Órfãos da Terra - Laila - Jamil - Dalila (Globo/Paulo Belote)
Órfãos da Terra – Laila – Jamil – Dalila (Globo/Paulo Belote)

Saiba mais sobre a nova trama das seis da Globo, ‘Órfãos da Terra‘, que estreia nesta terça-feira, dia 02.

Diversas culturas, crenças, sonhos, sotaques e uma só nação: o Brasil. Surpreendidos pela paixão e fugindo de uma nação em guerra, Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes) desembarcam no país para tentar viver o amor que os uniu ainda no Oriente Médio. Ela, uma refugiada síria. Ele, libanês, empregado do poderoso sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que tomou Laila à força, como uma de suas esposas.

No pano de fundo dessa história de amor, o universo de pessoas de diversos lugares do mundo, refugiados de guerras, fugindo de perseguição política ou religiosa, ou ainda deslocados por razões econômicas ou acidentes naturais. ‘Órfãos da Terra’ mostra que essas pessoas vieram, vêm e continuam vindo para o Brasil, um país que tem por tradição o acolhimento e o convívio pacífico entre as diferenças, para recomeçarem suas vidas. E que, apesar das dificuldades, trazem um patrimônio cultural que nos enriquece e constitui. Uma só ancestralidade vivendo sobre a mesma terra.

Uma noite de celebração muda o destino da família Faiek

Fardús significa “paraíso” em árabe. O nome da fictícia cidade do interior da Síria entrega o clima de alegria e paz de seus moradores, apesar do conflito que assola o país. Lá, vive a família de Elias Faiek (Marco Ricca), um competente engenheiro, e Missade (Ana Cecília Costa), cozinheira, dona de um bem-sucedido restaurante na região. Eles são pais de Laila (Julia Dalavia) e Khaléd (Rodrigo Vidal), que está prestes a completar cinco anos, a serem celebrados em uma festança para todos os familiares. Missade conta com a ajuda das mulheres da família para dar os últimos retoques no salão de seu restaurante e preparar os quitutes sírios do banquete.

O aniversário do menino é um sucesso, e todos celebram com alegria, dançando o dabke, uma dança tradicional síria. Até que rebeldes invadem o local, assustando a todos. Fardús é alvejada por bombas aéreas, causando destruição por toda parte, inclusive na casa dos Faiek. Elias, Laila e Missade não são atingidos pelo bombardeio, mas Khaléd fica gravemente ferido na perna. Com a cidade em ruínas e depois de perderem tudo, Laila e sua família atravessam a fronteira da Síria a pé em direção ao Líbano. Eles buscam abrigo em um campo de refugiados, na capital Beirute, para cuidar da saúde de Khaléd.

Centenas de pessoas, como eles, vindas de todas as partes da Síria, vivem em barracas, em situação de contingência. Sem perspectiva de futuro e lamentando o que deixou para trás, a família Faiek passa seus dias juntando os cacos do que restou e se organizando para buscar refúgio no Brasil. A ideia de Elias é usar todo o dinheiro que conseguiu recuperar dos escombros de sua casa para comprar passagens para São Paulo, onde mora Rania (Eliane Giardini), prima de Missade.

O poderoso sheik das arábias

Na mesma Beirute que abriga o campo de refugiados, está localizada a suntuosa mansão de Aziz Abdallah (Herson Capri), um poderoso sheik árabe, radicado no Líbano. Multimilionário e dono de inúmeros negócios, ele vive com suas três mulheres e filhas. Soraia (Letícia Sabatella) é a sua primeira esposa e mãe de Dalila (Alice Wegmann). As outras duas, Fairouz (Yasmin Garcez) e Áida (Darília Oliveira), têm ainda menos importância dentro do harém de Aziz. Além de terem vindo depois, nenhuma delas, assim como Soraia, foi capaz de dar ao sheik um filho homem.

Na falta de um herdeiro varão, Aziz elege Dalila como a filha preferida. Ele a vê como sua sucessora na presidência das empresas. Para isso, a jovem está sendo educada nas melhores escolas de Londres. Machista e obcecado por poder, Aziz percebe nela uma inteligência incomum, além de arrojo, determinação e ambição. Características que o pai está convicto de que ela herdou dele. Justamente por isso, Dalila é o orgulho de Aziz.

Além da família Abdallah, na mansão também vive o séquito de empregados e homens de confiança do sheik. Um deles é Jamil Zariff (Renato Góes). Mais do que um funcionário, Jamil é afilhado de Aziz. O sheik o resgatou, ainda criança, junto de seu primo, Houssein (Bruno Cabrerizo), em um orfanato para lhes dar casa, comida e estudos. Em troca, Aziz exige extrema lealdade e dedicação, em qualquer ocasião e circunstância.

