Saiba mais sobre a nova novela das nove da Globo, ‘Quem Ama Cuida’

Confira a sinopse da nova novela das 21h da Globo, que estreia nesta segunda, dia 18 de maio

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Quem Ama Cuida
Arthur (Antonio Fagundes), Adriana (Leticia Colin) e Otoniel (Tony Ramos)/ (Globo/ Manoella Mello)

Quando tudo desmorona, nem tudo se perde. Lições como essa conduzem o público ao longo de ‘Quem Ama Cuida‘, próxima novela das nove da TV Globo, cuja trama acompanha a transformação de Adriana (Leticia Colin), uma mulher que, diante de perdas irreparáveis, descobre a força de recomeçar, movida por uma profunda sede de justiça. Ambientada em uma São Paulo devastada por uma grande enchente, a novela apresenta uma trama urbana e contemporânea que dialoga diretamente com o melodrama clássico, apostando em grandes emoções, reviravoltas e surpresas. O texto, assinado por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, combina amizade, conflitos familiares, amor impossível, mistério e vingança, a partir das consequências do encontro entre Adriana e Arthur (Antonio Fagundes). Quando um casamento se torna o cenário de um crime que muda o destino de todos, a obra mergulha em uma história de superação, segredos e revelações. No elenco, nomes consagrados como Tony Ramos, Chay Suede, Isabel Teixeira, Alexandre Borges, Flávia Alessandra, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Deborah Evelyn, Tata Werneck, Agatha Moreira, Belize Pombal, Isabela Garcia, Breno Ferreira, entre muitos outros.

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O ponto de partida da história se dá em um dia que Adriana nunca esquecerá: após ser demitida da clínica onde trabalhava como fisioterapeuta, uma tempestade destrói sua casa, leva seu marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), arrastado pelas águas, e acaba com tudo o que havia conquistado. Ainda sem entender como seguir, ela vai parar em um abrigo, onde cruza pela primeira vez o caminho de Pedro (Chay Suede), um advogado idealista e sensível às desigualdades do mundo. Ao fazer trabalho voluntário no local, ele fica impressionado com a sua força em meio a tanto sofrimento. O encontro é rápido, intenso e deixa marcas em ambos.

Em busca de um recomeço, Adriana consegue um emprego na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), poderoso empresário do ramo de joias, solitário, endurecido pelas ausências e pela frieza da própria família, especialmente dos irmãos Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e da cunhada Silvana (Belize Pombal), viúva do seu irmão Belmiro. O relacionamento entre patrão e funcionária começa em confronto, mas, pouco a pouco, se transforma em uma ligação de confiança e amizade genuína. Arthur encontra em Adriana uma companhia leal, e ela começa a enxergar, por trás da aspereza, um homem carente de cuidado.

Esse vínculo provoca um gesto radical. Para impedir que a família, ambiciosa, herde sua fortuna, Arthur pede Adriana em casamento – não por paixão, mas como um pacto de amizade, proteção e gratidão. Dividida entre o orgulho e a urgência de mudar de vida pelo bem da sua família, Adriana aceita o acordo, mesmo com o avô Otoniel (Tony Ramos) se opondo à decisão. Enquanto isso, Pedro (Chay Suede), afilhado de Arthur e filho do advogado Ademir (Dan Stulbach), vê seu mundo ruir. A mulher que nunca esqueceu desde o primeiro encontro está prestes a se casar com seu padrinho. O sentimento reprimido se transforma em dor, desconfiança e conflito moral. Tudo se intensifica quando, na noite do casamento com Adriana, Arthur é assassinado misteriosamente. A noiva, herdeira e última pessoa a estar com ele, torna-se a principal suspeita. Condenada por um crime que não cometeu, Adriana terá uma jornada marcada pelo desejo de justiça e reparação, sem abandonar a sua fé na vida e no amor.

