TV Globo/Renato Rocha Miranda

Saiba mais sobre ‘Joia Rara’, a nova novela das 18h da Globo, que estreia nesta segunda, dia 16.

Algo muito especial está prestes a acontecer. Em um mundo caótico, à beira de um colapso, onde sentimentos como compaixão e solidariedade estão em extinção, surge um ser para ensinar a humanidade a amar. Mostrar que é possível lapidar a joia interior de cada um para melhorar tudo em volta. Sua grande missão é harmonizar forças opostas, transformar a guerra em paz e promover o amor.

Sim, ‘Joia Rara’, é antes de tudo uma história de amor. De um homem por uma mulher, de uma mãe pela filha, de um avô pela neta e de uma criança pelo mundo inteiro. Abraça a ideia de se fazer o bem e viaja no tempo e pelo mundo. Nos Himalaias dos anos 30, quando a Segunda Guerra está para eclodir na Europa, um líder espiritual budista se despede da vida; no Brasil, nasce um bebê fruto de uma paixão intensa e improvável. Nunca antes dois episódios foram tão distantes e tão próximos ao mesmo tempo. Será a criança a reencarnação do mestre?

A trama vai dos anos 30 aos 40, percorrendo a Lapa boêmia, as cores vibrantes dos cabarés, o glamour de Copacabana, a alegria dos cortiços e a luta da classe operária por melhores condições de trabalho. ‘Joia Rara’ é uma novela de Thelma Guedes e Duca Rachid, escrita também por Thereza Falcão com a colaboração de Manuela Dias, Ângela Carneiro, Newton Cannito, Camila Guedes e Luciane Reis. Com estreia prevista para 16 de setembro, tem direção geral de Amora Mautner e direção de núcleo de Ricardo Waddington.

No Teto do Mundo 

Estamos em 1934. O milionário brasileiro Franz Hauser (Bruno Gagliasso) se aventura nos Himalaias. Quer chegar ao ponto mais alto da cordilheira, feito até então nunca alcançado por um homem. E consegue, ao lado seus amigos Manfred (Carmo Dalla Vecchia) e Eurico (Sacha Bali). Mas o inesperado acontece: os três são tragados por uma avalanche e se perdem um do outro. Muitas horas depois, monges budistas em peregrinação encontram Franz desacordado na neve, à beira da morte. Levam-no imediatamente ao fictício mosteiro de Padma Ling e, durante dias, oram à sua cabeceira, velando o sono do rapaz e cuidando de seus ferimentos com medicina natural. Quando Franz finalmente recobra a consciência, conhece Ananda Rinpoche (Nelson Xavier), o líder espiritual do mosteiro. Apesar de tão diferentes – e, talvez, até mesmo por isso – criam um vínculo profundo. Franz (Bruno Gagliasso) é um jovem materialista, que não acredita no mundo espiritual. Cético e prático, é criado para assumir os negócios do pai no Brasil. Provavelmente se casará com uma moça de família tradicional para dar continuidade à fina hereditariedade dos Hauser. Ananda (Nelson Xavier), sábio, questiona as convicções de Franz (Bruno Gagliasso). Acha graça da sua incredulidade, tenta ensinar-lhe que é impossível controlar o destino. “O mundo se transforma”, diz ele. “E a sabedoria está em entender e aceitar justamente o movimento da vida”, completa. Fala sobre reencarnação e compaixão, na esperança de que o amigo aceite a provável morte dos companheiros nas montanhas nevadas. Mas nada surte efeito, pois Franz não acredita em outras vidas. O tempo passa e a amizade dos dois só cresce. Ananda (Nelson Xavier) sabe que laços invisíveis aos olhos os unem, ainda que Franz (Bruno Gagliasso) não faça ideia disso. Logo descobrem uma paixão em comum: o futebol. Às vésperas da Copa do Mundo, o brasileiro ensina aos monges as técnicas do esporte em partidas divertidas que mobilizam todo o mosteiro. Mas é chegada a hora de voltar para casa. Na despedida, diante da tristeza de Franz (Bruno Gagliasso) por achar que nunca mais reencontrará o amigo, Ananda (Nelson Xavier) profecia: “Se você não voltar aos Himalaias, quem sabe os Himalaias não vão até você?”.

E assim será. Um dia.

