Grazi Massafera / Instagram

Protagonista de ‘Bom Sucesso’, próxima novela das sete da Globo,  Grazi Massafera arrasou na festa de lançamento da trama na noite de segunda-feira (15) no Rio Scenarium.

A atriz, que foi muito esperada durante o evento, chegou esbanjando felicidade. Depois de posar para fotos, se emocionar com o clipe da novela e dar entrevistas, Grazi caiu no samba ao som do grupo Fundo de Quintal, atração que agitou o lançamento.

Na trama, a atriz dará vida à Paloma, uma costureira mãe de três filhos que, depois de ter o exame trocado, pensa que tem pouco tempo de vida.  Paloma também se envolverá em um triângulo amoroso: de um lado o pai de uma de suas filhas, Ramon (David Junior); do outro Marco (Rômulo Estrela), um dos filhos de Alberto (Antônio Fagundes).

Em entrevista ao Área Vip durante o evento, a atriz falou da volta às novelas, da afinidade com a personagem e da relação com a filha, Sofia, do relacionamento com Cauã Reymond.

Você tinha dito que iria dar uma parada na dramaturgia pra se dedicar à Sofia. Por que a personagem Paloma te conquistou?

Pela homenagem à minha mãe, que é costureira. Eu tenho ainda muita memória afetiva, o barulho da máquina de costura quando eu fecho os olhos. É muita lembrança então fazer uma personagem assim, quando eu ia fazer uma costureira de novo para homenagear ela e tantas outras Palomas que tem por aí? Então foi isso. Conversei com a Sofia, foi linda a conversa. E eu me lembrei de uma coisa que quando eu era pequena minha mãe trabalhava muito. Quanto isso me ajudou a me tornar uma mulher forte e batalhadora. É importante, também, essa mistura pra criança. Ao mesmo tempo eu converso com a direção, to atenta à ela (Sofia), to junto. Vamos administrar esse tempo.

E o que tem de você na Paloma?

Tem o  resgate a esse coisas popular, que é o público que eu fui durante toda uma vida. Agora não, vivo aqui dando entrevista, virei atriz de novela, saí um pouco desse lugar, mas tem a simplicidade, esse resgate que estou amando, essa coisa mais espontânea. Está sendo muito gostoso.

Grazi, 9% dos lares são chefiados por mães solo. Qual a responsabilidade de representá-las na TV?

Eu acho que você já disse tudo. É uma grande responsabilidade porque é uma homenagem a todas. A gente está vivendo um momento feminino muito bonito, de personagens interessantes. Num momento como esse uma personagem assim, retratar a vida de mulheres, mesmo que da ficção, a gente não pode esquecer que é ficção, me sinto com maturidade para isso, é prazeroso.

E o tema da morte? A Paloma acreditará estar com uma doença terminal no início da trama.

Se você parar pra pensar, na verdade estamos falando de vida. Se tem uma coisa que a gente tem certeza é da morte, que está presente na vida de todos, mas como estamos vivendo nosso dia a dia? Tem hora que a gente não se questiona, acha que é imortal. O fato de a Paloma ter uma data para morrer faz ela se transformar e viver uma vida mais intensa, com esse contato com a finitude. É bom para a gente questionar: ‘está do jeito que eu queria?’

E como é fazer essa mãe batalhadora?

Agora eu sou mãe de três, né? É uma grande diferença. Eu sou mãe de uma criança, ela tem filhos adolescentes. Eu tive a sorte e o prazer de poder conquistar a minha independência financeira antes de ser mãe. Isso faz uma grande diferença.

E como é ser mãe de adolescentes na ficção?

Eu ainda não cheguei nessa fase como mãe da Sofia, mas na ficção sou mãe de duas adolescentes, e do Peter (João Bravo), com 10. Eu consegui uma independência financeira antes de ser mãe. Eu me lembro da minha mãe quando teve a gente. Ela se separou do meu pai e ficou numa situação mais complicada. Lembro que jurei para mim mesma que queria ser mãe só quando conseguisse minha independência financeira. Eu sou canceriana, maternidade está na minha veia. Tive o luxo de poder contar com o auxílio de pessoas da minha família, anjos da guarda como funcionários, porque quando a pessoa trabalha com amor não tem preço. Eu contei com a ajuda dessas pessoas para ter um auxílio quando estou gravando novela. A Paloma, e tantas outras Palomas que tem por aí, tem uma situação muito mais complicada. Imagine ser mãe de três filhos e ter que dar conta da casa, lavar, cozinhar, passar, cuidar dos filhos, colégio. É tanta coisa… Quando são bebezinhos é tudo mais fácil. Quando crescem na hora de educar mesmo, a gente coloca no mundo e é tudo mais complicado, e estou sentindo um pouco isso na pele. Há muitas Palomas por aí e acaba sendo uma homenagem a elas.