Em ‘Quem Ama Cuida’, cada reviravolta revela que a verdadeira força nasce no limite, porque, para Adriana, cuidar é também enfrentar o impossível – e mudar o próprio destino. “Adriana não é uma mocinha frágil, mas uma mulher empoderada, capaz de enfrentar tudo na vida, por si mesma e pelos seus. A novela tem uma grande história de amor entre Adriana e Pedro, e um grande mistério, pois teremos um ‘quem matou?”, destaca Walcyr Carrasco. “Ela é uma mulher do povo, que lutou muito por tudo que conquistou. Tem a cura nas mãos, não só pela profissão, mas porque ela cuida mesmo, abraça, acolhe, está sempre fazendo um carinho para alguém. E uma grande injustiça atravessa sua vida: Adriana perde a liberdade e seu grande amor, o Pedro“, complementa Claudia Souto.

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Na condução dessa história, está um trio criativo que é referência na teledramaturgia. Parceira de Walcyr em muitos projetos, Claudia Souto celebra sua estreia em uma novela das nove ao lado do autor que tanto a inspirou: “Walcyr é um mestre para mim. Fiquei emocionada quando nos falamos pela primeira vez após o convite, porque é um reencontro com uma pessoa que eu amo. Sempre vi as novelas dele, e ele comentava sobre as minhas também. Agora temos essa parceria reeditada“.

A diretora artística Amora Mautner encara mais uma jornada ao lado de Walcyr Carrasco e estreia a dobradinha com Claudia Souto, apostando nos elementos que estão por trás dos grandes títulos da dramaturgia para conduzir a trama. “O público vai se envolver com todas as armações que as famílias podem enfrentar quando o assunto é herança, e isso é só o início da história. Temos um clássico melodrama, com ideias muito originais, e o DNA de Walcyr Carrasco, agora também com as ‘tintas’ da maravilhosa Claudia Souto, trazendo a sua experiência, sempre tão importante. Tudo isso com um elenco de nomes consagrados. Vem mais novelão por aí”, destaca Amora.

‘Quem Ama Cuida’ celebra a força das histórias brasileiras, das novelas, que se reinventam continuamente. Seja como uma experiência multiplataforma, que acompanha o público onde ele estiver, seja em multiformato, expandindo suas narrativas para além das telas tradicionais e se consolidando como um gênero essencialmente multigeracional, que conecta diferentes idades em torno de histórias que emocionam, provocam conversas, estimulam reflexão e levam entretenimento de qualidade a milhões de brasileiros todos os dias.

A TRAMA

Adriana e Pedro

Um forte temporal transforma São Paulo em cenário de caos e dá início à jornada de Adriana (Leticia Colin), que vê sua vida desmoronar. Enquanto volta para casa após ser demitida da clínica onde trabalhava, uma enchente atinge a periferia da cidade, onde mora com sua família. O marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), o avô Otoniel (Tony Ramos), a mãe, Elisa (Isabela Garcia), e o irmão Mau Mau (João Victor Gonçalves) estão lá, e Adriana só pensa em chegar em casa, mas a água logo invade o local e força a família a fugir em meio à correnteza que se forma e destrói tudo o que eles levaram anos para construir. Durante a tentativa de ajudar uma família vizinha a escapar da enchente, Adriana e Carlos são surpreendidos por uma tromba d’água, que arrasta o marido e muda para sempre o destino de ambos.

No meio da tragédia, marcada não apenas pela perda da casa e dos bens materiais, mas também pela morte do marido, Adriana se divide entre salvar desconhecidos, proteger os seus e lidar com uma dor imensa, que redefine o rumo da sua história. Sem casa, sem emprego e amparada apenas pelos familiares, ela e os parentes que sobreviveram são acolhidos em um abrigo improvisado, onde a escassez de recursos contrasta com a solidariedade dos voluntários, entre eles, Pedro (Chay Suede), advogado que cruza o caminho de Adriana enquanto ela tenta juntar os pedaços da própria vida. Pedro vive frequentes atritos com o pai, Ademir (Dan Stulbach), construídos pelas visões opostas sobre justiça e propósito. E, como filho de um dos criminalistas mais respeitados do país, rejeita o destino de assumir o lucrativo escritório da família e dedica sua carreira a defender pessoas que não podem pagar por bons advogados, exatamente o oposto do que seu pai espera. E, se não bastassem os dramas envolvendo a relação com Ademir, o jovem é surpreendido por uma notícia envolvendo sua namorada, Bruna (Nanda Marques), que o deixa sem esperanças no amor, mas o encontro com Adriana muda tudo de perspectiva.