O retorno do primogênito

No Brasil, Ernest Hauser (José de Abreu) está desesperado por acreditar que perdeu Franz, seu primogênito. Nascido na Suíça, dono de uma joalheria e de uma fundição de prata, Ernest é um conservador, aferrado às suas convicções. Poço de arrogância, frieza e preconceito, não hesita em humilhar quem quer que seja para alcançar seus objetivos. Comanda a família com pulso firme e não deixa que os filhos sequer pensem em se desviar do caminho que traçou para eles. Mantém todos sob seu domínio, seja em casa ou no trabalho. E sempre sonhou em ver Franz (Bruno Gagliasso) assumir os negócios. Com a notícia, passa a viver triste pelos cantos da mansão de Copacabana, rodeado pela caçula, Hilda (Luiza Valdetaro), e pelo filho do meio,Viktor (Rafael Cardoso), que não ousam enfrentá-lo. Frau Gertrude (Ana Lúcia Torre), a governanta, organiza tudo com mão de ferro desde que Ernest (José de Abreu) enviuvou. O filho dela, Manfred (Carmo Dalla Vecchia), também mora ali e é criado como um agregado da família. A chegada de um telegrama, informando que Franz (Bruno Gagliasso) não morreu na avalanche, é um sopro de vida para Ernest (José de Abreu). No cais do porto, pai e filho se reencontram emocionados. E Franz não se contém de alegria ao ver que Manfred (Carmo Dalla Vecchia) sobrevivera ao acidente nos Himalaias. Finalmente o destino estava voltando para os trilhos. Mas nem todos estão felizes com isso.

Um Romeu e Julieta à brasileira

Ele, um herdeiro mimado e materialista; ela, uma imigrante nordestina pobre e determinada. Ele mora em uma mansão opulenta em Copacabana; ela vive em um cortiço na Lapa. Franz (Bruno Gagliasso) e Amélia (Bianca Bin), com vidas tão opostas, têm tudo para nunca sequer se esbarrarem. Mas há a Fundição Hauser no meio do caminho. Ele é o filho do dono; ela é uma das operárias. Os dois se conhecem por acaso, quando ela procura Ernest (José de Abreu) para reclamar do péssimo tratamento dispensado a um dos funcionários. Ao ouvir seu nome, Franz (Bruno Gagliasso) se lembra de que, no topo dos Himalaias, pouco antes do acidente fatal, seu amigo Eurico (Sacha Bali) lhe contou que estava apaixonado por Amélia (Bianca Bin), uma operária da fundição. Emocionado com a recordação e impressionado com a beleza da moça, Franz apaixona-se por aquela mulher. O amor à primeira vista parece inabalável, mas não é. Mundo (Domingos Montagner), irmão de Amélia (Bianca Bin), é o rival número um de Ernest (José de Abreu), pai de Franz. Mundo também trabalha na fundição, é o líder dos operários e não se cansa de reclamar da exploração do patrão. Para piorar, o milionário é apaixonado por Iolanda (Carolina Dieckmann), namorada de Mundo, e tenta conquistá-la o tempo todo. As famílias se detestam, portanto. Ignorando seus próprios prognósticos, Franz (Bruno Gagliasso) abre mão da herança para ficar com Amélia (Bianca Bin). Ele se muda para o cortiço, casa-se com ela e juntos têm uma filha, Pérola (Mel Maia). Mas o destino e os vilões não deixarão que a vida seja fácil para o casal. Vítima de uma armação, Amélia é presa. Obrigada a se separar de Franz e Pérola, sofre sozinha na cadeia. A menina é criada pela família do pai e é a única que consegue amolecer o coração do avô, Ernest (José de Abreu). Pérola tem algo de muito especial. Dez anos se passam. Amélia é solta e, então, o destino vira de novo.

