
O ministro do STF Flávio Dino autorizou a Operação Transparência 3, conduzida pela Polícia Federal, que teve como alvo o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de Mendonça. A investigação apura um suposto esquema de tráfico de influência junto a tribunais superiores, envolvendo contatos diretos com ministros do Supremo.
Informações de Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo. A decisão aponta que Cezinha, em parceria com as advogadas Valéria Rodrigues Linhares e Mariângela Fialek (“Tuca”), teria atuado para interceder em favor de clientes em processos relevantes. Os contratos firmados previam honorários de até R$ 1 milhão, com cláusulas de êxito que poderiam elevar o valor para R$ 2 milhões caso as decisões fossem favoráveis.
O papel de Cezinha seria particularmente delicado: embora não seja advogado, ele teria se apresentado como alguém capaz de despachar diretamente com ministros do STF, incluindo nomes como Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Essa prática, segundo a PF, configuraria uma tentativa de influenciar julgamentos por meio de relações pessoais e políticas.
A Polícia Federal descreve um modus operandi estruturado: Mariângela Fialek encaminhava petições e peças jurídicas. Cezinha de Madureira confirmava contatos e reuniões com ministros, reforçando a ideia de acesso privilegiado. Valéria Linhares formalizava contratos de honorários, vinculando os pagamentos ao resultado dos julgamentos.
Um exemplo citado ocorreu em julho de 2025, quando foi firmado contrato prevendo R$ 1 milhão em honorários para a sociedade de Valéria. Um aditivo posterior estabeleceu que, caso fosse concedida liberdade ao cliente, o valor subiria para R$ 2 milhões.

Em agosto de 2026, a PF já havia apreendido R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria, reforçando as suspeitas sobre a origem e finalidade dos recursos.
Em sua defesa, Cezinha divulgou nota negando qualquer irregularidade, afirmando confiar na Justiça e garantindo que os fatos serão esclarecidos no devido processo legal.
O episódio ocorre em meio a um ambiente já tenso no STF, marcado por divergências internas e pressões políticas. A operação pode intensificar a crise institucional, especialmente porque envolve ministros como André Mendonça e Alexandre de Moraes, que já protagonizam embates públicos e jurídicos.
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