A relação de Arthur com a família

Em um mundo aparentemente oposto ao de Adriana (Leticia Colin), o empresário Arthur Brandão (Antonio Fagundes) vive cercado de luxo material. Viúvo, com problemas de saúde e sofrendo pela perda do filho, Heitor, que desapareceu enquanto esquiava, ele vive uma batalha não-declarada com os próprios irmãos, Pilar (Isabel Teixeira) e Ulisses (Alexandre Borges), e com a cunhada Silvana (Belize Pombal). Arthur conta apenas com a ajuda do amigo e advogado criminalista Ademir (Dan Stulbach), pai de Pedro (Chay Suede), seu afilhado, para defender o que é seu e evitar que sua irmã o interdite judicialmente para assumir o controle de sua fortuna. A disputa familiar expõe ressentimentos antigos, relações de interesse e uma trajetória marcada por abandono afetivo. Arthur acredita ter sido reduzido a um “caixa eletrônico” pelos parentes e, por isso, reage com agressividade a qualquer aproximação que considere ameaçadora.

Pilar e Ulisses sempre viveram às custas de Arthur, sustentados pela mesada que recebiam, mas nunca demonstraram afeto verdadeiro. Ambos carregam uma profunda inveja do irmão mais velho, o único que prosperou por mérito próprio. Os sobrinhos, por sua vez, tampouco ligam para o tio, especialmente os filhos de Pilar: Rafael (João Vitor Silva) prefere focar em sua carreira médica, mas sempre espera um investimento a mais do empresário em sua clínica; Ingrid (Agatha Moreira) tenta manter o trabalho de design de joias na joalheria do tio e Brigitte (Tata Werneck) vive centrada apenas em seus romances fracassados e obcecada pela ideia de encontrar o amor perfeito. Já Tiago (Gui Ferraz), filho de Silvana, apesar de ter um cargo importante na joalheria, mantém uma relação fria com o tio e não se sente valorizado por ele.

Diante de tanta indiferença da família, Arthur vive cercado pelos empregados fiéis: Diná (Rosi Campos), Edvaldo (Guilherme Piva), Tilde (Luana Martau) e Rosa (Tatiana Tiburcio), com os quais convive a maior parte do tempo. O empresário sente que é mais respeitado pelo dinheiro que possui do que pela pessoa que é. E essa situação se agrava quando Arthur corta a ajuda financeira que vinha dando aos irmãos e rompe de vez com a dinâmica de dependência econômica que mantinha. Para Arthur, a decisão é um gesto de sobrevivência emocional, para Pilar, é um ataque direto ao padrão de vida que ela considera um direito adquirido. Ela, então, decide tomar uma atitude extrema, com o apoio de Ulisses (Alexandre Borges), viciado em apostas, que precisa quitar suas dívidas e garantir o padrão de vida luxuoso que sempre prometeu à mulher, Fábia (Flávia Alessandra), à filha, Carolina (Mah Duarte) e ao enteado Felipe (Pietro Antonelli).

Inconformada com a perda da mesada e temendo o colapso financeiro da própria família, Pilar faz um pedido judicial de interdição de Arthur. Amparada por um advogado, ela sustenta que Arthur não tem mais plenas condições para administrar sua fortuna e seus negócios. Ao ser surpreendido pela notícia da interdição, Arthur sente-se traído e tem a certeza de que sua família só se aproxima quando há dinheiro envolvido. A disputa deixa de ser apenas judicial e passa a ser pessoal e irreversível.

O encontro de Adriana com o empresário Arthur Brandão

É nesse “deserto emocional” de Arthur (Antonio Fagundes) que Adriana (Leticia Colin) surge. O encontro entre eles acontece de forma inesperada, Adriana o socorre após uma tentativa de assalto, sem saber que a oportunidade de emprego que surge para ela é na casa dele. É nesse ponto que os dois universos começam a se cruzar.

Por indicação de Elenice (Mariana Sena), sua amiga de infância e filha de Rosa (Tatiana Tiburcio), cozinheira do empresário, Adriana vê a vaga de fisioterapeuta de Arthur como a única chance concreta de tirar sua família do abrigo e garantir alguma estabilidade. A profissional dedicada e sensível rapidamente conquista o afeto do empresário e se torna sua confidente. A amizade evolui, marcada por muito respeito, afeto e profissionalismo. Arthur passa enxergar nela alguém “decente”, em oposição direta à ganância da sua família, que começa encarar Adriana como uma ameaça à “sua” fortuna.