O ilegítimo e a vingadora

A família Hauser não sabe, mas tem dois inimigos. O primeiro deles, dentro da própria casa, é Manfred (Carmo Dalla Vecchia), o agregado. Filho bastardo de Ernest (José de Abreu) com Gertrude (Ana Lúcia Torre), tem o coração tomado pela inveja e pelo rancor. Não admite, mas sente pena de si próprio. Apesar de ser tratado com cordialidade, continua sendo o filho da empregada e abomina tal condição. Apesar de desconhecer este segredo, Franz (Bruno Gagliasso) o trata como irmão, mas Manfred quer mais: quer o lugar de Franz, a mulher de Franz, a inteligência de Franz. Quer tomar seu lugar na fábrica e no coração de Ernest. Para isso, é capaz de mentir, ferir, tramar e roubar. Ninguém sabe, mas a morte de Franz (Bruno Gagliasso) nos Himalaias estava sendo urdida por Manfred (Carmo Dalla Vecchia). Pouco antes do acidente, sabotara o equipamento do amigo para que despencasse. A avalanche foi somente o toque dramático do acaso, pura sorte. Mas sua alegria dura pouco, pois Franz é salvo pelos monges e volta para casa. Agora, Manfred precisa pensar em outro plano para derrubar o meio-irmão. E ele encontra em Silvia (Nathalia Dill) a parceira ideal. A moça aparece de repente na joalheria à procura de um trabalho como designer de joias. Ernest (José de Abreu) e Franz (Bruno Gagliasso) se encantam por seu portfólio e a contratam. Após uma investigação, Manfred (Carmo Dalla Vecchia) descobre que Silvia (Nathalia Dill) quer se vingar dos Hauser. Seu pai, de quem herdou o talento para joalheria, morrera na miséria depois de ser preso injustamente por causa de Ernest (José de Abreu). Silvia e Manfred se unem e passam a armar todas as trapaças possíveis para destruir a família, principalmente o relacionamento de Franz e Amélia.

A alegria e o brilho da Lapa

Em um cortiço na Lapa, com influências italianas e nordestinas, moram quase todos os operários da fundição. Apesar da falta de dinheiro, alegria é o que não falta àquela gente. Ali, há almoços comunitários, festas e comemorações. Amélia mora em um dos cômodos com Mundo e o padrinho, Apolônio (Luiz Gustavo). Iolanda e seu pai, Venceslau (Reginaldo Faria), também, assim como Toni (Thiago Lacerda) e sua mulher, Gaia (Ana Cecília Costa). No Cabaré Pacheco Leão, reinam plumas, paetês e muita diversão. Comandado por Arlindo (Marcos Caruso) e sua esposa, Miquelina (Rosi Campos), o lugar é ponto de encontro de quem gosta de música e dança da melhor qualidade. Na primeira fase da trama, nos anos 30, a estrela da vez é a vedete Lola Gardel (Letícia Spiller) que, apesar da beleza e do rebolado, anda meio démodé. Mas os anos 40 chegam trazendo um frescor e uma novidade chamada Aurora Lincoln (Mariana Ximenes), que aporta no palco do cabaré vinda diretamente de Paris com seu partner Joel (Marcelo Médici). As vedetes moram na pensão de dona Conceição (Cláudia Missura), uma mulher engraçada e sovina. Dália (Tania Khalil), Cristina (Giovanna Ewbank), Matilde (Fabiúla Nascimento), Serena (Simone Gutierrez), Elisa (Guta Ruiz) e Zilda (Aminha Lima) sofrem com sua tacanhice. Conceição tem uma ajudante, sua sobrinha Creontina (Luana Martau), uma divertida moça do interior. A pensão é palco de muita diversão, mas também de conflitos e emoção.

Luta de classes

No Brasil dos anos 30, os operários reivindicam melhores condições de trabalho nas fábricas. Na Fundição Hauser não é diferente. Liderados por Mundo (Domingos Montagner) e Toni (Thiago Lacerda), os funcionários volta e meia entram em confronto com Ernest (José de Abreu), que consideram um patrão tirano e opressor. Insuflados pelas injustiças sociais, os trabalhadores se envolvem com política e sofrem os revezes. A trama, que começa em 1934, passa pelo Estado Novo instaurado por Getúlio Vargas e chega a 1945, no momento em que os presos políticos – entre eles Mundo, Toni e Amélia – são anistiados e a Segunda Guerra chega ao fim. É um novo recomeço.

