
Em entrevista para Sérgio Roxo no O Globo, José Dirceu combina uma autocrítica ao PT, a defesa de uma frente política mais ampla para sustentar o governo Lula e reflexões sobre a renovação da liderança da esquerda brasileira.
José Dirceu afirma que a vitória eleitoral de Lula em 2026 “não foi do PT”, mas resultado de uma coalizão política mais ampla. Segundo ele, o partido precisa tirar lições desse resultado e passar por uma reconstrução profunda.
“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, disse.
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O ex-ministro defende ampliar alianças com partidos do campo progressista, citando siglas como PSOL, Rede, PDT e PSB, para fortalecer a base política do novo governo.
Sobre a sucessão de Lula, Dirceu diz que um futuro líder da esquerda precisará provar seu valor na prática, governando ou exercendo liderança política. Ele cita Fernando Haddad como exemplo de alguém que ganhou projeção pelo desempenho em cargos públicos.
Dirceu defende diálogo com eleitores da direita, especialmente jovens e evangélicos, e critica a ideia de estigmatizar quem vota em candidatos conservadores.
“Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, disparou.
Para garantir governabilidade, ele propõe um pacto envolvendo partidos, empresários e trabalhadores em torno de reformas tributária, financeira, política e do Judiciário, preservando direitos sociais já consolidados.
Ele destaca que parte da mobilização eleitoral ocorreu devido ao receio da população de perder benefícios e garantias ligadas ao salário mínimo, aposentadorias, saúde e educação.
Em relação à própria carreira, Dirceu afirma que não pretende disputar novos cargos eletivos. Ele relata que sua campanha foi prejudicada por um tratamento contra um linfoma entre maio e setembro de 2026 e declara que já “virou essa página”.
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