E é diante da possibilidade de ver todo o seu império destinado aos irmãos e ao sobrinho que Arthur faz uma proposta à jovem. De forma direta e consciente, pede Adriana em casamento – deixando claro que não se trata de paixão nem de desejo – como forma de retribuir tudo o que Adriana tem feito, garantindo ainda proteção legal e financeira a ela após sua morte. Adriana sabe que não ama Arthur e que vai comprar uma briga grande com a família dele, mas decide se casar por gratidão e senso de justiça para proteger a si e à própria família.

O casamento é marcado por tensão, sobressaltos e tragédia. Pedro (Chay Suede) descobre que a noiva do padrinho é a mulher por quem se apaixonou no abrigo, e a hostilidade da família é aparente. Após a festa, Arthur vai brindar o novo ciclo com a noiva na varanda. Um grito interrompe a noite. Adriana o encontra caído e, atônita, cruza com Pilar, uma das últimas a deixar a festa. A morte não é vista como acidente, e a viúva passa a ser a principal suspeita.

O recomeço de Adriana

Após ser injustamente condenada a 12 anos pela morte de Arthur, Adriana enfrenta humilhações, trabalhos forçados e a tirania das detentas na prisão, mas também encontra força e acolhimento na amizade com Nancy (Jeniffer Nascimento), parceria que se torna fundamental para sua sobrevivência emocional. Determinada a recuperar sua dignidade, Adriana usa o tempo atrás das grades para trabalhar no ambulatório e descobrir um novo propósito ao ajudar outras presas.

Seis anos depois, em liberdade condicional, ela tem dois objetivos claros: se vingar de todas as pessoas que a colocaram na prisão e desvendar o crime que tirou a vida de Arthur Brandão.

Entre o clássico e o contemporâneo: a São Paulo de ‘Quem Ama Cuida’

A produção parte de um conceito visual que atravessa todas as áreas criativas da novela: uma história urbana, ancorada na São Paulo contemporânea, mas atravessada por um toque de anos 90 – visível na construção dos personagens, nos códigos de figurino, nas escolhas de cenografia e na própria linguagem da direção. Sob o comando de Amora Mautner, a novela assume uma estética menos naturalista e mais desenhada, em que os ambientes, as roupas e os corpos em cena ajudam a contar a trajetória emocional e social dos personagens. A narrativa explora contrastes de classe, circulação pela cidade, deslocamentos cotidianos e espaços de trabalho e de afeto, compondo um retrato urbano reconhecível pelo público, mas filtrado por referências afetivas e visuais que remetem a outras décadas.

A produção teve, já no capítulo de estreia, um dos maiores desafios técnicos já realizados em uma novela das nove: a sequência da enchente que abre a trama e provoca transformações na vida de Adriana (Leticia Colin). As cenas exigiram uma combinação complexa de gravações em externas em São Paulo, com a cidade em movimento, na cidade cenográfica dos Estúdios Globo, na piscina do Parque Radical de Deodoro, no Rio de Janeiro, e tecnologia digital.

Começamos a gravar na cidade onde a trama é ambientada. Filmamos na Avenida Paulista, em frente ao MASP, no centro da cidade, e conseguimos algo que inicialmente parecia impossível: criamos chuva cenográfica em uma das ruas mais movimentadas do país, e de dia. Era muito importante para a gente começar assim, porque o primeiro capítulo mostra tudo o que a Adriana enfrenta naquele dia, do período da manhã até à noite. Ela atravessa a cidade sob a chuva forte, sai do Centro e vai à periferia, até chegar à casa dela, já inundada“, conta o gerente de produção Maurício Quaresma.

Cenografia e produção de arte: São Paulo nos detalhes

A cenografia, assinada por Cris Bisaglia, é o ponto de partida para organizar o mundo onde a história acontece. Coube a ela desenhar uma São Paulo reconhecível e dramatizada, capaz de acolher os personagens, seus deslocamentos e ações cotidianas, e transformar a cidade em um organismo vivo, feito de contrastes sociais, arquitetônicos e afetivos.

