Musa dos anos 90, Claudia Raia volta no tempo com personagem em nova trama da Globo

Em conversa com o Área Vip, a atriz contou um pouquinho do que o público pode esperar com a estreia da nova novela das 19h - Confira a entrevista!
Claudia Raia (Globo/João Cotta)

Quando estrear no dia 29 de janeiro, Verão 90 vai retratar muitos estilos da década que deixou saudade em muita gente.

Claudia Raia afirma que foi um tempo muito bom em sua vida. E não é para menos, foi nesse período que ela interpretou Adriana, em Rainha da Sucata (1990) e Maria Escandalosa, em Deus Nos Acuda (1992), dois personagens icônicos em sua carreira.

Também foi musa e estampou capas de revistas de todos os estilos no período. Agora ela volta à telinhas como Lidiane, uma ex- estrela de pornochanchada, conhecida como Lidi Pantera, mas que quer mesmo é levar a filha, Manuzita (Isabella Drummond), ao estrelato. Lidiane é uma figura espalhafatosa e sem noção, tipo de personagem que Claudia sabe interpretar com louvor.

Em conversa com o Área Vip, a atriz contou um pouquinho do que o público pode esperar com a estreia da nova novela das 19h, de Paula Amaral e Izabel de Oliveira, com direção de Jorge Fernando.

Confira a entrevista:

Verão 90 – Manu e Lidiane (Globo/João Cotta)

O que você pode adiantar pra gente da Lidiane?

Pensa numa mulher inadequada, toda errada, mas que tem uma harmonia. É um desacerto acertadíssimo, vocês vão ver. Ela tem todas as emoções ao mesmo tempo. É um personagem puramente de comédia. Uma mãe apaixonada pela filha, que faz qualquer coisa pra ela estar feliz, principalmente, mas que acredita piamente no sucesso dessa filha, uma ex-atriz de pornochanchada.  É uma mulher bagaceira? É, mas com o coração maravilhoso, uma pessoa que erra o tempo todo, querendo acertar. Uma heroína as avessas. Um personagem muito rico, que dá pra ir da alta comédia à comédia mais bagaceira ao drama mais profundo, tudo isso em uma única frase. Então é um personagem bem difícil de fazer, porque ela tem várias emoções ao mesmo tempo, uma mulher que não tem controle das suas emoções, ela pode ir pra qualquer lado e isso pra uma atriz é um presente.

O que você inseriu nesse universo da Lidiane?

Estou fazendo um sotaque carioca pela primeira vez, to amando. Meus filhos são cariocas e eu estou imitando eles. Eu sou paulista de Campinas, mas tenho um sotaque neutro. Morei no Rio 30 anos, mas nunca tive sotaque carioca e a personagem ela é muito carioca. É muito gostoso de fazer.

Você mudou o cabelo para a personagem?

É o cabelo tá bem ruivo, tá bem mertiolate, que é uma cor muito dos anos 90. A gente achou que isso daria o quente dela. Essa versão do cabelo é mesmo para a personagem, mas eu uso ele bem crespo na novela. O figurino é inaceitável, ela erra tudo.

E o corpo, é natural ou você mantém a forma por causa da dança?

Esse corpo é construído uma vida inteira, eu tenho 52 anos de idade e eu construo ele há pelo menos 48 anos. Dança, malhação, alimentação, é uma vida inteira, não é da noite pra dia. A gente colhe o fruto da vida que a gente teve. Uma  vida sem álcool, sem drogas, sem hormônio, então, eu acho que faz a diferença.

Como foi voltar no tempo, como foi a preparação?

A preparação foi mais da minha memória, de ter vivido os anos 90 intensamente, onde eu já tinha uma carreira consolidada. Isso é muito bacana, toda essa liberdade que hoje a gente não tem mais, toda essa musicalidade, essa alegria, esse encontro na praia no fim de tarde, no baixo Leblon onde você encontrava com todas as pessoas, onde a cultura e a música eram efervescente e, principalmente, a alegria habitava no coração de todas as pessoas, isso infelizmente a gente perdeu nesses tempo que a gente tá vivendo.

