Análise: Quem protege a infância? Zé Felipe e a cultura do machismo

O vídeo do cantor expõe uma discussão que o Brasil insiste em evitar

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José Leonardo e Zé Felipe
José Leonardo e Zé Felipe. Fotos: Reprodução Instagram/Montagem Área VIP

Antes de tudo, é preciso dizer o óbvio: o vídeo de Zé Felipe com o filho caçula não é apenas uma “brincadeira” de mau gosto. Ele escancara um problema histórico e estrutural no Brasil: o machismo. Fato esse que muita gente prefere fingir que não existe.

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Zé Felipe e a indignação seletiva revela a maior contradição da chamada família “tradicional brasileira”

Na chamada “família tradicional brasileira”, enquanto adultos incentivam um menino de apenas 1 ano e 10 meses a repetir uma palavra e gestos obscenos ainda há quem trate a cena como algo engraçado. Porém, essas mesmas pessoas se revoltam quando duas pessoas do mesmo gênero demonstram afeto em público. A pergunta que fica é: será que é mesmo os LGBTS quem erotizam as crianças?

A contradição é evidente. O discurso costuma ser o de proteger a infância, mas a prática mostra justamente o contrário. Afinal, a criança não aprende sozinha a se*ualizar mulheres. Ela observa, imita e recebe estímulos dos adultos ao redor. Nesse caso, o próprio Zé Felipe reforçou essa percepção ao justificar o episódio como “coisa de criação“. Sem saber, ele resumiu em poucas palavras, a cultura do est*pro.

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Assista:

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Zé Felipe é detonado após vídeo polêmico com o filho: “O que você vai dar para as meninas?” #fyp #foryou #zefelipe #leonardo #virginiafonceca

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Zé Felipe se desculpa após críticas por um vídeo com o filho caçula, José Leonardo #zefelipe #filho #criticas

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A criação que cria agressores 

A violência não nasce do nada. Ela começa na naturalização de pequenas atitudes, de piadinhas e de comportamentos tratados como inofensivos. Não se trata de afirmar que um vídeo produzirá, sozinho, um agressor. O problema é muito maior. Situações como essa ajudam a normalizar uma lógica em que o menino precisa provar masculinidade desde cedo, enquanto a mulher aparece apenas como alvo de desejo ou piada.

Porque primeiro vêm as brincadeiras sobre “Com quem será” e “E as namoradinhas?”. Depois, a pressão para demonstrar virilidade. Em seguida, o acesso precoce à pornografia, a ausência de conversas responsáveis sobre consentimento e a ideia de que respeito e afeto são sinais de fraqueza.

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Números de feminicídios e abusos continuam aumentando

Os números ajudam a entender por que esse debate não pode ser tratado como exagero ou, como o próprio Zé Felipe falou: “Mimi“. O Brasil registrou 87.545 casos de est*pro e est*pro de vulnerável em 2024, o maior número da série histórica. Isso representa uma vítima a cada seis minutos!

Inclusive, o mesmo Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.492 feminicídios em 2024, além de um crescimento nas tentativas desse crime. Mas não adianta a gente achar esses números um absurdo e não fazer nada, tanto na educação das crianças quanto na criação dos homens ao nosso redor.

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Se tudo é “coisa de criação”, talvez seja hora de discutir o que estamos ensinando

Da mesma forma que uma estrutura machista é criada, ela pode ser quebrada. O Zé Felipe e os homens da “família tradicional brasileira” precisam aprender e ensinar o respeito as mulheres. Não porque possuem filhas, tias e irmãs, mas porque simplesmente mulheres também merecem respeito.

**As críticas e análises aqui expostas correspondem a opinião de seus autores

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Lívia Cout
Lívia Cout
Lívia Coutinho é formada em Psicologia, mas começou sua trajetória como redatora em Maricá/RJ há mais de seis anos. Ela produz conteúdos para os nichos de política, entretenimento e celebridades. Além do Área Vip, ela também já trabalhou no Portal R7, Jetss e Paipee Brasil.
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