A partir disso, Cris e sua equipe planejaram boa parte dos ambientes. “O pedido da Amora era por universos bem-marcados, com personalidade visual forte, que ajudassem a contar a história“, conta a cenógrafa. Segundo Cris, a novela exigiu uma leitura detalhada de São Paulo, que desse conta de famílias tradicionais e ricas, núcleos de classe média, ambientes de trabalho, espaços públicos e casas marcadas por afeto e memória.

Alguns cenários se destacam nesse contexto, como a casa da personagem Rosa (Tatiana Tiburcio), por exemplo, que acolhe a família da protagonista em um dos momentos da história. “A Amora gosta de ação verdadeira, de ator se movimentando, fazendo coisas enquanto fala. Então os cenários precisavam permitir essa circulação orgânica. Foi a partir dessa lógica que surgiram plantas mais abertas e integradas, como na casa de Rosa, pensada para acolher gestos cotidianos e ações simultâneas – lavar um copo, atender o telefone – enquanto a cena acontece“, detalha Cris.

Outro destaque é o apartamento de Arthur Brandão, definido por um luxo clássico e silencioso, que traduz tradição, poder e dinheiro antigo. A casa do empresário aposta em um clássico contemporâneo rigoroso, com arquitetura grandiosa, materiais nobres, como mármores, dourados, veludos, papéis que remetem a tapeçarias, e jardins internos que evocam sofisticação paulistana e linhagem. Nada é ostentação fácil: tudo comunica refinamento, permanência e repertório cultural. Essa mesma lógica de excesso controlado ganha outra forma na joalheria Brandão, pensada como um espaço exuberante e vivo. Inspirada em joalherias internacionais de perfil mais opulento, o cenário aposta em dourados, vitrines iluminadas, metais reluzentes e em marcantes cortinas de correntes douradas, criando um ambiente sensorial que transforma riqueza em espetáculo visual.

Já a casa de Pilar (Isabel Teixeira) opera na contradição entre aparência e realidade. A decoração mistura estampas, brilho, cores, mármore e dourado, sempre tentando performar luxo, apesar do orçamento instável. O espaço é compartilhado e improvisado, refletindo a convivência apertada com os filhos adultos, e revela, nos detalhes, os limites financeiros por trás da exuberância estética.

A produção de arte da novela, assinada por Carolina Pierazzo, atua em conjunto com a cenografia em todos os detalhes. “Cada espaço foi desenvolvido a partir de uma lógica estética rigorosa, onde nada é gratuito: os cenários ajudam a definir personagens, relações de poder e estados emocionais, sempre dentro de uma linguagem visual controlada, urbana e contemporânea. A casa de Pilar (Isabel Teixeira) é um dos exemplos mais evidentes desse trabalho conceitual. Trata-se de um ambiente marcado por uma decadência silenciosa, que não se assume de imediato, mas vai sendo revelada aos poucos“, destaca Carolina. O cenário da personagem é denso, cheio de objetos acumulados, com sinais de economia e improviso no cotidiano, como ventilador no lugar do ar-condicionado, comida escassa, desorganização constante. Reflete uma vida que foi perdendo controle ao longo do tempo. Não é um espaço de miséria, mas de desgaste emocional e estrutural, agravado pela convivência dos três filhos adultos, Ingrid (Agatha Moreira), Rafael (João Vitor Silva) e Brigitte (Tata Werneck), dentro da mesma casa, o que intensifica a sensação de sufocamento e caos.

Em contraste direto, a joalheria de Arthur Brandão (Antonio Fagundes) é concebida como um território de poder, desejo e ostentação legitimada. “Desde o início, a proposta foi fugir de uma estética meramente cenográfica e buscar verdade material, o que motivou a utilização de joias reais em momentos-chave, aliadas a peças cenográficas cuidadosamente compostas. Buscamos também a parceria com um designer, que imprime assinatura, sofisticação e credibilidade ao espaço, um símbolo do império construído pelo personagem. Mais do que um cenário elegante, a joalheria funciona como palco de disputa, tensão e afirmação de status, traduzindo visualmente a força e a ambiguidade desse núcleo“, conta Carolina.