Você está preparada para ser mãe de uma adolescente?

Não estou.  Eu fui adolescente do interior, outra coisa é ser adolescente no Rio de Janeiro. Aqui são muitos atrativos, então conto com o auxílio do pai (Cauã Reymond), muita conversa com ela.  Já estou desenvolvendo coisas desse tipo. Eu tinha uma coisa com a minha mãe que eu não conseguia mentir para ela, e tudo eu dizia a verdade. Criamos uma relação de amizade, e tento já ter isso com a Sofia.

A Paloma é muito espiritualizada, muito devota?

Eu também sou muito espiritualizada. Eu fui criada na igreja católica e hoje em dia acredito em fé. A fé é o princípio de tudo, e a Paloma é uma pessoa de fé.

Aquela também é sua santa de devoção. E quando você soube que era a mesma santa?

É muita coincidência. Eu já estou íntima da santa!

Você chegou a se colocar no lugar dela quando ela pega o exame dizendo que ela tem pouco tempo de vida?

Eu me coloco mais no lugar dela que no meu. Eu estou prisioneira do Projac, mas é muito prazeroso. É uma novela que tem muito drama, mas tem uma pitada de humor, de leveza. Eu sei que protagonista sofre do começo ao fim, e vamos lá minha gente. Vamos sofrer! Vamos enganar o organismo e os sentimentos.

O que você faria se soubesse que te restam seis meses de vida?

Talvez algo parecido com ela (Paloma). Tentar viver intensamente esses seis meses. Mandar tudo para as cucuias e viajar com a minha filha para tudo que é lado, comer, beber, abraçar, beijar, agarrar minha pequena.

Na trama você tem três filhos. Você já pensou em ter mais filhos?

Lógico!

Tem vontade de ter quantos?

Ah, não sei. Peraí, deixa eu arrumar o pai, aí a gente decide junto.

Sua personagem tem ligação muito forte com a leitura. Você também tem essa intimidade?

Não. Sabia que lá na minha casa, eu pegava um livro para ler e minha mãe dizia ‘você é vagabunda? Vai trabalhar’. Livro era uma coisa que significava não ter o que fazer. Para a maioria do brasileiro infelizmente ainda é assim. Não julgo minha mãe, e minha família, mas é que havia uma conotação que não está fazendo nada, se está lendo. Mas é tão lindo. O hábito de ler tem que ser desenvolvido desde cedo. Hoje em dia, eu leio com a minha filha, a gente senta junto para ler, eu leio muito capítulo. Recentemente eu tava lendo o livro A Morte é Um Dia que Vale a Pena Viver, é maravilhoso esse livro. É de uma das consultoras da novela (a escritora Ana Cláudia Quintana Arantes). Ela me deu de presente e de início pensei ‘ai meu Deus, livro falando de morte’. Mas quando você começa a ler, percebe que é sobre a vida, sobre a qualidade da vida, sobre como você viver os seus dias aqui. Porque a finitude existe para todos, mas seu tempo é diferente do outro. Se você tem uma doença, você entra em contato real com esse tempo.

Esse encontro da personagem com o carnaval te aguçou?       

A personagem tem muitos pontos que me fez reviver situações. É o lado popular, é o carnaval. Desde pequenininha eu saio na escola de samba da minha cidade, depois aqui no Rio. Ela está me fazendo entrar em contato maior com a leitura também. Fagundes é uma enciclopédia ambulante, uma biblioteca, e ele presenteia a gente com livros divinos e maravilhosos. Já estou com uma listinha que ele me deu, não estou conseguindo ler, mas vou ainda. É um presente estar com esse homem.

Você gravou na Sapucaí. Deu saudade? Voltaria a desfilar?

Eu amo, mas é muita função. Eu gosto do dia, mas a função toda deixa de ser carnaval e vira trabalho. E para mim carnaval é carnaval, não é trabalho. Fico meio confusa.

Está fácil ser solteira no Rio?

Eu só trabalho. Não tenho mais tempo, e que bom, porque preciso administrar isso.

Você prefere uma fase mais solteira ou grudadinha?

Eu gosto de namorar, mas nesse ritmo que estou está impossível.

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