
As provas de resistência do BBB viraram um “laboratório” de extremos: horas em pé, pouca mobilidade, longos intervalos sem alimentação — e, às vezes, com ingestão limitada de água. Só que fora do jogo, o corpo não negocia com a audiência: ele cobra.
Especialistas explicam o que realmente acontece no organismo quando a pessoa passa tempo demais na mesma posição, e quais são os limites mais perigosos quando o assunto é jejum e desidratação.
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Ficar muito tempo em pé ou na mesma posição: o corpo “trava” a circulação
Para o cirurgião vascular Dr. Caio Focássio, ficar parado por longos períodos — em pé ou sentado — é um dos gatilhos mais comuns para inchaço, dor, sensação de peso nas pernas e piora do retorno venoso.
“O corpo humano não foi feito para ficar imóvel por horas. A bomba da panturrilha, que ajuda o sangue a subir das pernas para o coração, depende de movimento. Sem isso, aumenta o risco de estase venosa, edema e, em pessoas predispostas, pode elevar o risco de trombose“, dz.
De forma prática, ele reforça que o ideal é não passar de 60 a 90 minutos totalmente parado. “Se houver dor intensa em uma perna só, assimetria de inchaço, vermelhidão, calor local, falta de ar ou dor no peito — já é sinal de perigo”, diz.
Eletrólitos: quando há suor excessivo, não é só “água”: pode haver perda de sais
“Neste tipo de prova, o corpo perde muito mais do que água. O suor excessivo leva embora eletrólitos importantes, como sódio, potássio e magnésio, que são fundamentais para a contração muscular, o funcionamento dos nervos e o equilíbrio do organismo. Quando essa reposição não acontece, o corpo começa a dar sinais claros: câimbras, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náuseas, sensação de ‘apagamento’ e até confusão mental. O alerta é simples: se surgirem câimbras repetidas, mal-estar persistente, batimentos acelerados ou queda de rendimento, é sinal de que o equilíbrio de sais do corpo já está comprometido e a situação precisa ser interrompida para reidratação adequada e avaliação de saúde”.
“Vale destacar que nem toda bebida garante hidratação adequada. O consumo frequente de chás com efeito diurético, bebidas cafeinadas ou grandes volumes de água sem reposição de eletrólitos pode intensificar ainda mais a perda de sais pelo suor, agravando os sintomas e aumentando o risco de mal-estar.“, fala Jamar Tejada, farmacêutico homeopata.
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Desidratação aparece primeiro na mucosa
“Em provas longas de resistência — e também na vida real — a desidratação costuma se manifestar primeiro nas mucosas, especialmente na boca, garganta e vias aéreas superiores. A redução da hidratação resseca essas estruturas, levando a boca seca, sensação de garganta arranhando, pigarro frequente e favorecendo o surgimento de rouquidão, principalmente em quem fala ou força a voz por longos períodos. Ainda sob estresse e esforço prolongado, é comum que a respiração passe do nariz para a boca, o que acelera ainda mais o ressecamento da garganta e aumenta o desconforto, podendo causar tosse seca, ardor e dificuldade para sustentar a voz. Em ambientes frios ou com ar-condicionado — muito comuns em estúdios e locais fechados — esse efeito é potencializado, já que o ar seco agride diretamente a mucosa“.
“De modo geral, não existe um tempo exato igual para todos, mas em situações de esforço contínuo, calor ou ar-condicionado, os primeiros sinais podem surgir após poucas horas sem hidratação adequada. Boca muito seca, dificuldade para engolir, voz falhando, tosse seca persistente, ardor intenso na garganta e sensação de falta de ar são sinais de alerta de que a mucosa já está sofrendo e indicam a necessidade de interromper a atividade, hidratar-se imediatamente e, se os sintomas persistirem, buscar avaliação médica“, alerta Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, médico otorrinolaringologista.






