
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, Sua Excelência Senhor Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior quebrou o silêncio sobre o golpe de Jair Bolsonaro.
Em entrevistas para O Globo e Folha de S.Paulo, ele afirmou que Jair Bolsonaro tentou pressioná-lo após a derrota nas eleições de 2022, dizendo “já te dei dois cartões amarelos”.
“Pelo contexto em que foi pronunciada, interpretei como uma tentativa clara de pressão sobre minha postura nas discussões que vinham ocorrendo“, disparou Baptista Junior.
O episódio está descrito na obra “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, que reúne relatos sobre tensões e pressões na cúpula militar após a vitória de Lula. Baptista Júnior relata que rejeitou assinar ou sequer receber documentos que propunham medidas de ruptura institucional, como Estado de Sítio ou Estado de Defesa.
Ele e o então comandante do Exército, general Freire Gomes, defenderam que as Forças Armadas não poderiam participar de qualquer tentativa de golpe. Gomes teria advertido Bolsonaro de que poderia prendê-lo caso tentasse uma medida ilegal.
A atitude vem em contraste com a Marinha. O almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, teria demonstrado disposição favorável às iniciativas de Bolsonaro, embora também tenha apresentado sua versão dos fatos.
“Em uma dessas oportunidades, demonstrei profunda irritação diante do que passei a interpretar como uma deslealdade à FAB. Garnier chegou a afirmar, de forma explícita, que precisava do Exército, pois não teria condições de sustentar uma ruptura institucional apenas com o efetivo aproximado de 14 mil fuzileiros navais sob seu comando. A FAB, segundo ele, seria dispensável por ‘não ter tropas’.”
Baptista Júnior afirma ter sofrido ofensivas políticas e ataques nas redes sociais, inclusive contra sua família, vindos de aliados de Bolsonaro e militares como Walter Braga Netto.
Reuniões frequentes ocorreram entre Baptista Júnior, Freire Gomes, Garnier e Paulo Sérgio Nogueira (então ministro da Defesa), marcadas por divergências sobre como reagir às contestações de Bolsonaro ao resultado eleitoral.
Baptista Júnior disse diretamente a Bolsonaro que não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023, data da posse de Lula.
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