E, justamente para manter-se leal, Houssein Zarif (Bruno Cabrerizo) esconde a paixão que sente por Soraia (Letícia Sabatella). Uma lealdade quase cega também move Fauze (Kaysar Dadour), outro guarda-costas de Aziz, e Youssef Abdallah (Allan Souza Lima), sobrinho do sheik. Louco por Dalila (Alice Wegmann), ele faz de tudo para provar ao tio que merece se casar com sua filha.

Mas é Jamil (Renato Góes) o escolhido para se casar com a filha do sheik. Escolha feita pela própria Dalila, que o deseja em segredo desde de muito jovem. A mão da moça é então oferecida por Aziz ao jovem empregado, como recompensa, após um grande ato de lealdade do rapaz para com seu patrão.

Jamil, no entanto, sonha se casar por amor, com uma jovem de sua escolha.  Ele rechaça o enlace com Dalila, uma moça cujo rosto jamais viu.

O amor desperta em meio ao drama dos refugiados

O campo de refugiados de Beirute funciona como um grande mercado para Aziz Abdallah (Herson Capri). É lá que ele, aproveitando-se do estado miserável em que muitos se encontram, busca pessoas dispostas a trabalhar a troco de muito pouco ou quase nada. No local, também costuma procurar moças “para sua diversão”, em troca de dinheiro. Mas, numa dessas visitas, o sheik se encanta por Laila (Julia Dalavia), que está prestes a viajar para o Brasil junto de sua família, e resolve tomá-la como sua quarta esposa.  Assim, propõe um belo acordo financeiro a Elias (Marco Ricca) em troca da mão de Laila. Mesmo estando numa situação muito difícil, Elias recusa a proposta do sheik.

Jamil (Renato Góes) também está no campo e, por uma artimanha do destino, é surpreendido pela visão de uma bela jovem brincando com algumas crianças. Esta jovem é Laila. Numa troca de olhares, Laila e Jamil se encantam um pelo outro. O encontro é rápido demais para se conhecerem melhor, mas suficiente para acender uma chama em seus corações.

Apesar do interesse por Jamil e da negativa do pai à proposta indecorosa de Aziz, Laila é forçada a tomar uma dolorosa decisão: casar-se com o sheik Aziz Abdallah para salvar seu irmão Kháled. Os ferimentos do menino se agravaram e ele vai morrer, se não for atendido num bom hospital. A família ficou sem dinheiro algum, depois que Elias foi roubado, a mando do próprio Aziz, que fez isso de caso pensado, a fim de tornar os Faiek ainda mais vulneráveis ao seu assédio.

Quando Laila chega à mansão de Aziz para casar-se com o sheik, Soraia (Letícia Sabatella) se compadece da pobre moça, já que viveu a mesma situação no passado. A primeira esposa de Aziz, então, revela para Laila que  foram os capangas de Aziz que assaltaram Elias, deixando a família na miséria. E anuncia a morte de Kháled, ocorrida logo depois de uma cirurgia de emergência.

Sem motivos para seguir adiante no sacrifício de se casar com Aziz, Laila foge da mansão do sheik, com a ajuda de Soraia. Como homens e mulheres não se misturam nas cerimônias de casamento, Aziz só se dá conta dessa fuga ao chegar ao quarto para consumar a união.

Inicia-se então a longa jornada de Laila para escapar da perseguição do sheik. De volta ao campo de refugiados, ela se junta aos seus pais, e a família segue para a Grécia, de onde embarca, num navio turístico, rumo ao Brasil.

Ciente da fuga, Aziz encarrega Jamil de trazê-la de volta. Ao descobrir que a mulher que deve capturar, a esposa de seu patrão, é a mesma moça por quem se apaixonou – Laila –, Jamil decide aceitar a incumbência a fim de protegê-la. Os dois se encontram no navio. E, certos de que serão muito felizes no Brasil, essa terra que abraça e acolhe a todos, o casal faz um trato, e deixa marcado um encontro, dentro de alguns dias, em São Paulo.

A chegada ao Brasil e o Instituto Boas-Vindas

Ao chegar sem renda nem o endereço de Rania (Eliane Giardini), prima de Missade (Ana Cecília Costa), a família Faiek é encaminhada para o Instituto Boas-Vindas, uma instituição que apoia e acolhe pessoas em situação de refúgio e/ou deslocadas.

