
Amor à Vida foi exibida entre maio de 2013 e janeiro de 2014, escrita por Walcyr Carrasco. A trama se destacou por abordar temas polêmicos e contemporâneos, e marcou profundamente a carreira de Mateus Solano, que deu vida ao vilão Félix Khoury.
O personagem se tornou um dos mais icônicos da teledramaturgia brasileira, lembrado tanto por suas maldades quanto por sua evolução dramática.
Apesar de seu sucesso, a novela nunca foi reprisada no tradicional Vale a Pena Ver de Novo. Solano explicou no Provoca da TV Cultura que isso se deve ao conteúdo das falas de Félix, que hoje seriam consideradas ofensivas e incompatíveis com os padrões atuais da emissora e da sociedade.
“Essa novela do Félix só não voltou inúmeras vezes no Vale a Pena Ver de Novo por causa dessas questões. Porque o que ele dizia era risível até 2014. Acho que em 2015 já não era mais“, disse.
Félix era construído como um vilão sarcástico e cruel. Suas falas incluíam insultos pesados contra subordinados, como chamar sua secretária de “cadela”, além de piadas machistas, preconceituosas e etaristas. Na época, tais frases eram vistas como parte do humor ácido do personagem, mas hoje seriam consideradas inaceitáveis.
Solano ressaltou que o que era tolerado ou até considerado engraçado em 2013 e 2014 já não tinha espaço a partir de 2015. Essa mudança reflete uma transformação cultural significativa, em que o público e a mídia passaram a rejeitar discursos discriminatórios e a exigir representações mais responsáveis.
Apesar das polêmicas, Félix conquistou o público ao longo da trama. Ele passou por uma jornada de redenção, tornando-se mais humano e afetuoso. Seu arco culminou em um final feliz ao lado de Niko (Thiago Fragoso), com quem protagonizou o primeiro beijo gay em uma novela da Globo — um marco histórico para a televisão brasileira e para a representatividade LGBTQIA+.
Embora não esteja disponível na TV aberta, Amor à Vida pode ser assistida no catálogo do Globoplay Novelas, onde continua atraindo fãs e novos espectadores curiosos pela trajetória de Félix e pela importância cultural da obra.





