David Junior (Globo/João Cotta)
David Junior (Globo/João Cotta)

O triângulo amoroso entre Paloma (Grazi Massafera), Marcos (Rômulo Estrela) e Ramon, interpretado por David Júnior, vem movimentado ‘Bom Sucesso‘, que mantém um ótimo índice na audiência.

Na trama, o professor de basquete tenta recuperar o amor de Paloma (Grazi Massafera), com quem tem uma filha. Mas essa relação terá que enfrentar muitas dificuldades ainda.

Nos próximos capítulos, os pombinhos ficarão bem próximos depois que Alberto (Antônio Fagundes) demitir Paloma da mansão. O noivado, porém, não vai durar muito tempo. É que Nana (Fabíola Nascimento) não vai aguentar ver o sofrimento do pai e pedirá a costureira para voltar a trabalhar para Alberto. Como sabe que o noivo é contra, Paloma faz segredo do retorno ao antigo emprego. A decisão vai afastar o casal mais uma vez. Quando descobre que foi enganado, Ramon romperá com a mãe de sua filha. “Não quero discutir, Paloma. Eu respeito sua decisão. Mas você também vai precisar respeitar a minha. Sinto muito. Eu me conheço. Não vou aguentar e a gente vai acabar se machucando. Não tem jeito. Acabou”, decide.

Para David, esse triângulo amoroso não chega a ser uma competição. Ele acredita que faz parte de uma história plausível e não tem torcida para quem deve ficar com Paloma.  “A escolha não é só dela, como do público, de decidir com quem ela vai ficar. Não estou muito preocupado com isso, acho que a novela já tem apresentado o sucesso porque a gente tá apresentando humanidade”, analisa.

Na vida real, David Júnior está muito bem acompanhado de Yasmin Garcez, com quem namora há um ano. A paternidade é um desejo do ator, mas vai ficar pra depois.  Enquanto isso, ele diz que vai treinando com cãozinho da casa, o buldogue francês Noah, de 4 meses. “ter um ser que depende de você 24 horas e dá amor o tempo inteiro… É uma comparação péssima, mas eu tenho visto um pouquinho do que é essa relação”, diverte-se o ator, que bateu um papo com o Área Vip.

Confira: 

Como você está vendo esse sucesso e como está sendo para você fazer o Ramon?

A novela é realmente a novela é um sucesso. Fala de humanidade, que fala de gente, não tem essa coisa de disputa, de competição, de quem é melhor e quem é pior. A gente apresenta nossas fragilidades, nossas incertezas, nossos defeitos, nossas qualidades, enfim, e isso o público sente. O público se vê e aprova.

O que você tem ouvido nas ruas sobre o personagem?

Vejo uma galera que fica louca, fica querendo falar, querendo saber: “e aí, como vai ficar? Como é que vai ser?”. Tem muita gente torcendo e isso é muito positivo pra gente que faz o personagem.

Como você analisa mais esse desafio?

É a primeira vez que faço um personagem periférico, uma pessoa como eu sou, então, pra mim tem sido muito gratificante fazer um personagem que eu posso sentar na calçada, tacar uma pedrinha no chão e voltar a fazer coisas que eu fazia quando eu morava em Nova Iguaçu (município da Baixada Fluminense). Poder ver o vizinho e saber que esse cara me conhece desde pequeno, trocar ideia com o  cara da padaria, passar e zoar alguém que está na farmácia. Essas coisas assim que, a gente quando passa a morar em prédio perde essa referência. A gente perde muito essa proximidade com o outro. No bairro em que morei, conheço todo mundo. Da primeira, da segunda, da terceira, da quarta, quinta rua. Conheço o bairro quase inteiro porque a gente se relacionava, fazia rua festa de rua, festa junina e todo mundo se reunia pra fazer bandeirinha e botar no poste, fazer fogueira. Bom Sucesso apresenta isso, essa relação de pessoas que todo mundo conhece todo mundo, conhece desde a diretora do colégio que há 25 anos está sendo diretora, então pegou a minha época de colégio, está pegando a época da minha filha de colégio. Essas relações são muito gratificante se apresentar.

Bom Sucesso - Ramon - Paloma - Marcos (Globo/Raquel Cunha)
Bom Sucesso – Ramon – Paloma – Marcos (Globo/Raquel Cunha)

E a gente quer saber o que você acha desse triângulo amoroso entre o Ramon, a Paloma e o Marcos…

Eu nem vejo como competição. Acho que a gente como ser humano vive isso o tempo inteiro. A gente se apresenta pro outro, dá o seu melhor e a escolha é de cada um. Acho que a Paloma vive uma relação bem complexa porque um personagem identifica a realidade da vida, pé no chão, a base familiar e tudo mais. O outro é o lúdico,  os livros e ao mesmo tempo com essa relação utópica daquela pessoa que vem de uma família menos favorecida e acaba conhecendo o príncipe encantado que tem todas as possibilidades pra apresentar pra ela. Ao mesmo tempo os dois tem suas qualidades e estão apresentando sua qualidades pra ela. A escolha não é só dela, como do público, de decidir com quem ela vai ficar. Não estou muito preocupado com isso, acho que a novela já tem apresentado o sucesso porque a gente tá apresentando humanidade.