Administrado pelo Padre Zoran (Angelo Coimbra), o Instituto abriga pessoas de várias etnias e culturas. Entre elas, Marie Patchou (Eli Ferreira), uma jovem congolesa que perdeu tudo em seu país após a guerra civil. Simpática e prestativa, a professora Marie se torna uma das grandes amigas de Laila (Julia Dalavia) no seu lar temporário. O namorado de Marie, Jean Baptiste (Blaise Musipère), do Haiti, fica bastante próximo de Elias (Marco Ricca). Músico nas horas vagas, Jean é mecânico em uma oficina na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. E, ao saber que Elias é engenheiro, consegue um emprego para ele no mesmo local.

No Instituto, Laila e seus pais conhecem também a Dra. Letícia Monteiro (Paula Burlamaqui), que presta assistência médica como voluntária, Rogério Pessoa (Luciano Salles), advogado e braço direito do Padre Zoran (Angelo Coimbra) na administração do local, e o médico sírio, refugiado, Faruq Murad (Eduardo Mossri), que vai lutar para ter seu diploma revalidado, a fim de exercer a medicina no Brasil.

Jamil, por sua vez, assim que desembarca no Brasil, vai direto ao encontro de seu amigo Ali Al Aud (Mohamed Harfouch) e é recebido com muita alegria. Filho de palestinos, Ali mora com a irmã Muna (Lola Fanucci) e o avô Mamede (Flávio Migliaccio). Com eles, toca a casa de chá ‘Aletria’, na Vila Mariana, local muito frequentado pela comunidade árabe de São Paulo.

Na vizinhança, mora uma família de origem judaica, liderada por Bóris Fischer (Osmar Prado), pai de Eva (Betty Gofman) e avô de Sara (Verônica Debom). Por ter tido a casa destruída pelo exército israelense, Mamede tem horror a qualquer aproximação entre as famílias. A tal ponto de não suportar que seu cão Sultão chegue perto da cachorra Salomé, do vizinho judeu.

A relação entre os vizinhos vai ganhar contornos tragicômicos quando Sara (Verônica Debom) se apaixonar por Ali (Mohamed Harfouch). O namoro entre eles acontece ao mesmo tempo em que Ester Blum (Nicette Bruno), a também vizinha das famílias de Bóris e Mamede, tenta arranjar o casamento de Sara com seu filho Abner (Marcelo Médici).

A ouriçada família Nasser

Alegre, falante e muito expansiva, Rania (Eliane Giardini) é síria e casada com Miguel Nasser (Paulo Betti), um comerciante brasileiro, também de origem síria. Os dois têm três filhas: Zuleika (Emanuelle Araújo), Aline (Simone Gutierrez) e Camila (Anaju Dorigon). Aline é a filha mais velha, casada com o nordestino e dono de uma oficina mecânica, Caetano (Glicério do Rosário). Os dois são pais do adolescente Benjamin (Filipe Bragança) e do menino Arturzinho (Rafael Sun). Aline e Caetano têm uma vida feliz, porém, incompleta. O sonho de Aline é ter uma filha, e por isso ela não dá sossego ao marido.

Zuleika (Emanuelle Araújo) é a filha do meio e braço direito do pai nos negócios da família. Juntos, eles tocam a Importadora Nasser. A casa de artigos de decoração, que vende peças importadas do Oriente Médio e do Extremo Oriente, fora construída por seu bisavô, e permanece na família até hoje. Durona e despachada, porém um pouco atrapalhada no campo afetivo, Zuleika conta com o auxílio de sua filha Cibele (Guilhermina Libanio) nos assuntos do coração. A jovem ativista e feminista dá apoio à mãe para sair de casa ao descobrir que ela está sendo traída por seu marido, pai de Cibele.

A mais nova das filhas de Rania e Miguel é também a mais mimada e fútil. Camila (Anaju Dorigon) gosta de boa vida e não esconde isso de ninguém. Ela dita as próprias regras e não aceita “não” como resposta.

Sempre ocupada entre cuidar da casa e de sua família, Rania não deixa de pensar em Missade (Ana Cecília Costa). Está aflita com a situação dos parentes na Síria, pois já faz algumas semanas que não tem notícias deles. Até que, numa ida à oficina de seu genro Caetano, Rania reconhece o marido de sua prima e descobre que, além de Elias, Missade e Laila sobreviveram à guerra e estão vivendo no Brasil e procurando por ela há muitos meses. A mulher de Miguel (Paulo Betti) vai imediatamente ao centro de refugiados com Elias reencontrar sua prima e buscá-la, junto do marido e da filha, para viverem em sua casa.