O apartamento de Pedro (Chay Suede), por sua vez, constrói um retrato íntimo de um jovem advogado idealista profundamente conectado a São Paulo contemporânea. É um espaço híbrido, que mistura casa e trabalho, mas, principalmente, referências culturais. A desordem aparente não é descuido: tudo é pensado para expressar intensidade, engajamento e um certo desinteresse por convenções estéticas tradicionais. “Discos de bandas brasileiras alternativas, o pôster de Sade e objetos como a caneca do MASP ajudam a desenhar um personagem sensível, fora do mainstream, com uma relação afetiva e simbólica com a cidade. O cenário respira modernidade urbana, mistura de linguagens e uma sofisticação sem ostentação“, detalha a produtora.

Um outro cenário importante para contar a história que ‘Quem ama cuida‘ traz é o abrigo. Ele dá continuidade ao impacto causado pela enchente, deslocando o foco do choque imediato para a permanência pós-tragédia. Trata-se de um espaço amplo, vivo e cheio de informação, organizado para ser legível em cena e emocionalmente verdadeiro.

Colchões, roupas, doações e áreas de atendimento são distribuídos de forma a criar camadas de profundidade e circulação para a câmera. Detalhes, como malas encostadas, cobertores dobrados, tentativas de organização, introduzem um olhar humano e sensível, enquanto a paleta cromática segue controlada, preservando a identidade visual da novela mesmo em um ambiente de crise.

Figurino e caracterização: corpo urbano, memória e identidade

O conceito visual de ‘Quem Ama Cuida’ se apresenta também no desenho de figurino e caracterização, que traduzem, no corpo dos personagens, essa São Paulo urbana, contemporânea e atravessada por referências afetivas dos anos 90.

A figurinista Flávia Costa, que assina a novela ao lado de Mari Sued, conta que a equipe buscou construir uma novela formalista, de personagens bem desenhados, com esse “cheiro” de anos 90, trabalhando com referências que o público reconhece, atualizadas. Esse desenho também se estende ao cotidiano. As chamadas “roupas de casa” de malhar, pedalar, descansar, ganham protagonismo como ferramenta narrativa. “Usamos muito isso para dar organicidade às cenas. A gente vê os personagens desmontados, em estados diferentes, não só prontos para o mundo. Isso aproxima o público e movimenta a cena. Na casa de Pilar (Isabel Teixeira), por exemplo, ela e os filhos andam de pijama, a filha Ingrid (Agatha Moreira) aparece com roupa de academia“, conta a figurinista.

Adriana (Leticia Colin), assim como Arthur e Pilar, concentra códigos visuais particularmente expressivos. A protagonista tem no vermelho, e em suas variações que caminham para o vinho, o eixo principal de sua identidade visual. Trata-se de uma mulher prática, urbana, que circula pela cidade usando jeans, botas e sobreposições, em um figurino pensado para o deslocamento e para a ação. A cor funciona como um farol dramático e destaca a personagem no caos urbano, especialmente, em sequências de grande impacto, como a enchente. Mesmo quando Adriana perde tudo e passa a vestir roupas doadas no abrigo, maiores e mais desgastadas, o figurino preserva esse código cromático, e garante reconhecimento imediato e continuidade emocional.

Pilar (Isabel Teixeira) é uma vilã declarada e veste o exagero com consciência estética. Animal print em múltiplas variações, volumes amplos, capas e sobreposições marcam sua primeira fase, evocando um imaginário oitocentista e Kitsch, com referências diretas ao melodrama clássico.

A novela cruza diferentes classes sociais e estilos de vida das famílias tradicionais e riquíssimas a personagens de rotina simples, o que permitiu ao figurino assumir cores, silhuetas e texturas como códigos de status, pertencimento e transformação. “Quando um personagem ganha dinheiro, esses signos aparecem. Nem sempre como bom gosto, mas como vontade de performar um lugar social novo“, explica Flávia.

Arthur Brandão, por exemplo, representa o arquétipo do ‘rico antigo’. Seu figurino aposta na sobriedade como código de status: alfaiataria precisa, cortes limpos e uma paleta contida, com referências a uma elegância de inspiração inglesa. O destaque simbólico do personagem é o anel com o brasão da família Brandão, criado especialmente para a novela e usado ao longo de toda a narrativa. Mais do que adorno, o objeto reafirma tradição, pertencimento e linhagem, funcionando como extensão material do poder silencioso que Arthur exerce”, completa.