A cena no Cacique de Ramos, você comentou sobre a emoção que sentiu…

Foi uma catarse. A gente enquanto ator tem a graça e a benção de poder visitar lugares que a gente antes não tinha conhecido. Já ouvi falar muito do Cacique de Ramos, na época do colégio, um amigo meu, Marcelo Sabonete, que inclusive trabalha aqui na Globo, falava muito sobre o Cacique. Mas eu não conhecia e tive o prazer de conhecer gravando a novela. E que energia incrível! Quando entrei no Cacique e vi aqueles banners daquela galera, toda ali desde o Mussum até Beth Carvalho, uma galera que ouço desde pequeno, cada um na sua individualidade e ver que de fato todo mundo surgiu, brincou, se divertiu e sambou no mesmo lugar, foi uma bênção que recebi ali daquela galera.

Teve alguma cena que você tenha feito com a Bruna (Inocêncio, a Alice) que especialmente tenha te marcado?

Tenho uma cena incrível com a Bruna na preparação dessa novela. Foi na verdade a primeira cena a que a gente trabalhou em família e que a gente teve uma catarse emocional. Ela desfez de tudo o que ela queria falar enquanto filha abandonada e eu recebi calado. No final a gente falou: “pronto, vambora com essa informação e a a gente não precisa dizer mais nada”. E dali a gente fechou um elo, uma aliança de pai e filho mesmo. A gente se entendeu nesse lugar. Eu tenho um carinho, um amor muito grande, imediato pela Bruna, e a gente se identifica muito nas questões políticas e tudo o que a gente acredita no mundo. Mas uma cena que me marcou com ela foi a cena sorveteria, não foi ao ar ainda. A gente senta pra conversar: “pô, beleza, é isso. A gente é pai e filha. O que a gente vai fazer com essa informação? A gente precisa conviver”. E a gente fez um acordo de paz muito bonito, muito simbólico.

Como você tem recebido essa questão da paternidade, tem chegado mais à você?

Sempre quis ser pai. Não tenho essa coisa de bater a paternidade. Sempre tive vontade de ser pai. Gosto muito de criança. Hoje acho que só estou admitindo mais isso até com os problemas. Todo mundo, quando falo a respeito de paternidade, diz assim: “É, mas não é mole não!”. É muito louco porque é uma comparação péssima que vou fazer, mas estou com cum cachorro filhote em casa. Sempre criei cachorro do lado de fora, sempre morei em casa e cachorro ficava no quintal. É a primeira vez que tenho um cachorro dentro de casa e o animal depende 24h de mim. Pra sair é uma função, precisa ter uma bolsa, levar ração, fralda, brinquedo… fico vendo e falo: “Caraca, bicho! Que trabalho! Imagina criança?”. Aí você está com o cachorro e, do nada, ele faz xixi aqui, faz xixi ali, você precisa do saco. Passa cinco minutos ele vem… Outro dia a gente chegou em casa, a Yasmin abriu a porta, ele foi correndo pra ela. E nem ligou pra mim. Foi a primeira vez que eu tive um cachorro que não me tinha como o principal dono. Falei: “mas por que, o que está está acontecendo?”. Ela disse: “É porque eu ponho ração pra ele todos os dias”. Afora quem dá banho e comida, sou eu. Ele dorme no quarto com a gente e sempre faz cocô no lado dela. Aí nesse dia que dei banho e dei comida o dia inteiro, ele fez no meu lado. Ele estava achando que era presente, né? Essa relação está muito legal. Eu tenho um visto um pouquinho do que é isso, um ser que depende de você 24h e dá amor o tempo inteiro, se você fica longe ele sente falta e que você também sente falta. Às veze seu estou aqui e penso: “Caraca, sacanagem, não vou estar lá”.

Como tá sendo a aceitação do público ou a torcida pro casal Ramon e Paloma? A Grazi falou pra gente que tem gente até meio revoltado por ele ter largado e agora voltar. Quais são os comentários como é que tá o acompanhamento disso?

Existe uma revolta e ela é pertinente porque o que tem de gente, o que tem de mulher que é mãe solteira porque o pai acha que fez,  joga a responsabilidade na mulher, não é fácil. Inicialmente eu ficava muito na defensiva, querendo defender o personagem. Depois eu entendi a gente precisa tocar na ferida mesmo. O assunto é esse, existem homens assim tóxicos no lugar de achar que só por ser o provedor já é suficiente e não precisa de mais nada. Tem sim, tem muita gente revoltada, mas tem muita gente que torce também.