Um anjo brasileiro no meio do caminho

Bruno (Rodrigo Simas) é um jovem fotógrafo, de perfil humanista, cuja trajetória se cruza com a de Laila (Julia Dalavia). Bem-nascido, o filho de Norberto (Guilherme Fontes) e Teresa (Leona Cavalli) quase atropela a jovem, em uma das principais vias da capital paulistana.

Para ir ao encontro de Jamil, Laila sai do Instituto Boas-Vindas de bicicleta, rumo ao restaurante onde os dois combinaram de se ver. Laila sente uma tontura repentina e cai da bicicleta entre os carros. Desmaiada, é levada por Bruno (Rodrigo Simas) para o hospital.

Apesar do susto, a jovem desperta imediato interesse no fotógrafo, que ouve atento e comovido o relato de sua trajetória. É ela que apresenta a Bruno o Instituto Boas-Vindas. Não tarda para ele se apaixonar por Laila e ficar impactado com as histórias que ouve, o que vai mudar sua vida.

E também a vida de Teresa (Leona Cavalli), sua mãe. Os dois têm uma relação muito próxima e uma visão de mundo que destoa completamente da de Norberto (Guilherme Fontes). Enquanto o empresário obrigou a mulher a largar a carreira artística e se revolta com a falta de ambição do filho, os dois cultivam a solidariedade e empatia em suas relações.

Empatia e solidariedade também não são práticas muito exercidas por Valéria (Bia Arantes). Interesseira e manipuladora, a namorada de Bruno logo percebe que o relacionamento deles estremece com a chegada de Laila.

O desafio de retratar diferentes culturas

Damasco, Beirute, Londres, São Paulo. ‘Órfãos da Terra’ transita por várias capitais mundiais sem sair do país. Esse foi o desafio proposto para as equipes de produção de arte e de cenografia, que reproduziram essas realidades dentro dos Estúdios da Globo ou em locações pelo país.

Além da pesquisa em livros especializados, as áreas contaram com o auxílio de consultores das etnias retratadas na história, que trouxeram uma rica referência sobre objetos típicos dessas culturas. Na casa dos Fischer e da família Blum, o núcleo judaico da trama, a produtora de arte Nininha de Médicis investiu nos principais itens desse povo. “Em geral, no lar dessas famílias temos a Hamsá, uma espécie de escudo contra o mau-olhado, e também a Menorá, um castiçal que representa a luz de Torá. Outros símbolos como a Estrela de Davi também compõem os ambientes”, contou ela.

Segundo a cenógrafa Danielly Ramos, a principal referência para o núcleo sírio-libanês é Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes, com sua riqueza e modernidade. Em São Paulo, o destaque é para a Vila Mariana, bairro conhecido por abrigar diferentes culturas e atrair públicos de diferentes estilos. Construída nos Estúdios da Globo, a cidade cenográfica de seis mil metros quadrados é formada por um centro comercial, com acesso ao metrô e ao trem; a Importadora Nasser, comandada por Miguel (Paulo Betti), que comercializa itens do Oriente Médio; a casa de chá Aletria, de propriedade de Ali (Mohammed Harfouch); além das residências das famílias que ali vivem. O estilo arquitetônico do bairro é eclético, já que cada casa se molda ao estilo de sua cultura.

Outro lar que merece destaque é a residência do poderoso sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que, na história, fica em Beirute. Para representá-lo, foi escolhido o Palácio Quitandinha, um marco arquitetônico de Petrópolis, cidade a 80 quilômetros da capital do estado do Rio de Janeiro. O antigo hotel-cassino construído nos anos 1940, em estilo normando, tem salões grandiosos espalhados por seus 50 mil metros quadrados. “A novela vai apresentar esse universo do sheik de uma forma moderna e minimalista. Muitos tons de dourado, bege e ouro velho compõem a decoração da mansão de Aziz, além de flores em tons discretos como branco e verde”, afirma Nininha de Médicis.

Após uma breve temporada em Petrópolis, a equipe da novela aterrissou com cerca de 100 figurantes em São Paulo, cidade que ambienta a história. No topo do edifício Martinelli, construção icônica dos anos 1920, foram feitas as cenas do aguardado reencontro do casal protagonista, Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia), no Brasil. Outras sequências foram produzidas em regiões como o Centro, Vila Mariana, Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e no bairro da Liberdade, onde uma mesquita foi usada como locação. A equipe da novela ainda gravou as cenas que marcam a travessia feita pela família Faiek, em Arraial do Cabo, na região litorânea do Rio de Janeiro, e a bordo de um transatlântico, no percurso entre o Rio e São Paulo.