Dos Himalaias para o Rio de Janeiro

Em 1945, o monge Sonan (Caio Blat) finalmente realiza um de seus desejos: viajar para o Brasil atrás da pessoa na qual acredita que Ananda (Nelson Xavier) reencarnou. Segundo a filosofia budista, um Rinpoche sempre escolhe onde e em quem vai reencarnar, e é missão de seus discípulos comandarem esta busca. Seguindo sua intuição, seus sonhos e pequenos sinais deixados pelo próprio Ananda, Sonan tem certeza de que a escolhida é uma criança que mora no Rio de Janeiro. Acompanhado dos fiéis monges Tempa (Ângelo Antônio) e Jampa (Fabio Yoshihara), Sonan (Caio Blat) chega ao seu destino. Os três passam por poucas e boas: quase se afogam em Copacabana, empolgados com a primeira vez em que veem o mar. São assaltados, confundidos com pedintes maltrapilhos e presos. Finalmente, acabam na pensão de Conceição (Cláudia Missura), onde são acolhidos pelas vedetes e pelos moradores do cortiço. Ao fim de uma procura incessante, Sonan (Caio Blat), Tempa (Ângelo Antônio) e Jampa (Fabio Yoshihara) têm certeza: Pérola (Mel Maia) é a reencarnação de Ananda Rinpoche (Nelson Xavier). Os sinais são muitos. Por exemplo, ela reconhece todos os objetos pessoais do líder e faz vários desenhos do mosteiro onde ele morou, como se já conhecesse o lugar. Além disso, nasceu no mesmo ano em que ele morreu. Franz e Amélia, que estão separados, apesar de ainda se amarem, reagem de maneira diferente à notícia. Ele, ainda que tenha um enorme carinho pelos monges, continua cético em relação à reencarnação. Amélia se enche de dúvidas, mas acaba acreditando, diante das várias evidências. Pérola é a mais animada, quer ir logo para o Mosteiro de Padma Ling começar seus estudos e assumir sua condição de líder espiritual budista. No fundo, o que ela quer mesmo é ver os pais juntos novamente. Nada mais apropriado do que as montanhas nevadas dos Himalaias para o esperado reencontro.

As cores e os sons do Nepal

Em maio, a equipe de ‘Joia Rara’ passou 20 dias no Nepal gravando cenas do núcleo budista, sob a direção geral de Amora Mautner. As locações escolhidas foram as cidades de Katmandu, Patan e Bhaktapur; Bungamati, uma vila do século XVI; o Golden Temple e o Mosteiro de Shechen. As cores quentes, principalmente vermelho e dourado, inspiraram a equipe de figurino, produção de arte e cenografia. Os atores Bianca Bin, Bruno Gagliasso, Caio Blat, Nelson Xavier e Mel Maia se encantaram com as paisagens exuberantes e a gentileza dos nepaleses. Diariamente, a produção usava cerca de 60 figurantes locais. A equipe de figurino levou cerca de 200 peças de roupas e acessórios, em um total de 24 malas. A produção de arte aproveitou para comprar vários objetos, principalmente porta-incensos, roupas de cama, objetos de oração e os recipientes de madeira onde os monges costumam comer. Foram gravadas, no Nepal, cenas do encontro de Franz e Ananda, da morte do mestre e da chegada de Pérola com o pai e Amélia ao mosteiro fictício de Padma Ling, já na segunda fase da trama.

Cenografia e produção de arte – Do mínimo ao máximo

Os anos 30 e 40 foram recriados no Projac para que o telespectador mergulhe intensamente na atmosfera de ‘Joia Rara’. São duas cidades cenográficas que, juntas, somam 8 mil metros quadrados, além de cerca de 60 cenários, em estúdio. As equipes de produção de arte, liderada por Ana Maria Magalhães, e cenografia, a cargo de João Irênio, trabalham juntas para que haja verossimilhança sob todos os aspectos. Na cidade cenográfica da Lapa, um bonde passeia por um trilho de 70 metros de comprimento, construído especialmente para a novela. “Tivemos que mexer no arruamento da cidade e botar madeiras sob os trilhos, para evitar reverberação”, conta Irênio. Cada ambiente da novela foi cuidadosamente estudado. Para os quartos do mosteiro fictício de Padma Ling, por exemplo, Irênio trabalhou com uma estética minimalista. “A filosofia budista compreende o vazio, a ausência. As pessoas poderão achar esses cenários pelados, mas é proposital. São quartos quadrados, tipo caixotão, sem quase nada dentro. Esta é a realidade dos monges”, diz ele. Para os ambientes cariocas, a ideia é outra: muito movimento. Serão cenários com curvas e arcos, os atores poderão caminhar por eles, entrar por um lugar e sair por outro. “O trabalho de cenografia é extremamente psicológico, podemos ajudar o ator a ter um real sentimento de angústia apenas estreitando um corredor”, exemplifica o cenógrafo. A mansão Hauser, onde mora o austero Ernest (José de Abreu) e sua família, é no estilo art deco. Além disso, é sombria e gelada. Para dar este clima, a decoração é toda em preto e cinza. Em cima da lareira, há uma reprodução da tela ‘Narciso’, de Caravaggio, que representa exatamente como é o dono daquele lugar. “Ernest é seco, para mim é quase um zumbi, não tem sangue nas veias. Sua casa terá um ar parado, eu quis fazer algo insólito”, conta Irênio. Em contraponto, o Cabaré Pacheco Leão – inspirado em Moulin Rouge – e o cortiço são pura alegria. No primeiro, imperam o vermelho e o dourado, com muitos tecidos no lugar de paredes. No segundo, reinará aquela balbúrdia típica das influências italiana. Para dar vazão ao estilo de direção natural e improvisado de Amora Mautner, os espaços neste cenário são bem próximos uns dos outros. A ideia é gravar direto, praticamente sem pausas, de um apartamento para outro. “As pessoas ali são mais alegres e unidas. Há somente um banheiro para todas as famílias, então fica todo mundo na fila. Há uma cozinha comunitária, apesar de cada um ter seu próprio fogareiro. As casas têm divisórias de cortinas, os filhos dormem nas camas dos pais. Como geladeira era artigo de luxo, no cortiço as pessoas arrumam os alimentos nas janelas”, conta Ana Maria Magalhães. Para a joalheria Hauser, a produção de arte pediu a alguns designers réplicas de joias art deco. Haverá muitos brilhantes e pedras, como safiras, turmalinas e rubis. Para a segunda fase, em 1945, a moda serão as pérolas, que estarão principalmente em colares de três voltas. A equipe de Ana Maria Magalhães também criou uma radionovela fictícia, com jingle e tudo, que será ouvida principalmente pelos moradores da pensão. Também confeccionou um livro sobre a vida de Buda, com ilustrações, que será lido para Pérola (Mel Maia) na trama.