Lá na frente ele vai salvar a vida do Alberto, e já é uma outra curva…

A gente tem que pensar que derrubar Antônio Fagundes de uma cadeira de rodas é complicado… eu li o Marcelo Boechat, que está trabalhando com a gente, me mandou uma no link do Twitter, uma pessoa falando assim: “Gente, Rosane e Paulo, vocês precisam agora se atualizar porque nem se o Ramon descobrir a cura da Aids, as pessoas vão desculpar ele”. Mas a gente tem muita coisa ainda pra viver. O bom é que nessa novela as coisas acontecem, não ficam protelando. A gente briga com uma pessoa hoje e amanhã a gente tá de bem, faz parte. Não fica nesse lenga lenga. Briga hoje, amanhã já está fazendo as pazes e já tem outra briga, dá tudo certo.

Bom Sucesso - Elenco (Globo/João Cotta)
Bom Sucesso – Elenco (Globo/João Cotta)

Ramon ficou 16 anos nos Estados Unidos. Será que ele teve alguém lá, um amor, alguém que mexeu muito com ele que pode voltar? O  que aconteceu lá nos Estados Unidos?

Boa pergunta. Não faço a mínima ideia. Essa eu vou deixar por conta dos autores. Acho que 16 anos é tempo suficiente pra ter outras questões, mas eu acho que o Ramon voltou com o objetivo de recuperar a família dele, sabia que tinha perdido quando ela decidiu ter outra pessoa, outra vida, outra amor, e outros filhos e tudo mais. Mas a partir do momento em que ela liga pra ele dizendo que está morrendo e que ele foi o grande amor da vida dela, e que ele sabe que ela também foi o grande amor da vida dele, acho que não tem história mais forte do que essa pra ele. Ele tem uma filha, ficou lá 16 anos achando que isso seria o suficiente, que era dar o dinheiro, pra que ela vivesse minimamente dignamente. Talvez tenha, não sei. Mas a maior história de amor dele foi com a Paloma e a filha. Antes de saber que ela não ia mais morrer, ele disse que, independente do que acontecesse ou da escolha que ela fizesse, ele estaria do lado dela. Se ela se ela decidir amanhã está com o Marcos, ele estará do lado dela, porque ele sabe toda a falta que ele fez nesses 16 anos. Agora quanto a outra pessoa, se vai aparecer, se não vai…

Você é um dos protagonistas de Sessão de Terapia. Como se vê, protagonista das 19h e desse projeto?

 Sessão de Terapia é um produto à parte. É gente falando de gente, pra gente. Você coloca duas pessoas, uma diferente pra outra e se desnudando, falando das suas complexidades, de como você se vê, do que você tem refletido pro outro, é uma parada que é bem profundo e ao mesmo tempo bem urgente. Meu personagem, o Nando vem pra falar de racismo e machismo. Ele apresenta essas duas opressões ao mesmo tempo. É um homem negro falando que um homem branco todas as mazelas que ele vive diariamente. É bem puxado e ao mesmo tempo é bem urgente. A gente fala de uma relação de homem mulher onde ele se acha acima da mulher simplesmente porque ele é um cara bem sucedido profissionalmente, ele consegue sustentar família, consegue ser a necessidade da família. A partir do momento em que ele deixa de ser o centro, as coisas começam a mudar internamente. Ele já começa a não ser só suficiente, a achar que ele não é suficiente pra mulher e aí vem o derradeiro que é quando ele se sente impotente na cama, o que pro homem é o fim do fim do fim.

Como você vê essa questão?

A gente tem sempre que ser a satisfação e na cama, então, não adianta. Você tem que dar sempre conta, se a mulher quiser você tem que estar ali disponível. Isso tudo faz parte de uma construção patriarcal que a gente aprendeu desde lá atrás, que constrói pessoas doentes. Constrói homens doentes que acabam deixando mulheres doentes e criando uma relação cíclica de filhos doentes, então falar sobre isso, desnudar isso é bem forte. A gente fala sobre a opressão da mulher negra, que é a base da opressão social. A personagem da Belize é uma mulher começa a ficar bem sucedida e conta disso ele começa a se sentir oprimido porque a mulher deve tá chegando perto do sucesso que ele tem. É muito importante a gente falar disso hoje, falar do homem que tá ali pra cuidar da casa enquanto a mulher tá trabalhando, desse lugar de ser parceiro e não ser hierárquico. A gente tem uma língua, uma gramática onde tudo é hierárquico. No inglês, other é outros, significa outros, outras, tanto faz o gênero. Pra gente tem um gênero. Essas pequenas coisas fazem a diferença no nosso cotidiano, a gente fica muito refém disso. Enfim, é um personagem muito complexo.

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