Para as cenas do campo de refugiados, para onde Laila e sua família fogem depois do bombardeio, a equipe de cenografia e produção de arte de ‘Órfãos da Terra’ construiu um campo cenográfico em uma área de 15 mil metros quadrados, no bairro de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. As gravações duraram uma semana e envolveram mais de 300 figurantes, sendo 30 de origem árabe. A novela selou um acordo de parceria técnica com o ACNUR – Agência da ONU para Refugiados, que contou com a colaboração de uma arquiteta da agência para a montagem do campo cenográfico, com a disponibilização de uniformes e tendas reais de operações humanitárias – que foram substituídas pela Globo por novas unidades habitacionais – e com o compartilhamento de informações sobre o contexto de deslocamento forçado e integração sociocultural das pessoas refugiadas.

A parceria inclui ainda uma agenda de colaboração permanente com elenco, as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid e o diretor artístico Gustavo Fernández. “Era um cenário que, para funcionar e causar impacto, tinha que ser grande, mas que é apenas uma passagem dos personagens principais, o que não justifica um investimento maior do que o que fizemos. Criamos ele mais realista, mais organizado. Funcionou muito, e o público vai perceber esse resultado na tela”, comentou o diretor Gustavo Fernández.

Cores e texturas atemporais e cosmopolitas

A caracterizadora Gilvete Santos sabia do tamanho de sua missão para compor o conceito visual de personagens de diferentes culturas retratadas na novela, e, por isso, se debruçou em uma extensa pesquisa. “Eu navego na internet todo dia, principalmente por conta do núcleo da Síria, que tem uma paleta de cores bem colorida e marcante, com que eu nunca tinha trabalhado. Vi que o kajal nos olhos, por exemplo, é muito usado”, explica ela.

A caracterizadora destaca o visual da libanesa Dalila (Alice Wegmann) como um dos mais elaborados. Gilvete aposta em um visual clean, porém marcante. “Dalila vem com uma pele linda, muito rímel e um traço roxo no delineador, além de muito blush em tons terrosos ou rosa, e uma boca natural”, define. A tatuagem de Dalila é sua marca registrada e também foi idealizada por Gilvete: “Ela é muito intensa e tem firmeza em tudo o que faz. A inscrição em árabe no seu pulso esquerdo significa “vida e fogo”, o que traduz a personalidade da herdeira do sheik”.

Bruno (Rodrigo Simas) e Valéria (Bia Arantes) também abusam das tatuagens. “O Bruno é um fotógrafo apaixonado pela profissão. Ao pesquisar sobre as tatuagens, descobri mais de 45 tipos de desenhos que retratam na pele essa paixão”. Em Valéria, os triângulos assimétricos no antebraço refletem a modernidade da paulistana. Todas as tatuagens estão sendo produzidas pelo departamento de efeitos especiais dos Estúdios da Globo e são aplicadas com o método de estêncil, de fácil remoção.

Em relação à ala masculina da novela, Gilvete aposta em barba e cabelos mais curtos. A ideia veio do visual dos jogadores de futebol árabes, que será adotado pelos capangas do sheik como Fauze (Kaysar Dadour) e Houssein (Bruno Cabrerizo). “O que mais vi foi libanês com cabelo raspado na lateral, com topetão liso, com cabelo e barba desenhados, que pode ser muito grande, média ou curta”, explica.

O hijab, lenço marcante da cultura árabe, tem protagonismo no conceito definido pela equipe de figurino liderada por Mariana Sued. “Descobrimos que o hijab pode ser fashion e assumir as formas mais variadas. Para nós, ocidentais, o elemento pode parecer incômodo, mas, para elas, é um símbolo cultural e de status”, explica Mariana, que procurou inspiração em filmes e livros. A figurinista aposta também em outro item para virar febre entre as brasileiras: “As batas são lindas, bordadas e com aplicações de pedras. Acho que vai virar moda”.

Escrita por Thelma Guedes e Duca Rachid, com Dora Castellar, Aimar Labaki e Carolina Ziskind e com a colaboração de Cristina Biscaia, ‘Órfãos da Terra’ é uma novela que fala de empatia, amor e união dos povos. A trama tem direção artística de Gustavo Fernández, direção geral de André Câmara e direção de Pedro Peregrino, Alexandre Macedo e Lúcio Tavares.

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