades da negritude, o que faz  com que estejamos paralelamente  ao texto buscando formas anti racistas e assertivas de narrar essa história com delicadeza, verdade,  firmeza, arte, licença poética e, acima de tudo,  responsabilid3. Então, mais do que discurso, veremos nessa novela imagens positivas em relação a negros no que diz respeito a visibilidade e lugares normalmente lhes negados na sociedade brasileira e todo sua estrutura racista. A empatia por personagens se dá pelo protagonismo e sua humanização, na forma como são tratados dentro da obra. O impacto será positivo e, ou no mínimo nos levará a reflexões necessárias do que temos feito em termos imagéticos e estéticos na ficção com o povo brasileiro, digo, os não brancos que não estão amparados pelas cadeiras do privilégio. Precisamos naturalizar a visibilidade positiva de pretos e indígenas nesse país. O áudio visual tem responsabilidade e poder de interferir nos comportamentos e dinâmicas das pessoas na sociedade. Acredito que ‘Amor Perfeito’ nos abraça nesse sentido. O cuidado com a dignidade.

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Como está sua relação com a música atualmente?

Confesso que um pouco parada por conta da quantidade de trabalhos ininterruptos que tenho feito como ator. Mas não me incomodo, acredito que valorizando a minha imagem, respeitabilidade e nome, com calma acharei brecha para retomar a música com maturidade. Ela nunca saiu de mim, e nem eu dela. Está na minha alma e corpo.

Sempre surge a curiosidade de você ter passado a infância no Congo e ter vindo para o  Brasil aos 10 anos de idade. Você ainda tem parentes por lá, tem contato com o país?

Tenho muitos parentes certamente. Infelizmente não mais tenho os contatos. Quem os faz é apenas meu pai (Prof Kabengele Munanga), que já tem 83 anos, o que me preocupa. Mas aos poucos com primos que moram hoje no Brasil, e minha retomada do Francês como uma das línguas faladas na República Democrática do Congo, estarei me reconectando nesse sentido. É algo que já venho pensando. E também aguardo o livro que meu pai está escrevendo de suas memórias como legado para netos e filhos! A África está viva e pulsando em mim. Todas minhas heranças do Congo fazem parte da minha força.

Você vem de uma família politizada, com acesso à educação e cultura. Como você enxerga as questões culturais e sociais no Brasil de hoje?

Ter tido acesso a educação e cultura, foi a princípio uma escolha e luta de meus pais. Sou filho de um grande intelectual professor, doutor e titular em antropólogo e etnologia pela  USP, Kabengele Munanga. Uma grande referência no Brasil. A educação é um meio de se dar condições e instrumentos para uma pessoa poder se relacionar com as outras pessoas, de forma democrática, ética e civilizada dentro da sociedade. Para que ela possa dialogar, se expressar e estar apta a conviver com diferentes visões de mundo dentro de seu ciclo social ou em qualquer outro lugar independente de sua  origem. E para isso, é preciso ter acesso a saberes, escolas e ou caminhos que nos habilitem para tais aprendizados, e repertórios de matérias diversas que ampliem nossas capacidades cognitivas, permitindo melhor entendimento de quem somos e nossa relação com o mundo. (…) Para mim, educação e cultura, desde que haja oportunidades e reavaliação dos pilares de poder, são reais opções de esperança dos excluídos, numa sociedade que descrimina e mata, pela cor da pele, gênero, religião, entre outros.

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Núcia Ferreira
Núcia Ferreira
Jornalista carioca com passagens pelas revistas Conta Mais, TV Brasil e TV Novelas. No site Área VIP, além de redatora, é repórter especialista em Celebridades, TV e Novelas.