Figurino – Mil tons de vermelho

O maior desafio da figurinista Marie Salles em ‘Joia Rara’ foi, sem dúvida, perceber que não existe somente um tipo de vermelho no mundo. As roupas dos monges do núcleo budista lhe provaram isso. “Descobri que há vários subtons de vermelho, uma loucura. Foi um trabalho intenso de tingimento até conseguirmos todos que queríamos” conta ela, que chegou a vestir 200 figurantes durante as gravações no Nepal. Como parte da novela se passa em um lugar inventado nos Himalaias, Marie pegou influências de vários países daquela região – como China, Indonésia, Mongólia – e misturou tudo. Na trama, as cores das roupas de quem mora lá irão do azul ao preto pálido, passando pelos verdes acinzentados. Nos núcleos do Rio de Janeiro, haverá distinção de figurino entre as duas épocas – 1934 e 1945 – e as duas classes sociais vigentes – ricos e pobres. Alguns personagens começarão a novela em uma classe e terminarão em outra, como Silvia (Nathalia Dill). “No início, Silvia não tem dinheiro, mas se veste bem. Ela usa pantalonas de cintura alta dos anos 30 com casacos de 1910, como se os tivesse comprado em brechós. Ela é bem moderna e estilosa, usa turbantes. Depois que enriquece, passa a vestir Dior, saias lápis, basques (espécie de corpete). Tudo com ombros estruturados e cintura marcada, de cores como preto e bronze”, adianta Marie. Para a protagonista, Amélia (Bianca Bin), a figurinista separou roupas com patchworks de estampas florais e tons pastéis em tecidos fluidos. Dez anos depois, ela começa a usar roupas mais rígidas e sérias, nada sensuais. “Tudo da Amélia é no olho, ela não tem sex appeal”, explica Marie. Já as vedetes do Cabaré Pacheco Leão serão sedutoras e coloridas, usarão plumas e paetês. Lola (Letícia Spiller), por exemplo, uma clara homenagem a Carmen Miranda, usa babados e lingerie aparente, misturando vermelho, verde e roxo em um mesmo look. O figurino masculino também terá suas particularidades. Enquanto Ernest (José de Abreu) usa ternos impecavelmente bem cortados, gravatas de seda e abotoaduras de cristal, seu antagonista, Mundo (Domingos Montagner), usa bonés, camisetas brancas e calças marrons. “Costumo brincar que Ernest é a minha protagonista. Ele faz a unha, corta o cabelo o tempo todo, cuida da pele, é minuciosamente arrumado. Fiz um figurino bem austríaco, rico”, conta a figurinista. Seu filho, Franz (Bruno Gagliasso), é mais moderno, usa terno xadrez de um botão só, de modelagem mais moderna. O vilão, Manfred, é um zero à esquerda, apagado e submisso. E suas roupas traduzem isso: ternos sem a menor graça, gravatas e camisas lisas. “Ele é um nada, tem que passar despercebido mesmo”, avalia Marie.



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