Já na caracterização a proposta era assumir uma atmosfera de “novelão” com base nos anos 80 e 90, mas com acabamento contemporâneo e uma beleza popular que atravessa todos os núcleos, inclusive os mais sofisticados. Como a trama tem passagem curta de tempo logo no início, a caracterização recorreu a soluções técnicas reversíveis – postiços, laces, alongamentos – para garantir fluidez entre fases e preservar o ritmo intenso de gravações, segundo o caracterizador Marcelo Dias. O trabalho foi desenvolvido de forma integrada entre figurino, caracterização e direção, ajustando proporção, cor e textura para que os personagens se sustentem visualmente ao longo da novela. “Seis anos não mudam todo mundo. Alguns personagens seguem praticamente iguais. Em outros, a passagem aparece no detalhe: no comprimento do cabelo, numa barba diferente, num acabamento mais cuidado”, ressalta Marcelo.

Na maquiagem, a novela também assume um desenho menos naturalista em determinados núcleos, usando luz e sombra para sugerir intervenções estéticas, vaidade ou dureza emocional, sempre com sutileza e sem caricatura, como na personagem Fábia (Flávia Alessandra), que vai ter um “bocão”. “É tudo feito no pincel, cena a cena. A novela é longa, o cuidado com o ator vem sempre em primeiro lugar. Mais do que marcar estilos, essas escolhas ajudam o público a perceber o tempo, o pertencimento e as transformações individuais”, reforça o caracterizador.

Superprodução, tecnologia e drama: os bastidores da cena de enchente

Para retratar a enchente que marca um ponto decisivo da trama, os Estúdios Globo realizaram uma operação inédita, combinando efeitos especiais (FX), efeitos visuais digitais (VFX) e produção virtual com painéis de LED de alta resolução – tecnologias consagradas em grandes produções internacionais. O objetivo foi potencializar o impacto visual e emocional da cena, garantindo realismo, escala e segurança.

As gravações ocorreram em março, com um elenco formado por Tony Ramos, Leticia Colin, Isabela Garcia, Jesuíta Barbosa e João Victor Gonçalves, e envolveram locações em São Paulo, no Rio de Janeiro, na cidade cenográfica dos Estúdios Globo e na piscina do Parque Radical de Deodoro, onde foi montada a maior parte da operação. Em um lago artificial de 13 mil metros quadrados, foram construídas três casas cenográficas especialmente projetadas para reagir à força da água. A integração entre efeitos práticos em ambiente controlado e cenários virtuais permitiu capturar tudo que aparece em cena com alto grau de realismo.

Segundo a diretora artística Amora Mautner, o maior desafio foi o planejamento da realização: criar uma enchente em escala inédita, gravada “de verdade”, e não apenas simulada por efeitos. “Resolvemos fazer de um jeito diferente, para aumentar a veracidade. Estou muito feliz de ter encontrado, com a equipe, um caminho viável que vai transmitir o impacto que as cenas pedem”, comemora a diretora.

Para dar profundidade ao ambiente e representar diferentes áreas de São Paulo sob tempestade, a produção utilizou um painel de LED de 200 m², que integrou imagem, iluminação e atmosfera ao set. Dois guindastes com sistemas de iluminação especiais foram calibrados para dialogar com o conteúdo exibido no painel, ampliando a sensação de cidade viva em cena. Para a gerente de produção Isabel Ribeiro, o uso do LED trouxe mais realismo e facilitou o trabalho do elenco, que passou a atuar com a imagem da cidade já presente no momento da gravação: “Com o LED, a cidade já está ali no momento da gravação. Você grava com a imagem viva de São Paulo ao fundo, com luz, movimento, trânsito acontecendo. Isso traz mais realismo para a cena e ajuda muito o elenco, que não precisa imaginar o ambiente, como acontece no chroma-key“.

A operação mobilizou cerca de 270 profissionais ao longo de uma semana. A estrutura de FX envolveu tombadores de água, mangueiras de alta pressão, geradores de ondas, tambores de ar comprimido, veículos maquinados para flutuação e destroços cenográficos. Em paralelo, o trabalho de VFX ampliou digitalmente a cidade, intensificou chuva e partículas, complementou a movimentação da água e integrou prédios e atmosfera urbana com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, finalizando a cena com profundidade e impacto dramático.