Você acha que a novela vai resgatar esses sentimentos da época?

Eu acho que a novela pode trazer um resgate dessa alegria, ela pode trazer a lembrança tão feliz de qualquer um de nós, mesmo quem é muito jovem. Quem é que não pensa na infância de uma maneira afetuosa? Então, eu acho que toca o coração de todo mundo de uma maneira diferente. É uma novela extremamente feliz e alegre. Claro que tem seus desalinhos, suas separações, todas as coisas que uma novela precisa ter , mas essencialmente é uma comédia.

A novela tem muita dança, não é?

A novela tem muito isso, fala muito da lambada, do jazz, dessas coisas todas que eram dos anos 90. E eu faço uma professora de jazz, na verdade ela não é professora, ela dá aula de jazz porque ela vive numa pindaíba horrorosa, a filha não consegue entrar em nada, ele não consegue emprego, então ela acaba dando aula de jazz.

Nos anos 90, qual a novela que você mais gostou de fazer?

Na década de 90, eu acho que era Rainha da Sucata.

Quais as diferenças entre aquele tempo e o atual?

Toda a diferença. Hoje o público é muito mais polarizado, as coisas se dividem muito mais, mas a teledramaturgia é uma invenção nossa, brasileira, a gente sabe fazer muito bem isso. Então a gente não pode ter vergonha da telenovela. A gente tem que ter orgulho, porque a TV Globo faz isso melhor do que qualquer televisão do mundo. E nós vamos a 197 países. É um grande produto que a gente faz muitíssimo bem e que o nosso público ama. Não sejamos ingênuos achando que a TV fechada roubou esse público de novela. Mentira, isso é cultural, está no nosso DNA a telenovela. É que hoje o público é muito mais seletivo. Antes as pessoas sentavam na sala e assistiam à novela sendo boa ou mais ou menos. Hoje não, as pessoas querem uma novela boa. São mais exigentes.

Qual sua lembrança mais feliz dos anos 90?

Só tenho felicidade nos anos 90. Eu acho que isso de encontrar as pessoas na praia, marcar um encontro no Leblon no fim da tarde, depois do teatro. As pessoas se viam, se amavam e eram muito alegres, faziam coisas juntas. É muito bacana isso por que é o resgate das relações humanas, eu acho.

Teve algum desafio de fazer esse personagem?

Eu acho que sim. Começa que eu tenho 38 anos de televisão, começa daí, você não se repetir. Você fazer um personagem de comédia, eu já fiz alguns, com essa temperatura, mas que não seja igual aos outros. A Lidiane é uma personagem extremamente rica, ela tem muitas coesões ao mesmo tempo, é difícil de fazer. Fazer comédia é uma tarefa árdua. Mas nas mãos do Jorge Fernando (diretor) a gente se entrega e tudo dá certo.

Belíssima foi reprisada recentemente, como foi o trabalho na novela?

Foi uma novela maravilhosa. O Silvio de Abreu me deu muitos papéis na vida, esse foi um deles. Uma novela que foi feita há 14 anos, é diferente né? Mas é uma emoção, amei fazer  e que voltasse ao ar perto da Lidiane que é bem diferente da Safira. É legal ver toda a sua trajetória, esse legado que você acaba deixando na memória das pessoas.

Como você prefere, você naquela época ou atualmente?

Acho que eu sou melhor hoje. Era muito exagero. Em 80 a gente veio das ombreiras, dos brincos, dos cabelos. Aí 90 a gente tentou atenuar, mas ainda tinha os cabelos crespos, as cores fortes. O corpo hoje é mais sequinho.

Pega um pouco dos anos 80 também?

Na verdade os anos 80 é o primeiro capítulo só, quando a Manuzita é pequena. No final do capítulo muda pra 90.

E você foi uma musa nos anos 90 não é?

Amor eu fui musa de tudo, eu fui musa até do verão mesmo com essa cor que eu tenho. Naquela época musa era uma coisa que bombava. As capas da Manchete, de todas as revistas. Em 30 anos de novela eu fiz 400 capas de revistas, na época que tinham as capas, agora acabou.

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