Bianca Rinaldi (Globo/Raquel Cunha)
Bianca Rinaldi (Globo/Raquel Cunha)

Entrar no meio da trama de ‘Malhação – Vidas Brasileiras‘, não foi problema para Bianca Rinaldi, que na novelinha teen interpreta a professora Leonor. Se no início não estava previsto um romance entre a personagem e o diretor Marcelo, vivido por Bukassa Kabengele, a aproximação dos dois trouxe mais uma discussão inter-racial para a dramaturgia. Antes, a personagem já havia se envolvido em outra polêmica com um amor platônico com um aluno, bem mais jovem.

Em entrevista ao Área Vip, a atriz falou sobre a nova fase da personagem, família e preconceito.

O romance com o Marcelo já estava previsto quando você chegou na novelinha?

A gente não sabia. Eu entrei no meio da novela, acho que ela já tinha uns seis meses. Então eu nem estava na sinopse.  Na primeira cena que a gente teve, conversando com a diretora, a gente levantou a proposta de que os personagens tivessem uma certa intimidade. A diretora falou: ‘vamos manter uma distância por enquanto’. Mas de cara a gente teve isso e aí apareceu.

Você já tinha trabalhado com o Bukassa Kabengele?

Não, mas eu já adorava muito esse cara. Curtia muito ele. Toda vez que eu falo ‘Bukassa’ eu lembro do Rei Leão que é o ‘Mufasa’. Eu falei para ele que nunca ia esquecer o seu nome. Primeiro porque é diferente e forte. Segundo porque eu amo o Rei Leão.

A Leonor tem levantado questões polêmicas na trama. Como você enxerga isso?

A Leonor entrou de uma forma singela, mas muito marcante. Primeiro ela veio levantando a questão do amor livre por uma pessoa mais jovem. Ele não tinha nem 18 anos quando ela entrou. Levantou essa questão: ter ou não ter? Viver ou não viver essa paixão? Seguir as regras ou não seguir? O que é correto? Ela foi pelo correto e não vivenciou essa paixão pelo o Leandro (Dhonata Augusto). Mas, o destino é tão bom que ela pegou logo o diretor da escola, o Marcelo. E também veio com uma questão que, infelizmente, vivemos muito ainda: racismo e preconceito. Por que uma mulher loira não pode estar com um homem negro? Por que um homem negro não pode estar com uma mulher loira? É tão passado isso. Acho tão piegas ainda termos que falar disso. Mas, infelizmente, passamos por essa situação.

Você ficou surpresa quando a Dandara (Jeniffer Dias) não aceitou o namoro da Leonor e Marcelo?

A Dandara é tão estudiosa, inteligente, culta, trabalhadora, mas quando vê o pai namorando a Leonor fala:  ‘por que essa loirinha aí, pai?’.  Então, o preconceito está com ela, não está com ele e nem com a Leonor. Ela se pegou nisso de uma forma agressiva, foi atuando nas aulas. Perdeu o respeito e o prazer de ter uma aula de história da arte. Mas o namorado Hugo, que é tido como o que não sabe nada na escola, teve a sabedoria no momento de falar que ela estava errada.  O Hugo conseguiu despertar nela esses pontos onde ela precisava melhorar. E ela veio se desculpar.

Você já foi abordada por casais que enfrentaram o mesmo preconceito que a Leonor e o Marcelo?

Nunca ninguém chegou levantando essa questão, mas adoraria. Acho que a gente ia bater um papo legal.  Se tem por aí e se está resolvendo amém! Que aconteça mais e que nossa relação seja uma inspiração para ajudar. Eu acho que é por uma dessas funções que eu escolhi ser atriz.

Você já  sofreu algum tipo de preconceito ao longo da vida?

Eu vivo. Eu e meu marido temos 22 anos de diferença. Já vivo com ele durante 18 anos. No começo teve essa questão. Eu não tenho problema, mas a sociedade cobra tanto e é tanto olhar que, às vezes, você se pega falando: ‘caramba’.  No começo existiu muito essa diferença de 22 anos. Eu tinha 26 anos e estava num momento de ascensão muito grande com ele do meu lado. Eu sei que essa ascensão veio com ele. Eu não estaria  aonde estou hoje, por tudo que passei, se ele não estivesse ao meu lado. A gente fez terapia de casal, que eu acho que foi muito bom.

Como está a repercussão da Leonor nas redes sociais?

É uma graça! A Patrícia falou no começo: ‘Bianca, os seus fãs ficam me perturbando porque eles querem a Leonor com o Leandro’. Mas a gente sabe que não dava. Uma professora correta não pode ter relacionamento com aluno menor de idade. Isso não é possível. Ter um relacionamento com o Marcelo foi muito legal. A gente ficou feliz pra caramba. Eu acho que na rede social, a princípio, teve uma reação das pessoas que torciam pelo Leandro e Leonor. Mas, logo depois, eu coloquei uma foto minha com o Bukassa e as pessoas começaram a shippar.

Você ainda recebe mensagens das pessoas que não aprovam esse romance?

Sempre tem um ou outro. Mas esse um ou outro deixa de lado, curtindo a fossa dele. Eu prefiro olhar as coisas boas, as pessoas que torcem e que veem o lado do amor. O respeito, o companheirismo, a alegria e felicidade de estar ao lado de alguém que te quer bem. Eu acho que foi isso que aconteceu com Leonor e Marcelo. Eles não viram idade, posicionamento social e, principalmente, cor. Eles viram uma alegria e uma paquera gostosinha de adolescente que tiveram. Um amor inocente e de respeito. Não foi pegação. É um casal que vai durar para a vida toda.

A Leonor entrou em Malhação para fazer uma participação e acabou continuando na trama. O que você sente ao ver o reconhecimento do seu trabalho?

É muito gratificante. Eu agradeço a Deus todos os dias por todas as oportunidades que me aparecem. Eu entrei pensando em três meses, era uma participação. Eu fico muito feliz de ver a galera gostando do meu trabalho. É muito difícil entrar em um produto que já tem seis meses no ar. Eles (a equipe) passaram por workshop juntos, montaram e criaram Malhação – Vidas Brasileiras. Eu cheguei com o bonde lá na frente. Eu não estaria me sentindo tão em casa se não tivesse sido abraçada por toda equipe de Malhação.

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