O projeto também priorizou a sustentabilidade: toda a água utilizada retorna ao reservatório da piscina, que comporta até 30 milhões de litros. Um grid de chuva exclusivo, com 2 mil quilos e 1.200 m² de cobertura, foi desenvolvido especialmente para a sequência, considerada o acontecimento que dispara toda a história.

A cenografia, liderada por Cris Bisaglia, exigiu meses de estudos e simulações em 3D para garantir segurança e realismo. As casas foram montadas fora da água e encaixadas peça por peça, como um “Lego gigante”. Um dos destaques foi a construção de duas versões idênticas da casa da protagonista: uma submersa, para as cenas externas, e outra na cidade cenográfica, permitindo controle preciso da inundação interna. A produção de arte, por sua vez, liderada por Carolina Pierazzo, cuidou dos objetos em cena, que foram pesquisados, escolhidos e até produzidos para flutuar, mantendo a paleta cromática da obra, com predominância de vermelhos e amarelos. “Veículos adaptados, botes e a coreografia dos elementos em água reforçam a unidade visual e narrativa da sequência“, revela Carolina. Já o figurino trabalhou em diálogo constante com a produção, adotando neoprene, roupas duplicadas e logística de aquecimento e secagem para assegurar conforto, continuidade e segurança ao elenco.

Som contemporâneo e cosmopolita: a trilha sonora como motor de ‘Quem Ama Cuida’

A trilha sonora de ‘Quem Ama Cuida’ aposta na diversidade de gêneros para traduzir a atmosfera contemporânea e cosmopolita de São Paulo. Com forte presença de hits internacionais – de nomes como Bad Bunny e Sabrina Carpenter –, a novela constrói uma sonoridade vibrante e atual, que dialoga diretamente com o público. A trilha nacional também complementa esse mosaico ao reunir ritmos que vão do piseiro ao pagode, passando pela MPB, com nomes como Marisa Monte e Seu Jorge logo na abertura da trama, e Elza Soares. O encontro entre Gal Costa e Marília Mendonça em “Cuidando de longe”, além de reforçar a diversidade musical através da união desses ícones de gerações e gêneros musicais distintos, carrega também os símbolos de força, coragem e determinação que as artistas representavam, assim como a protagonista Adriana (Letícia Colin).

Essa mistura musical se amplia com a incorporação de influências latinas, como Ca7riel & Paco Amoroso e Julio Iglesias – este último ajudando a compor uma camada mais romântica ligada ao personagem Otoniel (Tony Ramos). Entre novidades e resgates, a proposta é criar uma identidade musical pop, diversa e pulsante. Na trilha original, assinada por Eduardo Queiroz e Bibi Cavalcante, a música também assume papel central, sobretudo em sequências de maior impacto, como a enchente do primeiro capítulo. “Na minha direção, a trilha não é só acompanhamento, ela participa da narrativa. É uma ferramenta dramática, assim como o enquadramento, tão importante quanto escolher um close ou um plano geral. Eu penso música sempre como função de comunicação. Não adianta ser genial, ou estar alinhada com o meu gosto pessoal, se não comunica com o público. A trilha precisa ajudar a contar a história e a fazer o espectador sentir junto com os personagens. Em ‘Quem Ama Cuida’, a gente construiu uma trilha que mistura muitos universos. Tem música clássica, que traz uma dimensão mais épica e atemporal; tem canções populares muito fortes emocionalmente; e também música pop. Para aproximar ainda mais o público também entram músicas conhecidas, afetivas, que ajudam a criar identificação imediata”, explica a diretora artística Amora Mautner.

Com estreia marcada para o dia 18 de maio, ‘Quem Ama Cuida’ é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A novela tem direção artística de Amora Mautner, direção geral de Caetano Caruso e direção de Alexandre Macedo, Nathalia Ribas, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Olliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, a produção executiva, de Lucas Zardo e a direção de dramaturgia, de José Luiz Villamarim.

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Wandreza Fernandes
Wandreza Fernandes
Editora chefe do Portal Área VIP e redatora há mais de 20 anos. Especialista em Famosos, TV, Reality shows e fã de Novelas.
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