Morre Nilton Travesso, um dos pioneiros da TV no Brasil, aos 92 anos

O Grupo Silvio Santos lamentou a morte

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Nilton Travesso – Francisco Inácio/SBT

Morreu nesta sexta-feira (06), o diretor Nilton Travesso, um dos pioneiros da TV brasileira, aos 92 anos. O SBT divulgou a informação em comunicado, afirmando que ele teve uma infecção generalizada e estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

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Em comunicado,  “O Grupo Silvio Santos, por meio do Sistema Brasileiro de Televisão, lamenta a morte de Nilton Travesso, grande diretor, dedicado a levar produtos de qualidade ao telespectador e, sobretudo, um grande amigo e parceiro, que tratava a todos com igual atenção e respeito. Seu legado servirá de referência para a nova geração de diretores. A emissora se solidariza com sua esposa, a jornalista Marilu Torres, com seu filho, o diretor de televisão Marcelo Travesso, e todos os familiares”.

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Trajetória

Nilton Travesso começou sua trajetória em 1953, ao participar de uma oficina para profissionais do veículo promovida pela TV Record, antes da inauguração da emissora, em setembro daquele ano. Criativo, integrou a celebrada “Equipe A” e dirigiu programas como “Hebe”, “O pequeno mundo de Ronnie Von”, “Família Trapo”, “Show União”, “Show do Dia 7”, “Astros do disco” e “Jovem Guarda”, entre outros.

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Na década de 1970, transferiu-se para a TV Globo, onde produziu o primeiro videoclipe exibido no “Fantástico” e criou um estilo próprio que influencia a linguagem do formato até hoje. No canal, também fundou o núcleo de programação paulista e atuou na criação dos matinais “TV Mulher”, “Balão Mágico” e “Som Brasil”. Passou ainda pelas TVs Manchete, Bandeirantes, Gazeta e Jovem Pan.

No Grupo Silvio Santos, Nilton teve três passagens. A primeira foi em 1976, quando Silvio Santos inaugurou a TVS no Rio de Janeiro, e ele dirigiu a comédia “Bacará 76”, com Ronald Golias. Em 1993, Nilton chegou ao SBT e promoveu iniciativas importantes em dois pilares da emissora: remodelou a programação infantil e reabriu o núcleo de teledramaturgia.

Na programação infantil, Nilton concebeu, desenhou e estruturou duas novas atrações: “Bom Dia e Cia”, com Eliana, e “Sessão Desenho no Sítio da Vovó”, com Vovó Mafalda (Valentino Guzzo). Ambas ocupavam o início das manhãs, voltadas para a primeira infância, e logo se tornaram as preferidas das crianças de 0 a 5 anos. Ele também deu apoio à produção de “Casa da Angélica” e foi responsável pela remodelação do “Show Maravilha”, com Mara Maravilha, que trouxe ao infantil duas grandes inovações: o primeiro cenário em 360 graus produzido pelo SBT e uma nova fotografia, com câmeras suspensas e uma câmera móvel que acompanhava Mara pelo palco dos estúdios do Sumaré. No mesmo ano, deu início à remontagem do núcleo de dramaturgia com “A Justiça dos Homens”, em que casos do cotidiano eram dramatizados e um julgamento no palco determinava seu desfecho.

Em 1994, sob o comando de Nilton, estreou uma das produções mais marcantes da história da teledramaturgia brasileira: “Éramos Seis”. O remake da trajetória de Lola (Irene Ravache), Júlio (Othon Bastos) e seus quatro filhos comoveu telespectadores em todo o país. A novela foi exibida em dois horários, por estratégia de Silvio Santos, alcançando altos índices de audiência em ambos e fortalecendo o núcleo paulista de produção de novelas. A recriação da cidade de São Paulo nas décadas de 1920, 1930 e 1940, com a construção da primeira Cidade Cenográfica no que viria a ser o Complexo GSS, conferiu à novela um nível extremo de qualidade. “Éramos Seis” conquistou os grandes prêmios do ano, como o Troféu Imprensa e o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), e ganhou um especial de encerramento, no qual o público aclamou Nilton e o elenco no Palácio das Convenções, no Anhembi. Sob o comando de Nilton, o núcleo também produziu “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “Razão de Viver” e “Os Ossos do Barão”. Sob sua supervisão, foram ao ar “Colégio Brasil”, “Antonio Alves, Taxista”, “Dona Anja”, “Teleteatro”, a primeira versão de “Chiquititas” e “Pérola Negra”.

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Em 2004, Nilton retornou à emissora para o reality “Protagonistas de Novelas”, apresentado por Silvio Santos, no qual novos atores eram confinados na Casa dos Artistas e participavam de um masterclass de interpretação com o diretor. No mesmo ano, conduziu a criação e a direção-geral do programa “Charme”, com Adriane Galisteu. Na década seguinte, colaborou com o “Teleton”. Sua última participação na emissora foi no documentário “Silvio Santos, Vale Mais do que Dinheiro”, em 2024.

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Núcia Ferreira
Núcia Ferreira
Jornalista carioca com passagens pelas revistas Conta Mais, TV Brasil e TV Novelas. No site Área VIP, além de redatora, é repórter especialista em Celebridades, TV e Novelas.
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